Brasiliana

ou Brasiliense – dia a dia

Chove pouco em Brasília, mas o lago Paranoá salva aquela suicidade única, o lago também foi projetado, ou a bela monstrópole não existiria. O ar é seco de tal forma que em determinada época do ano [agora], as pessoas são afeitas aos seus instrumentos musicais, em especial o piano, que colocam recipientes cheios de água em vários cantos da casa ou do apartamento, para minimizar os efeitos da sequidão, e poupar a madeira dos instrumentos, porque a evaporação ajuda instrumentos e moradores. É verdade, é real.

Por falar naquela aldeia nacional e internacional, mãe querida dos brasileiros e brasileiras – bom, isso é quanto ao que diz respeito à história maravilhosa de sua construção, porque depois as nuvens negras começaram a chegar e ficar, ou chegar e partir, com algum pedaço ou naco ou migas do bolo. Lembrei-me da bela música do Toninho Horta: Céu de Brasília, e também do mesmo querido autor a canção Beijo Partido.

Como não poderia deixar de ser, a palavra “pasta” é muito pronunciada em Brasília, bem mais do que a palavra Mãe, é, eu sei do que falo, às vezes, mas, de Brasília sou mais do que mentecapto, sou EXPERT, aliás, como todo mundo deste rio de risos e abraços que é o país do qual o dramaturgo Dias Gomes disse: “O Brasil é um país que desmoraliza o Absurdo.” Uma beleza, na mosca. Por falar em absurdo, meu vizinho Aprígio Nonato Villa-Real, disse que já comprou a caneta com a qual medirá forças com os papéis que lhe derem quando da implantação do NOVO//VELHO método de se ir à urna, e ficar matutando diante do grande estigma, do grande enigma, esgrimando diante destoutra herança bolsonarista, bolsonarina, bolsoruego, bolsopata, bolsorepto, bolsotático, bolsoraro. Irei, com fervor de patriota, votar numa gloriosa invenção brasileira que é a URNA ELETRÔNICA. E fim de papo.

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Darlan M Cunha: foto e texto

convite

Sabará, MG – BRASIL

Algum dia irei a Sabarábuçu, Raposos, Rio Acima, e ao Rio das Velhas com muitas histórias de ouro, e também voltarei a São Sebastião das Águas Claras, que todo mundo conhece como Cachoeira dos Macacos, pequenina e dócil ao tato e ao olhar, tudo aqui bem pertinho de BH, mas longe da monstrópole, sim, é claro que fui até lá várias vezes, mas sempre me esqueço como estes lugares são, vivem, aí então eu invento de ir conhecê-los, e lá vamos nós aos queijos, chouriços, couves, linguiças, jabuticabas, torresminhos, taioba, goiabada, ao angu, ao ora pro nobis e àquela cachacinha. Ó, melhor do que isso é só beijo de Mãe, e umas bicotas das moças, e muita música, porque em todos estes lugares há músicos a rodo, é difícil uma família onde não haja alguém músico, ainda que amador, mas de muito boa técnica – moças e rapazes tocando com vovôs e vovós, crianças bem ali no seu dó maior na flauta, etc. Um espanto é o país, esse mesmo de Brasília – aliás, não o mesmo.

Darlan M Cunha: foto e texto

A Lei da Princesa Isabel não passou por aqui… ainda não, parece que não.

Pois é…

@1. Apanágios diversos (Não te percas de todo, não me culpes de nada, só de tudo).DMC

Lembra: Todo dia “ele” faz tudo sempre igual (quase todo dia, sem exageros), lembra que todo dia é dia de viver, você deve rezar pela xepa da feira e dizer que tudo tem melhorado, você merece, Marina, serena Carina, você se pintou, Deus e o Diabo na Terra do Sol, Pois é… pra que ?, eu não sei se vou te amar, amar no tempo do cólera ou da cólera, mas, pra não dizer que não falei de flores, ou cicatrizes, lembra que amigo é pra essas coisas, e que viajar é mais, encontrar a rosa e o espinho, lembra que o mundo é um moinho, Hay Gobierno? Soy contra?, repita: amigo é coisa pra se guardar, o deserto é logo ali o encontro marcado, a casa do atrapalhado Geraldo Viramundo, a conta chegou, e outra, o mundo é um moinho, aí estás sentado à beira do caminho, águas de março ou sol de primavera, Imagine, the fool on the hill, o sol não pode viver perto da lua, canto lunar, vou-me embora pra Pasárgada, lá eu sou amigo do rei, melhor dizer (e cumprir): vou-me embora para dentro de mim.

Jacas

@2. Clareira na noite / deserta procissão / nas portas da Arquidiocese (Fernando Brant & Tavinho Moura)*

Finja que estás na roça, que uma jaqueira convida, mangueiras cheirosas convidam, vacas aqui e ali, bois no bem bom do pasto, céu e estrume, biscoito frito, calma, nada de endoidar antes da hora, que ainda tem o bom suplício de se montar num cavalo, cachoeira é logo ali, convida, celular no lixo, per favore, finja que estás na mataria, no matagal, és de fato animal, o sossego ainda existe, mas só no imaginário, pensar cansa, viver dói, mói, mas, fazer o quê, senão viver ?, ponha o bornal e vá catar flores e gabirobas, volte logo para o almoço de pele de porco estalando, angu, couve rasgada nas mãos, frango ensopado nos caldeirões, batata doce, linguiça, cará com mel de abelha, banana da terra assada na chapa, banana dedo de moça, uma cachacinha para se lamber os beiços e leitoa assada, ora pro nobis, viola, todo mundo descalço, pés no chão batido, licor de jaboticada, Ê Minas, não é hora de partir, não, Calma, ninguém está te mandando embora, ora essa, essa aqui é uma terra hospitaleira, mas, lembra: todo mineiro é conspirador, por favor, mais umas lascas desta perdição de leitoa assada com maçã na boca, sim, estás de fato na roça, olhai os delírios do campo.

Darlan M Cunha

TAVINHO MOURA & FERNANDO BRANT: Beco do Mota: https://www.youtube.com/watch?v=b1WmqPQkwHc

3 em 1 ou 1 post com 3

SABARÁ, MG – BRASIL

@1.

Enquanto preparava o café, lembrou-se, com espanto, de ter sonhado que ao voltar de uma padaria, viu seus pais, de mãos dadas, indo em sentido contrário ao seu, na confluência de duas avenidas com a sua própria rua, e se inquietou, raramente sonhava – pelo menos não sonhos que viessem à tona. Conhecendo-se bem, sabendo de sua trajetória psicanalítica, não deu de ombros ao sonho – breve, inquietante, revelador. Acresce que o pai já é falecido.

Mãe MARIA JOSÉ

@2.

Aranhas e humanos têm muito, mas não muito em comum. Fiquemos assim. A história da tecelagem, em sua várias modalidades, é muito antiga, começou muito antes das sombras que nós inventamos contra nós mesmos; e mais antiga ainda é a história do pão, tão velha quanto a Humanidade. Na pequena cidade de Seia, em Portugal, há um Museu do Pão, e na mesma atenção para com o passado, há um Museu do Pão na cidade gaúcha de Ilópolis.

PRECISA-SE de UMA AJUDANTE DE COZINHA

@3.

Como lembrar-se do primeiro ovo que se cozinhou ? Eu gostaria de me lembrar da primeira macarronada que fiz, deve ter saído uma gororoba boa daquelas ! Nunca fiz curso culinário, também não procuro nada na internet a este respeito, e a respeito de ene assuntos, nada. Uma que outra coisinha foi comigo mesmo, veio do instinto de misturar o que usualmente não se faz na cozinha, e dá certo, mas, primeiro, sempre faço um pouco para mim – cobaia, hehe. Ah, é mesmo verdade que “o primeiro sutiã a gente nunca esquece“, conforme a linda propaganda televisiva idealizada já há tantos anos pelo publicitário Washington Olivetto, na qual surgiu a atriz Patrícia Lucchesi, então com 11 anos de idade ? Pois é, belezas há na vida, de montão, como diz o Povão: varrer o passeio, ler, meter o pau nos desgovernos, risadas na cozinha, pagar contas (isso não tem graça nenhuma), e por aí vai o cotidiano.

MUNDIALMENTE FAMOSA “IGREJINHA DO ‘Ó'”, SABARÁ, MG, BRASIL

@4.

Todos se acham mortais,* até eu, que nem imortal eu sou, e muito menos simples mortal, é o fim da picada não se saber quem é, ah, isso é o comum, o horizonte nunca sendo vasto, não há tristeza maior do que só ver becos, tralhas, rachaduras psíquicas, e sempre dando a entender que tudo vai bem, sim, as pessoas são honradas com a sua tristeza, mas sabem que para além dela, da tristeza inerente ao ser humano, também há a alegria inerente aos nossos mais bem encravados modos de ser. SER. Ó SERDESPENTO !

Darlan M Cunha

ELZA SOARES canta GONZAGUINHA (Vídeo Oficial da ELZA): https://www.youtube.com/watch?v=Ttn6V_r3D9Y

tanto

O que será, que será, que dá dentro da gente… que não devia ? (Chico Buarque)

@1.

Já respondo a esta indagação, com uma assertiva: há conflitos internos, daí que, entre um dia e outro, fica-se cada vez mais se perguntando o que será ?, por que uma nova dúvida, quando virá de vez a decisão a respeito disso e daquilo ? quanto será a conta psíquica: será maior do que esta, já à mesa vazia, essa conta, posta onde deveria estar o pão, mas onde se vê o Sim, de olhos vazados, e em seu lugar um exemplar de Cão de olhos azuis, do García Márquez, ou O cão sem plumas, do João Cabral, se não O dicionário do Diabo, do Ambrose Bierce ?

Sim, já responderás a esta questão, sentado à beira do caminho, espinhos em cada mão, na cabeça uma coroa, ora, tu também és um cristo, foste pego sutilmente, mas logo depois as coisas mudaram, e hoje és o que és: outro paradigma da nulidade, um poço de dúvidas, um escracho, barco fazendo água, mas tu ainda tens crédito, porque continuas na luta, mesmo se perguntando, como Carlos Drummond se persignou no poema O lutador: Lutar com palavras é a luta mais vã. Entanto lutamos.

MINHA VIDA É ANDAR POR ESTE PAÍS, PRA VER SE UM DIA EU DESCANSO FELIZ… (Luiz Gonzaga e Gonzaguinha)

@2. Tempo de mochileiro // Backpacker’s time

Entendamos, juntos: mochileiro não é bater pernas pura e simplesmente, nada de tentar ir ao paraíso, ao que não existe, tentando, consciente ou inconscientemente, fugir dos dias e das noites sempre as mesmas, mesmos lugares, mesmas caras, odores, sons… não, não é por aí, como se diz, não é por aí. Ser mochileiro verdadeiro, como eu fui, é dar a si a chance de diluir espinhos antigos, ao mesmo tempo em que abre e anota nos novos caminhos, o que a boca dos lugares desconhecidos te disse, o que os novos temperos fizeram com o teu paladar, tiveste de procurar alguém para costurar-te as botas, tiveste de lavar a roupa à beira de um córrego ainda límpido, foste convidado a uma festa (prevenido, sempre levava calça e uma camisa de mangas compridas, para eventualidades, e não apenas camisetas poucas e poucas bermudas, violão, caderno grosso para anotações, lanterna, estojo de pronto-socorro, não havia telefone, ó, entrar noutra cidade e procurar um orelhão era outra história, e a família e os amigos e amigas agradeciam, hehe), entrava-se nalgum entrevero, por dormir nalgum terreno bem ermo, mas cujo dono era ranzinza. Mochileiro, assim como serenata, é sinônimo de extinção. Serenata é só mesmo na cidade do estado do Rio de Janeiro, chamada Conservatória, ela existe, e vive de /da/com a Música este pequeno e tão agradável miolo do prazer. É claro que em Ouro Preto, Mariana, Tiradentes e no mimo de nome Bichinho, e em Diamantina, ainda se ouve alguma serenata.

Guia do Viajante | CONSERVATÓRIA - RJ
A ESTÁTUA EM HOMENAGEM AOS FUNDADORES DO MUSEU DA SERESTA – OS IRMÃOS JOUBERT CORTINES DE FREITAS e JOSÉ BORGES DE FREITAS NETO. (GUIA do VIAJANTE: https://guiadoviajante.com/3392/conservatoria-rj/

Darlan M Cunha: texto e fotos, exceto a de Conservatória, RJ.

temática do assombro

SENTINELAS DECAPITADAS, MAS SENTINELAS, TESTEMUNHAS

Para espanto e regozijo, sem procurá-la, encontrei essa foto, feita há 15 ou 20 anos, mas eu não sei precisar o lugar, embora ache que foi numa das inúmeras caminhadas e corridas, mas acho que foi aqui perto da cidade de Nova Lima, ou de Raposos, a pé, sempre, ou foi depois do bairro Belvedere, aqui em BH. De todo modo, ela me agrada, até porque a cor é natural, eu não me lembro de tê-la tirado de sua roupagem original, até porque ainda nem sabia fazer isto. Ela me fez pensar, uma vez mais, na incrível rapidez da vida. As pessoas dizem: Um dia a mais. Outras dizem: Um dia a menos. Enquanto isso, os dias assobiam, e vão em frente, e muita gente fica pelo caminho, filosofando, com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar – de acordo com a canção do Raul Seixas.

Darlan M Cunha

RAUL SEIXAS. Ouro de Tolo. Raul Seixas – Ouro de Tolo – YouTube