arco-íris / rainbow

esmero caseiro

Dizem que na época de frio as pessoas se tornam um pouco benevolentes, só um pouco, pois isso, parece, não faz parte de sua índole, do seu psiquismo, sua retórica, sua moralidade – o Homem é solitário por natureza, e bruto. Mas há exceções, há momentos outros. Hoje vai ter sopa ? de que: macarrão com carne moída, com chuchu, batatas, salsa, coentro, manjericão, ovos cozidos, cebolinha verde, alho, cebola, fios de azeite, belas folhas de repolho (rasgadas com as mãos), toda esta sopa acompanhada de pão ? Mal se pode esperar, aguente firme, vá ralar, à noite terás a recompensa.

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They say that in the cold season people become a little benevolent, just a little, because that, it seems, is not part of their nature, their psyche, their rhetoric, their morality – Man is solitary by nature, and brutish. But there are exceptions, there are other moments. Today there will be soup ? of what: noodles with ground beef, with chayote, potatoes, parsley, coriander, basil, hard boiled eggs, green onion, garlic, onion, strings of olive oil, beautiful cabbage leaves (torn with the hands), all this soup accompanied by bread ? You can’t wait, hang in there, go grate, in the evening you will have your reward.

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  • Darlan M Cunha: foto e texto

cotidiário

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@.1

O pão tem a idade da Humanidade, tem mãos calosas e pés grossos, sua trajetória é de uma diversidade incrível, da mesma forma que são seus ingredientes, misturas, formas, tamanhos, cores, odores, preços, enfim, o pão é o cara, e merece museus do pão mundo afora, no RS tem um museu do pão, em Ilópolis (http://www.ilopolis-rs.com.br/siteantigo/site/pagina.php?id=15,) e também na pequena cidade de Seia, em Portugal (https://www.museudopao.pt/,), o pão está de tal forma tão dentro da gente que, faltando, ele faz revolução, já nos deu museus, livros e enciclopédias, deu canções e poemas, esculturas e pinturas, e então nós temos pães de milho, soja, trigo, chocolate, aveia, alho, arroz, cenoura, batata, mandioca, pão com orégano, ameixa, enfim, ao entrar numa padaria as nuvens vão te buscar.

@2.

Grupos de autoajuda <> Selbsthilfegruppen <> Self help groups <> Grupos de autoayuda

Vi na televisão alemã, por acaso, algo sobre este assunto, e me perguntei uma vez mais acerca da presença de mãos desconhecidas em nossas vidas, sim, porque o mundo está feroz a tal ponto que todos os dias necessita de remendos.

Darlan M Cunha

muscular

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@1.

Manhã de domingo encontrei-o assim mesmo: pensando na vida, sossegado, dei um tempo na corrida e fiz a foto, rápido, porque fotos assim têm que ser feitas num átimo, porque esse tipo de modelo não espera, não faz pose, continua na dele, indiferente ao “mundo vasto mundo”, como está no poema do Drummond.

@2.

Uma vez no solo, o grão ou semente sabe o que fazer, mas é preciso água sol vento. O ser humano é o mamífero cuja chegada à idade adulta é a mais demorada, a vida lhe é curta, embora já ninguém mais durma, as madrugadas sejam pontilhadas de luzes nas casas e apartamentos.

@3.

Quando dizem que as mulheres grávidas têm desejos estranhos quanto a alimentos, pode-se tentar entender tal dinâmica hormonal, digamos assim, da fisiologia e/ou da psicologia. Bom, do outro lado do balcão, cá estou, em casa, uma hora da madrugada, e uma vontade repentina, que danada, de comer uma boa feijoada. Mamma mia ! Bom… pensando bem, sacrifício exigido, posso pensar num purê de batatas ou de cenouras amarelas, também chamadas de ‘baroas’, até porque o Mundo está cheio de pesadelos, portanto, vamos de leveza.

Darlan M Cunha: foto e texto

claro-escuro

Caminhante, há um caminho bordado de leveza, não de aspereza, para ti.

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escuro

@.1

Faz escuro mas eu canto é o título de um livro de poemas do amazonense Thiago de Mello. Escuridão de fato é esta queimando a sola dos pés, as pálpebras e as mãos do Mundo, clara em seu objetivo de dizimá-lo, o que tem conseguido, por vários motivos – sabidos e consabidos.

No sábado, 19 junho 2021, um grande país atingiu a marca hiper tétrica de ter de se haver com 5oo mil vozes, processos, pasmo, nuvens e reclamações, uma ira sem precedentes, desânimo avançando para um acerto de contas nada desejável, pois não há sobreviventes no que o Mundo desdobra todos os dias.

Hoje, domingo 20 junho 2021, é de se ficar em casa, martelando, bombando, eis um vazamento na cozinha ou no banheiro, macarronada com frango (caso haja), o/a mídia dando Dia Mundial do Refugiado. Pensas, tu pensas ? Já se pode logo ir escolhendo uma data exata para se auto renomear, por exemplo, Dia do Pagão, Dia da Normalidade na Base, Dia do Sono Tranquilo das Mães, Dia sem Nome e sem Data

@.2

Quando criança, crianças costumavam correr e até comer terra no quintal de casa, sim, era gostoso, mas trazia lombrigas, e estas magricelas são gulosas, comem contigo boa parte daquilo que comes, daí que anemia e amarelão eram algo assim comum, mas nem só de terra viviam as crianças, num ar só pipas e pirilampos, ar de terras distantes, ouvia-se a voz das avós a centenas de metros de distância, os latidos dos cães preguiçosos, bem almoçados, cães de rua, não de madame. Pois é, sobre a mesa tenho coleção de lembranças que ainda estão no ar ou On Air – como se queira.

@.3

Pra não dizer que não falei de flores, só de dores, conto contigo para rir comigo, pensar comigo, parco de miolo que sou, sim, ainda é possível – parece.

Que não nos seja só dominical
“TODO DIA É DIA DE VIVER… (LÔ BORGES, MÁRCIO BORGES, FERNANDO BRANT – Gravada por MILTON NASCIMENTO – 1970)”

Darlan M Cunha: fotos e texto

senhas / passwords

pausa

O ASSOMBROSO MUNDO DA MÃE SENHA

Somos filhos da Senha, tudo tem de ser conferido, ou a aba, o segredo não se abrirá, bastando alguns cliques, ou nada feito, teus cabelos ficarão crispados de raiva, tuas unhas apertando a superfície mais próxima, som de fúria, as páginas são rinhas trocando de senhas, mas o dique vaza, para o desespero sentado numa cozinha pequena, tudo em silêncio, menos o vizinho barulhento, isso vai mal, creia, senhas são seguranças vestidas com tecidos transparentes, são necessárias, mas ainda servem pouco sob o ataque de uma curra informática, sim, tu és filha da Mãe Senha, todos são filhos dessa mesma mãe, portanto, todos têm N irmãos e irmãs avaliadas e avariadas. Não há saída. No way.

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THE AMAZING WORLD OF THE MOTHER PASSWORD

We are children of the Password, everything must be checked, or the flap, the secret will not open, just a few clicks, or nothing done, your hair will be crisp with rage, your nails clenching the nearest surface, sound of fury, the pages are puzzles changing passwords, but the dam leaks, to your despair sitting in a small kitchen, all silent but the noisy neighbor, this is going badly, believe me, passwords are security guards dressed in transparent fabrics, they are necessary, but still serve little purpose under the onslaught of a computer curse, yes, you are the daughter of Mother Password, everyone is a child of that same mother, so everyone has N brothers and sisters assessed and broken down. There is no way out. No way.

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Amadas e Caros, vamos à macarronada do sábado, que a feijoada fique para o domingo:

SÁBADO: MACARRONADA — DOMINGO: FEIJOADA
  • Darlan M Cunha

modos

RELÓGIO-CARANGUEJO NO MUNDO NO PAÍS CARANGUEJO. Bar do VALTINHO – MEDINA, MG

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Às vezes, quase sempre, a humanidade mostra quem ela é de fato, o que ou o quanto ela quer e/ou pode, até porque, como diz o povão, na sua insígne escuridão, querer não é poder, mas ninguém segue este conceito ou preceito, vai mais além, e torna as coisas ainda mais difíceis, um sapo difícil de ser engolido. Só rindo, depois, chorar. Neste satírico relógio aí acima, num bar da cidade onde nasci, Medina, no Vale do rio Jequitinhonha, MG, essa beleza dá um tapa de luva e um chute venenoso na bunda da Showciedade. Só rindo, sem chorar, a não ser chorar de rir, de tamanha cegueira cotidiária (não te lembras do José Saramago, no Ensaio sobre a Cegueira ?), de tantos caranguejos danando-se intra e extramuros, eis que nas ruas, nos lares e escritórios não há lugar em que a santa e pagã estupidez não tenha vez de primazia, ó agonia.

Calma, garota, calma, rapaz, vai dar tudo certo, tudo vai bem, tudo legal, cerveja, samba, e amanhã, seo Zé, se acabarem com o teu carnaval ?, diz a canção Comportamento Geral, do saudoso Gonzaguinha, que morou aqui na Pampulha. Mas, vamos que vamos, Uai, ainda que no rastro ou no dizer da plebe ignara, da súcia mefistofélica, da ralé social, dos párias (uma das castas da Índia, bem rente ao chão). Vâmo qui vâmo, coroados e coroadas, à sempre-viva, sempre rindo, ó vidinha obscura é este enredo pela metade, e quase tudo se torna ou fica no dandismo, feminismo, machismo, e mil outros ismos, e no domingo aquela galinhada e aquela macarronada, segunda-feira é só outro dia – sábias palavras. Bom, vou cuidar da minha horta, porque plantar jardim só nos dá a feroz inveja alheia, o Cão nosso de todo o sempre; então, nada de pôr a barba de molho ou de esquentar sofá, abrindo a geladeira, o mundo é vasto mundo, mesmo ou ainda se mais pegando fogo:

REGIÃO do bairro ESTRELA DALVA, VISTA A PARTIR DO APÊ no bairro BURITIS, BELO HORIZONTE.

Nada como uma noite diferente, a qual talvez seja capaz de nos fazer pensar de um modo diferente a respeito de tantos fatos a dois palmos do nariz, que passam despercebidos. Neste fogaréu aí acima, felizmente, ninguém se feriu. Fiz a foto, e continuei a fazer o que sei: pensar, e então, que a ação sugerida no verbo agir só venha em função disso: pensar. Calma, boa gente, tem coisa boa para essa tua sexta-feira, dia 14:

E MAIS NÃO E DIGA… BENVINDOS, AMIGAS & AMIGOS.

Darlan M Cunha

ELZA SOARES canta COMPORTAMENTO GERAL (GONZAGUINHA): https://www.youtube.com/watch?v=Ttn6V_r3D9Y