manhã / morning

café da manhã

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“Se não tiver esperança, melhor fazer um caixão para si.”  Provérbio afegão 

provérbio Afegão

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If you have no hope, better make a coffin for yourself.Afghan proverb

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Darlan M Cunha: foto

Ó, mamma mia!

roscas feitas em casa // home made
sorria ou chore // smile or cry

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E PORQUE HOJE É DOMINGO

E porque hoje é domingo, muitas pessoas ficarão em casa, afáveis, cansadas de mil correrias, eis os chinelos, a bermuda e a camiseta, mas onde estão os sorrisos e as piadas ? Nada de cílios postiços, nem de relógio, e muito menos de internet – basta de inutilidades ! isso porque hoje é o dia depois do dia de sábado, e quem vive sozinho, sozinha não fique. E porque é domingo, uma esticadinha na praça aqui perto, bom exemplo. Sol é bom, e as lagartixas gostam. De volta, um tropeção, e um pequeno palavrão, para desafogar. Lavar a roupa e ajeitar os móveis. Música com poucos decibéis, música é para se ouvir e viajar dentro dela, não seja arma para irritar a vizinhança, ora. E porque é domingo – feijão, arroz, salada e macarronada, ou seja, o que houver para comer. Certo ? Felizes iguais às borboletas, os sapos, as rãs, os bichos-preguiça, as bibas dependuradas no teto, de cabeça para baixo, nós todos felizes, iguais aos cofres do governo, cheios do suor do Povão. Mas está tudo bem, porque hoje é domingo, hoje é domingo.

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AND BECAUSE TODAY IS SUNDAY

And because today is Sunday, many people will stay at home, affables, tired of running, here are the slippers, the shorts and the T-shirt, but where are the smiles and the jokes ? No false eyelashes, no watch, and even less internet – enough with the uselessness! because today is the day after Saturday. and those who live alone, don’t be alone, and because it is Sunday, a little stretch in the square nearby, a good example. Sun is good, and lizards like it. On the way back, a stumble, and a little swearing, to relieve the pressure. Doing the laundry and tidying up the furniture. Music with low decibels, music is for listening to and traveling in, not for annoying the neighborhood. And because it is Sunday – beans, rice, salad and noodles, whatever you have to eat. Right ? Happy as butterflies, the frogs, the toads, the sloths, the bibies hanging from the ceiling, upside down, we are all happy, just like the government coffers, filled with the sweat of the People. But that’s okay, because today is Sunday,today is Sunday.

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Darlan M Cunha: foto e texto

os pés / the feet

de casa

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Ficas aí filosofando: Quem acendeu a primeira fogueira, de caso pensado, quem sapecou as primeiras carnes muito duramente cercadas e capturadas pela tribo, sim, como terá sido isso dos nossos ancestrais ? quem preparou a massa dos primeiros pastéis ? foram comidos crus, feito os japoneses que até hoje, sabiamente, comem peixes assim: crus ? Foi um longo caminho, uma jornada pavorosa, cheia de dúvidas, medos, terrores, frio, lanças, febres, feras humanas e não humanas, sim, foi “uma longa e sinuosa estrada”, de acordo com o título desta música dos Beatles. Bom… chega de filosofia, os pasteis estão quentes e cheirosos. Coisas de família.

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You stand there philosophizing: Who lit the first fire, just in case, who salted the first meats that were so harshly fenced and captured by the tribe, yes, how could this have been for our ancestors? who prepared the dough for the first pastries? were they eaten raw, like the Japanese who, wisely, eat fish like this: raw? It was a long way, a dreadful journey, full of doubts, fears, terrors, cold, spears, fevers, human and non-human beasts, yes, it was “a long and winding road”, according to the title of this Beatles’ song. Well… enough philosophy, the pastries are hot and smelly. Family stuff.

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Darlan M Cunha: foto e texto (trad./trans. DeepL.com)

regime ?

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saber onde se está, e de onde se é, eis a questão simples, mas quase ninguém chega lá, não entra total no próprio enredo, no próprio entorno, desconhecendo assim suas formigas, as folhas no chão, os troncos no fundo do quintal, ah, essa pinga é boa, que belo vestido, biscoitos que tu sempre comeste em família, mas quase nada sabe deles. Tome juízo, não faça como eu que vivo cego surdo mudo sem miolos.

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Esse bacalhau me fez lembrar o que me contaram há muito tempo: um vereador aqui de BH, de nome Thibau – acho que já falecido, há tantos anos nunca mais ouvi falar dele -, segundo o que ouvi, pretendia entrar com um projeto o qual visava trazer água do mar para Belo Horizonte, linda, moderna, poderosa, através de um canal a ser aberto a partir do mar no Espírito Santo ou no Rio de Janeiro. Pois é, esse bacalhau me levou ao mar, naturalmente, e então me lembrei do digno vereador, e desta história que, parece-me, é estória.

Darlan M Cunha: fotos e texto

simples

repolho & cia

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Recebeu algo raro, já mesmo fora de moda como um fax, sim, de fato, recebeu um telegrama o qual lhe dava conta do falecimento… dele mesmo, sim. Espantadíssimo, suando em bicas, beliscou as coxas e os braços, também o sexo, tudo lhe pareceu vivo, pulsante, beliscou os mamilos, puxou os cabelos e deu uma canelada proposital num pé da mesa de refeições – isso dói -, gritou em alto e bom som uns palavrões pavorosos, ameaças de morte gritou, pois iria descobrir quem fora o ou a autora de tal descalabro, pois estava se sentindo vivo, babando de ira e pavor. Cabeças iriam rolar.

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Darlan M Cunha: foto e texto

sábado Brasil

no capricho caseiro

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E pensar que feijoada era comida feita pelos e para os escravos e escravas – estes e estas aproveitando partes do que lhes era dado ou jogado, e assim, uma vez a carne cozida e também o feijão, alguns temperos, foram fazendo a base de uma comida que hoje é um patrimônio nacional, sendo que hoje se pode receber quaisquer pessoas em casa para um almoço, sem receio de se estar servindo-lhes algo de terceira ou de quinta classe.

Darlan M Cunha: foto e texto