Mão, 3

castanhas de baru (Dipteryx alata)
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Pródiga, ainda que espancada a diário, a natureza não se faz de rogada. No deserto chove com força, as dunas se vão, camelos e homens afogam-se no areal, sombra não existe, a não ser aquelas sombras no psiquismo, comum nos humanos. Enquanto isso, cascavéis, besouros e ratos do deserto palitam os dentes. Nas monstrópoles, sôfregos, os zumbis sobem e descem escadarias cotidiárias, homens e mulheres pisando no tapete vermelho do desespero. Ó vida, Margarida !

Foto e texto: Darlan M Cunha

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MAO-BH, 9

A famosa “lambe-lambe” dos parques, ancestral da tua mini

Prensas e tijolos

Fole e afins {casa de ferreiro, espeto de pau ?}

Fortíssima e, segundo o todo do Brasil, discreta.

Nos arraiais a vida foi ouro, e ouro era trabalho. E a febre do ouro pouco tempo deu para se pensar em “hoje”. E as casas foram de pau, que o tempo comeu. E a febre do ouro pouco permitiu que se pensasse em “amanhã”.

Peter Scheier. Imagens do passado de MINAS GERAIS.

Fotos: Darlan M Cunha

MAO-BH, 8

Pharmácia ou Botica

Pharmácia ou Botica

Pharmácia – unguentos, óleos, essências, pós, sais…
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E ainda um girassol / de louça e nostalgia: / flor do 56 / que é pia / oráculo e urinol / Isso deixo – não é meu / E, que o fosse, deixava: / tenho uma alma escrava / de perder o que é meu.

Ferreira Gullar. Toda Poesia.

fotos: Darlan M Cunha

MAO – BH, 5

Carrancas

Carro de boi

Cangas ou cangalhas
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“Que é, que é ?: São doze irmãos em viagem, nenhum deles passa na frente do outro ?” (dito popular sobre os bois dos carros de bois).

Alceu Maynard Araújo. Folclore Nacional, vol. III, p. 335

Darlan M Cunha

Milton Nascimento canta Carro de boi (Cacaso e Maurício Tapajós). https://www.youtube.com/watch?v=gferQZd4s0I

MAO – BH, 3

Minas Gerais = bateias


Balanças

Espingardas, pistolas, mosquetões, trabucos
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Maldito o Conde, e maldito / esse ouro que faz escravos / esse ouro que faz algemas / que levanta densos muros / para as grades das cadeias / que arma nas praças as forcas / lavra as injustas sentenças / arrasta pelos caminhos / vítimas que se esquartejam.

Cecília Meireles. Romanceiro da Inconfidência, romance XVII

Darlan M Cunha

MAO – BH

MAO – Museu de Artes & Ofícios. BELO HORIZONTE, MG



Carruagem, 1

Cilindros para lavar couro, 1


Este Museu é uma glória, uma verdadeira sensação de paz e de orgulho entra na gente quando se está diante do tamanho de sua representatividade no que diz respeito ao antigo fazer diário, dando a ideia geral dos avanços vindos com as novas técnicas de construção de uma sociedade, o quanto pode o Homo faber, este Museu nos mostra a importância de inúmeras ferramentas, utensílios, objetos, materiais, profissões, estilos de vida. Ele foi idealizado principalmente por uma pessoa muito entusiasmada pela História de Minas e naturalmente pela História do Brasil – Ângela Gutierrez, de uma família muito ligada aos chamados “valores” que dão um rosto à sociedade, uma família muito forte. Foi um longo trabalho de busca pelo interior, muita prosa, resoluções legais, palestras, sempre com o intuito de encontrar, trazer, reformar e mostrar tanta história na forma de trabalho diário. O MAO está situado no prédio que foi base de chegada de pessoas para esta muito jovem e bonita BELO HORIZONTE – 121 anos – no extenso prédio da Estação Ferroviária, na parte central desta cidade. MINAS é muitas, segundo o que disse o médico, diplomata e escritor João Guimarães Rosa.

Fotos e texto: Darlan M Cunha

Darlan visita Ai Wei Wei – final

couro de vaca >>> [clique]

pátio interno coberto


Praça da Liberdade – BH, MG

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Caminante, no hay camino. Melhor que não se façam de desentendidos todos aqueles e aquelas, presos no seu vácuo, lembrados do mínimo grão de mostarda, cientes de si e dos fantasmas dantescos nesta frase ou conceito: Nel mezzo del camin di nostra vita… Olha, aqui e ali há um arroubo, a Fenícia não está longe, está ali e hoje se chama Líbano, tudo é grande e médio, senão pequeno, tudo é medido, dois mais dois são o interesse de cada lado, veja que horas são, pois mal começa o dia e ele já avisa que é noite, e tu vives aí com uma pequena dor pelo erro do cáustico ciúme, há-se que cumprir tantos tratos, e para que te sintas palpitante é preciso que sintas o desafio: Arbeit macht freiheit, e aí está o dilema de se entender, ou não, o que se diz, quando se diz Caminante, no hay camino.

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Série idealizada por: Darlan M Cunha

EGBERTO GISMONTI toca O TRENZINHO DO CAIPIRA (HEITOR VILLA-LOBOS): https://www.youtube.com/results?search_query=EGBERTO+GISMONTI%2C+TRNZINHO+DO+CAIPIRA

Darlan visita Ai Wei Wei, n. 10

elos


madeira brasileira

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Quando eu nasci, Carlos, esteve e está comigo, mais que um anjo, algo para além-lá do Inexplicável. Lembro-me de estar coçando o bilauzinho, após o farto colostro, e de ficar observando aquele bando de imbecis no meu entorno, e fiquei pensando ‘quero voltar para a caverna’, mas obviamente tal feito não é possível, e ali fiquei nas minhas altas considerações metafísicas, com total desdém por aqueles paparicos, a cerveja rodando, a cachacinha, os salgados tradicionais mesmo em casa financeiramente modesta. Ainda estou de pé, ó itabirano, mais ou menos de pé, entanto lutamos, como está no poema O Lutador: “A luta mais vã é a luta com palavras. Entanto lutamos.” Bom, vamos ao que o dia nos oferecer, estou sempre arado, faminto, doido de sede e fome, e todo dia é de luta entre o mal e o bem, dia de deus e do diabo na terra do sol.*

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Darlan M Cunha

ANTONIO CARLOS BRASILEIRO DE ALMEIDA JOBIM. “WAVE”. https://www.youtube.com/watch?v=f44qgQA1B-g