Não faça isso comigo… covardia

Angu, feijão preto com linguiça, pimentas, frango com quiabo, torresminhos bem calientes, com aquele arroz bem soltinho, e geleia para sobremesa. Podem me xingar, Amadas e Caros.
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Parque das Águas no Parque das Mangabeiras, BELO HORIZONTE
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Essa névoa nos teus e nos meus olhos não é neblina, não

essa névoa mais me parece ser o que não é

é algo que desejo para todos – essa névoa é tudo: macia

como os abraços e beijos da tua Mãe em ti.

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Fotos e texto: Darlan M Cunha:

pulando corda

AMADAS e CAROS… talvez seja o rosto multicor, arco-íris 2020 esperando por todos.
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Darlanianas

POUCO DIREI DE CERTAS CIRCUNSTÂNCIAS OU ANTÍTESES TÃO SUTIS: pigmeu pigmeia  /  tabaréu tabaroa  / monge monja  /  loba bobo  //  hehe

Barra do rio JACUÍPE, Polo Petroquimico de CAMAÇARI. BAHIA – BRASIL

Não me esqueci deste domingo no qual saí com gente amiga com a qual estava eu hospedado, saindo cedo da cidade de Lauro de Freitas – cidade moderna, bem próxima a Salvador. Saímos rumo à Praia do Forte (uma hora ou algo assim, de carro, distante de Salvador). Vi o internacionalmente famoso Projeto da Fundação TAMAR (Tartaruga Marinha). Muito trabalho, perseverança. Para vadiar, como diz a canção da dupla Toquinho e Vinícius de Moraes, há lugares para bons petiscos e conversas de quilômetros ou de milhas náuticas – já que estamos à beira do mar. Leva o teu instrumento, vá tocar em sol maior para robalos, vermelhos, baiacus, dourados, camarões, lagostas. Nada de entrar em parafuso, porque o lugar é mesmo, sem dúvida, paradisíaco-demoníaco.

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Pois é…

MÃE, que sorriso é este sempre frequente na Senhora ? Algum bisneto ou bisneta acabou de dizer mais lunáticas para a bisavó ?

Pois é, o maestro e pianista e compositor Wagner Tiso tem uma canção que é a que mais me toca, entre todas as suas obras (esta foi composta antes dos vinte anos, segundo o próprio Wagner, tão respeitado, de nome impecável), de nome Choro de Mãe. Eu, ao clicar a minha Mãe (87), rindo assim de um modo tal de mal conseguir sentar-se direito, lembrei-me da bela canção, ou seja, da contrapartida da vida que é de todosrir ou chorar.

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Fotos e texto: Darlan M Cunha

WAGNER TISO. Choro de Mãe: https://www.youtube.com/watch?v=vmZchGiuL0c

Arco temático

Lay Lady Lay // Deite-se, Senhora (BOB DYLAN), aquele mesmo ningres-ningres literário, que não se dignou a ir receber o NOBEL DE LITERATURA.
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Demências (Dementia praecox)

@1

É assustador o que os descaminhos que cada um leva consigo podem fazer conosco, assim que algum deles vem à tona – congênitos ou adquiridos. Em Girona, Espanha, uma mulher afogou na banheira a própria filha de dez anos. Separada do marido, tratando-se de grave distúrbio psiquiático, assim como tanta gente mundo afora indo e voltando de consultas algo apenas aliviadas temporáriamente da Hidra, do Teatro de Sombras, ou não, isso faz parte da tônica diária, ou quase diária, de pessoas neste grau-limite; mas agora que ela também morreu, resta-lhe estar de modo diferente todos os dias, e morrer outra vez, num cárcere, protegida talvez por uma catarse há muito tempo procurada inconscientemente e, enfim, encontrada, ao acertar as contas com ela mesma, com o marido, com o fundo do Mundo. O mundo deveria abolir o risco do riso, com infinitos sofrimentos em redor dele? Não, porque se nos expusermos a mais esta insanidade, nada nos salvará de nós mesmos, que já estamos no degrau último da demência.

3_d dropshadow_ 030800 (INTERNET)
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@2

O Papa deu um beliscão numa moça que o agarrava, sedenta, à luz do dia, mas ficou nisso, no beliscão, nada que o escuro de um cinema pudesse vangloriar-se de tê-los tido entre as suas paredes, flagrados na divina peripécia do amor, ainda que de fim de semana. Lembremo-nos que o amor não é feito só de ritos de sal e açúcar, ele também é feito de beliscões. Carpe diem, carpe noctem Papam. O que desejava de fato a moça ? O que perdeu o papa ?

Doença crônica
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Este ano algo mudará o sacrifício das mãos e dos pés ao sincronizar o que puder para esta garganta e essa manta, ou manchar o nome teu e o dos teus parentes e amigos, inclusive o do teu deus, embora isto só se deva fazer pela conduta da pessoa, mas isso é com a Lei. Que Lei ? Eis o mundo de premissas e promessas feitas no sentido de fazer toda gente saltar sobre o impossível teor que até ontem era como um totem e um tabu esticados até onde a vista podia alcançar. O peso dos anos apertam cada vez mais os movimentos, a individualidade de cada novo ano tem de lutar muito para ter algo que o destaque dos anteriores. Bom, ouçamos esta linda cubana solar o violão.

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Fotos e texto: Darlan M Cunha

DANIELA PIASECKI toca LEO BROWER (CUBA, 1946-): Un dia de Noviembre: https://www.youtube.com/watch?v=ft8Pqz9npF0

Nênias, cantigas & ladainhas (Mães e Filhos mundo afora)

MÃE, este ano serei exemplar, bonzinho, ‘bidiente’…

Darlanianas

Ó Senhor do tempo que tudo transmuta e consome, este não servidor vosso tem o nome de Elpídio Zebedeu da Silva, pergunta se alguém nesta aldeia é mais destramelado do que ele, mais sem ânimo, e com íncubos e súcubos em seu encalço, só porque ele não calça o mesmo número de sapatos deles ?

Diga-me, ó potestade, como esconder o incerto ao escrever ao inverso, para que não esteja na boca destes tipos sem jaça ? Azedo está cada vez mais o social, a aldeia sacoleja seus gases e rastilhos prontos para a sua finalidade.

Não tenho amigos e nem companheira, vivo o silêncio, meu entorno é o escárnio diário de analfabetos com aneis graduados num dedo, mas em março deste ano, como diz a canção, eu não farei o que diz a canção, em março vou pro Ceará, eu acho bauxita por lá, ainda não sei onde estarei – como saber ?

e se no meio do ano doarei O positivo, eu também talvez mate alguém este ano ainda, este antigo e ardente desejo meu de desafogar as amígdalas, a pituitária, a glote, os colhões, enfim, um presente enorme à dopamina, que é a sede do prazer, da sensação de bem-estar. É preciso estar atento ao corte no salárido, à seleção inatural das candidatas/os que passarem nos testes.

Relembro dois livros do Umberto Eco: História da Beleza, e História da Feiura.

Senhor, sois uma piada escorregadia como quiabo ou creme facial, mas não há de ser nada, eu vos perdoo tanta ausência, e como estamos em dias de mediano sossego, digo aqui uma passagem bíblica a qual o meu doce de mil faces que é a minha mãe Maria José sempre repete, incentivando os ateus como eu a virar de atitude: Se Deus é por nós, quem pode ser contra nós ?

Mãe é Mãe.

Eis, para acordar esta manhã de janeiro, dentro da qual a suicidade ainda continua sob roncos delírios pesadelos, uma canção do Nelson Cavaquinho.

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Fotos e texto: Darlan M Cunha

NELSON CAVAQUINHO. Juízo Final.: https://www.youtube.com/watch?v=rgcTGJQNNe8 list=PLdrxaNiiA1n5YQ0Zy4cENLS3Dji6xQXrS

? 2020 ?

Fogos de artifício, à minha porta, 2019-2020
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O Povão, chegando
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O Povão, chegando
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Primeira luz do ano
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Café da manhã (sei lá onde isso vai dar…)
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Café “sustança” da manhã (bacalhau desfiado)
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Café da manhã (Alguém aí disse colesterol ?)
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Café da manhã de quem tem Juízo.
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Darlaniana 2020

Do ano que acabou, ainda ficaram comigo algumas dúvidas quanto a como e quanto e por que sempre há tantas distâncias entre o que alguém propõe a si mesmo levar adiante quando um ano novo se apresenta, e o que, lá no final da jornada, nota que foi capaz ou incapaz de cumprir boa parte, senão até mesmo o todo do programado. Talvez, por autoflagelação, pudesse até mesmo classificá-lo entre os anos para serem esquecidos, mas esta não é boa tática, isso porque há-se que levar tudo junto, os erros e toda a excelência dos 365 dias, ou não se aprenderá a distância entre o fundo e a superfície, entre as nuanças da esquerda e os ecos da direita, continuando sem saber com quantos paus se pode fazer uma canoa.

O lugar que eu espero encontrar não o consigo imaginar, não acho como trazê-lo à luz e à cruz dos meus pés e mãos, dos meus dias e noites, e assim ainda não tenho como dormir e sonhar, senão trocar farpas com pesadelos constantes e repetitivos, e a revolta e a impotência andam juntas em casos assim de se imaginar algo intangível, inexistente ou muito bem camuflado. Mas irei fundo (vá também tu), descobrir que mistério é este que nos faz ir em seu encalço, ou, como diz a canção do Milton, que tragédia é essa que cai sobre todos nós ?

Nada sei do ano que começa, dos ritmos que trará, melhor, dos ritmos que os humanos lhe darão, por isso todo cuidado é pouco – sem ser pessimista, cego ou derrotista. Vamos a Maomé e ao Candomblé, à Tierra del Fuego e a Ibirité, de trem ou a pé até pra lá de Bagdá, Inhotim, Djibuti e das sempre temidas terras do Além-Lá. Pouco sei de mim, de razias e de psicologia, da porosidade das palavras, intrigas familiares, da lepra que corrói amizades, sei algo do sal, por enquanto, nada do 2020. Esperançoso, vou ao mercado.

Acabou-se o ano, mas o mundo ainda não.

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Fotos e texto: Darlan M Cunha

CARMEN MIRANDA. E o Mundo não se acabou (autoria de ASSIS VALENTE, 1911-1958. Suicidou-se): https://www.youtube.com/watch?v=5GxA4Elbx80

conexão

Arte by DMC
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Darlanianas

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Sou um baobá – não os ecos de um inconfessável anseio humano.  //  I’m a baobab, not the echoes of an unmistakable human longing.

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De manhã, erva-cidreira ou hortelã, pitanga ou laranja, mate ou banana com mel, ou café com leite e pão com manteiga, paçoca de carne – ou nada, nada. Almoçar asilado ou exilado num canto de bar ou lanchonete, porque é assim que a Mãe-Pressa exige, pois é preciso vender o peixe bailando em cada olho.

Terás muito de teu pai, bem mais de quanto poderás livrar-te.

Há homens bêbados e mulheres iradas, naqueles dias, que sobem em escadas escorregadias e caem; mas em Viena, na Haus der Musik, há escadas que soltam notas musicais, assim que se pisa nelas.

Deus, que criaste a luz, não creias nos homens, eles são astutos e pérfidos, ateus de fundo largo e escuro, simuladores, mestres em disfarces, simbiose, analogias, mímeses, tarados pela música de ricochetes de balas. Erraste, ao criá-los – se é que existes, se é que os criaste.

Dá-me o enredo de Suema, a menina da etnia Yao (ou Ajauas, da Tanzânia) de nove anos, que pagou pela dívida da mãe para com o seu dono, o qual vendeu a menina para um árabe.

Uma gota de suor na ponta do queixo diz muita coisa. Luz ou breu.

I am an oak – not a tattoo.

A son of heresy.

Louco por triagens, vacilou diante da bruxa.

Não cantar para as nuvens, que o eco poderá ser uma chuva negra.

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@2

Greta Thunberg’s Father: “She is happy, but I worry.” CNN, December 30, 2019

“Tenho a impressão de que a vilania está no ar.” – Marieta Severo, atriz – entrevista.

Certo Editor de Genes parece entender que “Esse caminho, nalguma parte do mundo, ou em várias, está sendo estudado.”

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@3

Não farei discurso algum, e nem escreverei Memórias do Ano Tal, dentro do qual fui desinfeliz, saracoteado, morto. Nenhuma promessa de mudar de estilo, tudo em vão, promessas de não comer e nem beber isso e/ou aquilo, de não abrir o bico, nada de aprender a surfar, de meter no couro um amontoado de tattoos, chega de web, de dívidas (Ah, este Impossível nunca me aconteceu, vivo assim, sempre endividado com a Clareza), sem essa de abençoar os governos municipal, estadual e federal – eu mereço acho que mereço tenho certeza que mereço não ser esquecido por esse vil triângulo amoroso de impostos, eu ficaria melhor se compartilhando mil e uma noites e dias com Xerazade, Lady Godiva, Luz del Fuego, Cleópatra, Luizona Quebra Ossos, Betânia das Loucuras, Lucrécia Bórgia, Madame Min e Maga Patalógica…). Nada de choro, cuida-te das alas norte e sul, leste e oeste, cuidado com as lágrimas de crocodilo, vamos ao que interessa: 2020. Depois, me conte.

AQUELE ABRAÇO – COMO DIZ A CANÇÃO.

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Arte e texto: Darlan M Cunha

SIDNEY MILLER. Pois é, pra quê ? : https://www.ouvirmusica.com.br/sidney-miller/

duas águas, um (poema) em dois

impasse
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Pedra sobre pedra restará

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No seio do caminho tinha uma greta

tinha ene pedras num veio do caminho

tinha uma draga

numa curva do caminho tinha uma hidra

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No asseio do caminho tinha uma régua

tinha meia légua o meio do caminho

.

Nunca me recuperei daquele acontecimento

na lida de minhas botinas tão assanhadas

Jamais me esquecerei que no breu do caminho

tinha uma estrela

nos anseios do caminho tinha uma gleba

nova, novo tempo.

>>>

No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha uma pedra
No meio do caminho tinha uma pedra

Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra

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Poemas: Darlan M Cunha (Alusão ao poema do Drummond)

VEJA e OUÇA O PRÓPRIO DRUMMOND FALAR O POEMA:

Carlos Drummond de Andrade (No meio do caminho): https://www.letras.mus.br/carlos-drummond-de-andrade/807509/

Carta à MÃE, 113

Natal da mãe (10), avó (14), bisavó (13) e trisavó (3) MARIA JOSÉ (87 anos).
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Dona MARIA – Luz entre luzes

na carta nº 111, de 13 de abril de 2019, no seu aniversário 87, a primeira frase já é uma pergunta, entre tantas que lhe fiz, faço e farei: O que dizer-lhe, se eu tanto tive e terei para dizer-lhe ? Pois é, o ano está nos seus últimos elos, passos e tropassos, tropeços e quedas, desequilíbrios fortes constam em sua boa e má trajetória, o mundo já não pode conter a sua própria avalancha, o seu soterramento global, sua visão está nublada, e até mesmo sem olhos estamos, de luto, a suicidade não se contenta com nada, não, a aldeia aumenta os próprios sons, livra do cárcere o respeito mútuo, desativa os rescaldos contra o grande incêndio, os preços das mais básicas necessidades não se pode alcançá-los com facilidade, no outro lado da aldeia ninguém sabe de mim, e neste bairro, nesta rua não há quem me deseje bom o dia, e ótimo o sono numa showciedade da qual ele foi banido, ninguém me olha no prédio onde me refugio do apetite roaz da aldeia, em vão, não se conhecem, e já nem eu me reconheço. Desistir é fora de questão.

Falando com a Senhora, não mudo o tratamento para a segunda pessoa do presente do indicativo, ou seja, mudar de lhe para tu. Bom, já que um ano tem 52 semanas, tem 52 domingos – e este é o último de mais uma etapa.

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Filho, nora, netas e bisneta. OHIO, EUA, 2016

Mãinha – joia perene

cada vez mais me lembro do quanto é recomendável que se olhe para o próprio umbigo, esquecendo-se do alheio. Fui ao velório de Marta, que trabalhou durante anos com a senhora, sempre contente, mas o câncer não é contente. Muitas coisas e fatos nos afligem, mas não falemos de percalços, falemos do meu irmão Márcio que após tanto tempo virá ao Brasil em 2020. Também sua neta Fá, e o marido Joaquim, e o casal de bisneta/bisneto Alícia e Anthony. Já estou sentindo o fuzuê, a fuzarca, a lambança nas nuvens, é isso aí, afinaremos as receitas e os instrumentos.

Netas

Mãe – doce de batata doce com coco, cravo e canela e leite de coco

comprei umas coisinhas para a Senhora, que nada me pede, ou nos pede, mas distribui a granel, no atacado e no varejo, tudo o que há nos seus mil e um silos e armazéns de secos e molhados que a Senhora guarda no coração de puro sentimento, até mesmo para quem não é parente ou vizinha/o. E assim vamos ao 2020, já o vejo radiante, e o Povão, enfim, desperto do marasmo, de caminhar nas nuvens, chega de fútilbol & noivelhas, de repetir que não há caminho…

Com netas, bisneta e bisneto

Mãinha – rio limpo e nuvem alva

vou me despedir, mas antes já lhe digo que marquei com Equipe de gente amiga aquela pequena cirurgia para a Senhora, em maio, a pedido da Senhora. Agora, neste domingo em Nova Lima // Rio Acima, vou a outro café, mais tarde, a uma vodka com água de coco e gelo. Ganhei tantos presentes que acho que dá para montar um brechó (linda palavra: Brechó)… hehehe.

Pois é, Dona MARIA… A BONDADE EM PESSOA, “PRODUZIDA” PELAS NETAS.

Beijo e abraço de seu filho quase analfabeto, meio desmiolado, mas bom garoto.

DARLAN

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Fotos e texto: Darlan M Cunha

MERCEDES SOSA. Gracias a la Vida (autora: VIOLETA PARRA, 1917 – 1967, Chile): https://www.youtube.com/watch?v=jgjAOk6BX8g