tanto

O que será, que será, que dá dentro da gente… que não devia ? (Chico Buarque)

@1.

Já respondo a esta indagação, com uma assertiva: há conflitos internos, daí que, entre um dia e outro, fica-se cada vez mais se perguntando o que será ?, por que uma nova dúvida, quando virá de vez a decisão a respeito disso e daquilo ? quanto será a conta psíquica: será maior do que esta, já à mesa vazia, essa conta, posta onde deveria estar o pão, mas onde se vê o Sim, de olhos vazados, e em seu lugar um exemplar de Cão de olhos azuis, do García Márquez, ou O cão sem plumas, do João Cabral, se não O dicionário do Diabo, do Ambrose Bierce ?

Sim, já responderás a esta questão, sentado à beira do caminho, espinhos em cada mão, na cabeça uma coroa, ora, tu também és um cristo, foste pego sutilmente, mas logo depois as coisas mudaram, e hoje és o que és: outro paradigma da nulidade, um poço de dúvidas, um escracho, barco fazendo água, mas tu ainda tens crédito, porque continuas na luta, mesmo se perguntando, como Carlos Drummond se persignou no poema O lutador: Lutar com palavras é a luta mais vã. Entanto lutamos.

MINHA VIDA É ANDAR POR ESTE PAÍS, PRA VER SE UM DIA EU DESCANSO FELIZ… (Luiz Gonzaga e Gonzaguinha)

@2. Tempo de mochileiro // Backpacker’s time

Entendamos, juntos: mochileiro não é bater pernas pura e simplesmente, nada de tentar ir ao paraíso, ao que não existe, tentando, consciente ou inconscientemente, fugir dos dias e das noites sempre as mesmas, mesmos lugares, mesmas caras, odores, sons… não, não é por aí, como se diz, não é por aí. Ser mochileiro verdadeiro, como eu fui, é dar a si a chance de diluir espinhos antigos, ao mesmo tempo em que abre e anota nos novos caminhos, o que a boca dos lugares desconhecidos te disse, o que os novos temperos fizeram com o teu paladar, tiveste de procurar alguém para costurar-te as botas, tiveste de lavar a roupa à beira de um córrego ainda límpido, foste convidado a uma festa (prevenido, sempre levava calça e uma camisa de mangas compridas, para eventualidades, e não apenas camisetas poucas e poucas bermudas, violão, caderno grosso para anotações, lanterna, estojo de pronto-socorro, não havia telefone, ó, entrar noutra cidade e procurar um orelhão era outra história, e a família e os amigos e amigas agradeciam, hehe), entrava-se nalgum entrevero, por dormir nalgum terreno bem ermo, mas cujo dono era ranzinza. Mochileiro, assim como serenata, é sinônimo de extinção. Serenata é só mesmo na cidade do estado do Rio de Janeiro, chamada Conservatória, ela existe, e vive de /da/com a Música este pequeno e tão agradável miolo do prazer. É claro que em Ouro Preto, Mariana, Tiradentes e no mimo de nome Bichinho, e em Diamantina, ainda se ouve alguma serenata.

Guia do Viajante | CONSERVATÓRIA - RJ
A ESTÁTUA EM HOMENAGEM AOS FUNDADORES DO MUSEU DA SERESTA – OS IRMÃOS JOUBERT CORTINES DE FREITAS e JOSÉ BORGES DE FREITAS NETO. (GUIA do VIAJANTE: https://guiadoviajante.com/3392/conservatoria-rj/

Darlan M Cunha: texto e fotos, exceto a de Conservatória, RJ.