então ?

“COM QUE ROUPA ?” (NOEL ROSA)

AULA MAGNA DA DÚVIDA

*

Aonde vai essa vontade tonta, seriedade tanta ?

Para onde, caro, essa cara nada amorfa,

signos de alegria, mistério e, talvez, de mofa ?

Para onde vai esta ânsia de instância veloz,

se não para fora do dia comum e da noite feroz ?

Aonde vais com tanta saudade nos ombros ?

Até onde levarás essa tamanha maldade ?

Para que correr atrás de assentos e ventos,

para votar ou saudar outros tetos sem alentos ?

Ao que irás neste dia de nebulosa porfia,

e a quem irás servir a foice ou a pá da aleivosia ?

Diga, como Satã: Irei mais para dentro de mim.

Diga, como digo eu, e não ao feitio de Salomão,

de César, de Alexandre, do vate de um olho só,

do monge russo ou do maneta de Alcalá de Henares.

Diga e aja como o Visgo ou o Inerente

o Inevitável o Uno o Móvel de Todas as Ânsias:

– Para onde vou nem o Amanhã saberá.

***

Darlan M Cunha

MPB-4. Canto dos Homens.: https://www.youtube.com/watch?v=cJ_RullMXL8

A Lei da Princesa Isabel não passou por aqui… ainda não, parece que não.

Pois é…

@1. Apanágios diversos (Não te percas de todo, não me culpes de nada, só de tudo).DMC

Lembra: Todo dia “ele” faz tudo sempre igual (quase todo dia, sem exageros), lembra que todo dia é dia de viver, você deve rezar pela xepa da feira e dizer que tudo tem melhorado, você merece, Marina, serena Carina, você se pintou, Deus e o Diabo na Terra do Sol, Pois é… pra que ?, eu não sei se vou te amar, amar no tempo do cólera ou da cólera, mas, pra não dizer que não falei de flores, ou cicatrizes, lembra que amigo é pra essas coisas, e que viajar é mais, encontrar a rosa e o espinho, lembra que o mundo é um moinho, Hay Gobierno? Soy contra?, repita: amigo é coisa pra se guardar, o deserto é logo ali o encontro marcado, a casa do atrapalhado Geraldo Viramundo, a conta chegou, e outra, o mundo é um moinho, aí estás sentado à beira do caminho, águas de março ou sol de primavera, Imagine, the fool on the hill, o sol não pode viver perto da lua, canto lunar, vou-me embora pra Pasárgada, lá eu sou amigo do rei, melhor dizer (e cumprir): vou-me embora para dentro de mim.

Jacas

@2. Clareira na noite / deserta procissão / nas portas da Arquidiocese (Fernando Brant & Tavinho Moura)*

Finja que estás na roça, que uma jaqueira convida, mangueiras cheirosas convidam, vacas aqui e ali, bois no bem bom do pasto, céu e estrume, biscoito frito, calma, nada de endoidar antes da hora, que ainda tem o bom suplício de se montar num cavalo, cachoeira é logo ali, convida, celular no lixo, per favore, finja que estás na mataria, no matagal, és de fato animal, o sossego ainda existe, mas só no imaginário, pensar cansa, viver dói, mói, mas, fazer o quê, senão viver ?, ponha o bornal e vá catar flores e gabirobas, volte logo para o almoço de pele de porco estalando, angu, couve rasgada nas mãos, frango ensopado nos caldeirões, batata doce, linguiça, cará com mel de abelha, banana da terra assada na chapa, banana dedo de moça, uma cachacinha para se lamber os beiços e leitoa assada, ora pro nobis, viola, todo mundo descalço, pés no chão batido, licor de jaboticada, Ê Minas, não é hora de partir, não, Calma, ninguém está te mandando embora, ora essa, essa aqui é uma terra hospitaleira, mas, lembra: todo mineiro é conspirador, por favor, mais umas lascas desta perdição de leitoa assada com maçã na boca, sim, estás de fato na roça, olhai os delírios do campo.

Darlan M Cunha

TAVINHO MOURA & FERNANDO BRANT: Beco do Mota: https://www.youtube.com/watch?v=b1WmqPQkwHc

Após a soma de tudo, tudo dar em nada ?

sem hora

Observe o tamanho da fonte, personalize o ter e o haver, com pressa, obter o visto de saída de tal ou tal situação, atente às configurações de cor deste dia, e dos outros, de todos, ou a tua sombra ficará estática no seio da rua, pois é preciso ser mais que um parágrafo, um bloco de carnaval, a vida é minuto, o peito está dolorido ?, tens de saber aonde ir, ora, o fogo não há de esperar, nem o aguaceiro, compare, não podes segurar a urina, note que quem espera nunca alcança, antes de ires ao dia, venha comer algo… há muita fome, viver é ter sede(s).

cinema mudo

A janela do troglodita vai conosco a janela do amigo Urtigão, mas evitemos o labirinto do Minotauro, eis o diabo, na rua, no meio do redemoinho…*(JGR), não mande nada às favas, a não ser os seus próprios passos, porventura tortos; a janela convida, pensar dói, mas não há como escapar, a janela convida.

Darlan M Cunha

focos múltiplos, embaçados / multiple, blurred focus

Estilo de vida, sombra, vício, despertador, Abissínia=Etiópia… (Coffea arabica)

Alucinações cotidianas

O que fazer para se dar luz a um nome, e força a outra ânsia, sono a insones ? Como ir até o fim de uma noção, se nenhuma noção, parece, não pode ter um fim definido ? Por que as perguntas encontram tantos muros, e muitos urros ficam pelo meio do caminho ? Yin e Yang são mesmo as duas faces da mesma moeda ? Acordamos, ou delirantes continuamos ? É… hoje parece que vai chover alegria nalgum lugar do mundo vasto mundo, mas não é certo.

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Daily hallucinations

What can be done to give light to a name, and strength to a yearning, sleep to insomniacs ? How to go to the end of a notion, if no notion, it seems, can have no definite end ? Why do questions meet so many walls, and so many howls stand in the middle of the road ? Are Yin and Yang really the two sides of the same coin ? Have we woken up, or are we still delirious? Yes… today it seems that joy will rain somewhere in the wide world, but it is not certain.

Darlan M Cunha

FAMÍLIA ASSAD canta e toca MILAGRE DOS PEIXES (MILTON). Músico convidado: KEITA OGAWA: https://www.youtube.com/watch?v=ppVU_zC6Qnk

colheita

A pauta dos dias (passeio do Mercado Central de BH, fev 2021)

E porque nenhum dia tem irmão gêmeo, é preciso ir ao novo dia como despreparado, mas não total, porque tens o cabedal dos dias anteriores. Cada dia tem seus próprios acordes em sol ou em ré maior ou menor, vá pegar o sol com a mão, a lua em seu compasso, todo dia é dia de viver, ou ficar dentro do pijama.

Mercado Central de BH

Mercado Central de BELO HORIZONTE – MG. Fundado em 7 de setembro de 1929, tem, hoje, 400 lojas, 2.850 funcionários. Centro de BÊAGÁ). Ao ser fundado, BH tinha 31 anos e cerca de 45 mil habitantes. Hoje, aos 123 anos, tem 3 milhões de habitantes.

Vocês querem bacalhau ?, Chacrinha perguntava, todos os sábados no seu famoso e maluco programa sempre em torno da música. Sim, Chacrinha, queremos bacalhau, pequi, jiló, melancia, umbu, urucum, queijo, sorvete de manga, café, o peixe de nome namorado; queremos quiabo e moranga, goiabada cascão, tacho de cobre e panela de pedra, queijo e doce quebra-queixo ou “puxa”, requeijão, espinafre, alho-poró, bodoque e gaiola de taquara, cheiro verde, suã de boi e suã de porco, cestaria, queremos a difícil, rara iguaria de nome Sossego.

Especiarias

TOLICES de se inventar DIA DISSO e/ou DAQUILO: Dia da MULHER é todo dia.

Darlan M Cunha

imo

Duas fontes de luz // Two sources of light.

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Cheguei antes de minha mãe e de meu pai, sim, sou anterior até a mim mesmo, mas não criei nada, nada me deve sua existência – talvez algumas gotas de dor, de apreensão, se não oceanos de angústia. A canção diz, não diz, desdiz, rediz, e assim também é o poema dentro e fora do queira-não-queira, viver é o que há. Pegue, e não largue estes ossos, estas escamas, este metal incandescente que é o amor (há muitos tipos de amor), o couro que te cubra do frio social. Nasci num dia sem nome e sem sobrenome, dia sem data, cheguei nu, o choro é o nosso primeiro conhecimento, e é só depois que o peito nos dói é que vamos ao primeiro leite – colostro –, e daí então se vai ao primeiro e único sono verdadeiro de toda uma existência por vir. Nasci sem ter nascido, nasci antes do Todo, do Nada, do Algo Consta.  Mãe é Mãe. Olha, está chovendo na roseira.*  

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I came before my mother and father, yes, I am before even myself, but I created nothing, nothing owes me its existence – maybe a few drops of pain, of apprehension, if not oceans of anguish. The song says, doesn’t say, un-says, redictates, and so does a poem in and out of want-not, living is what there is. Take it and don’t let go of this bone, these scales, the leather that covers you from the social cold. I was born on a day with no name and no last name, a day with no date, I arrived naked, crying is our first knowledge, and only after the breast hurts do we go to the first milk – colostrum – and from there to the first and only true sleep of an entire existence to come. I was born without being born, I was born before the All, the Nothingness, the Somethingness. Mother is Mother. Look, it’s raining on the rosebush. *

Darlan M Cunha

*: A última frase desse texto é um verso que está em Chovendo na roseira, de TOM JOBIM. **: Tradução feita com DeepL.com

Yo-Yo Ma toca o Prelúdio da Suíte nº 1 para violoncelo, de Johann Sebastian Bach: https://www.youtube.com/watch?v=q2ZHjSA8mkY