bichos

Pesadelo >>> Nightmare

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De pesadelo em pesadelo

Os bichos estavam arredios, agitados e desconfiados do que se aproximava, grande demais para que fosse notado de onde vinha ou o que era, mas os bichos têm dentro de si uma percepção extra a que chamamos de sexto sentido que parece avariado nos humanos. Foi o que se deu com o Grande Tsunami: dias antes, a terra tremia bem de leve, e os bichos começaram a ir-se de seus lugares, trilhas, tocas, nichos e ninhos, e ninguém atentou a isso, nenhum dos 250 mil mortos em minutos. Dias antes, os elefantes, amarrados a correntes, estavam indóceis, e se foram arrebentando tudo. Nenhum elefante morreu. É um fato constatado pelos sobreviventes. Ao longe o mar – repetindo aqui este famoso e delicado verso. Há 14 meses temos algo que a todos sufoca (sufocar significa falta de ar, digamos aos esquecidos), mas muitos ainda teimam em convidá-lo à casa, à mesa, à cama, à maca. Bom, o café está esfriando.

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From nightmare to nightmare

The animals were restless, agitated, and suspicious of what was approaching, too big to notice where it was coming from or what it was, but animals have within themselves an extra perception that we call a sixth sense that seems broken in humans. This is what happened with the Great Tsunami: days before, the earth shook very lightly, and the animals started to leave their places, trails, burrows, nests, and nests, and nobody paid attention to it, none of the 250,000 dead in minutes. Days before, the elephants, tied up in chains, were unmoved, and they went about tearing everything apart. No elephant died. This is a fact verified by the survivors. In the distance the sea – repeating here this famous and delicate verse. For 14 months we have had something that suffocates everyone (suffocating means shortness of breath, let’s tell the forgetful), but many still insist on inviting it to the house, to the table, to the bed, to the stretcher. Well, the coffee is getting cold.

Darlan M Cunha

não é hora de rir, 3

E agora, Paciente ?

Quem com ferro fere, com ferro será ferido – antigo ditado popular, do qual me lembrei, ontem, ao ouvir a muito respeitada Dra. cardiologista Ludhmila Abrahão Ajjar, que disse esta frase amargamente real, sutil, a qual eu vi escrita na tela de um canal de televisão: “O cenário é bastante sombrio… O Brasil vai chegar em 500, 600 mil mortes...” //

He who wounds with iron will be wounded with iron – an old popular saying, which I remembered yesterday, listening to the well-respected cardiologist Dr. Ludhmila Abrahão Ajjar, who said this bitterly real, subtle sentence, which I saw written on the screen of a television channel: “The scenario is quite gloomy… Brazil will reach 500, 600 thousand deaths

Faz tempo que digo a mesma coisa desta mesma amargura que parece uma tragédia sem fim, uma patologia mais do que gigantesca, um assombro que, por incrível que pareça, para muitas pessoas quase não existe, é um cisco ou mesmo uma lenda. Mas digo também que é o único democrata que de fato existe, e ele está aqui à porta, esse tormento não respeita profissões, hierarquias, contas bancárias e nem idades. É democrático. Ele é o Cara. Neste jogo temos que ser desleais para com o adversário: temos de jogar com 12 em campo, contra os 11 regulamentares do adversário. Nada de dormir. Meu falecido pai, funcionário do IBGE durante quase 40 anos, dizia que a partir de certa idade a gente não faz aniversário, e sim adversário. Nada de dormir, iremos bem.

For a long time I have been saying the same thing about this same bitterness that seems like an endless tragedy, a pathology more than gigantic, a haunting that, incredible as it may seem, for many people almost doesn’t exist, it is a speck or even a legend. But I also say that it is the only democrat that actually exists, and it is here at the door, this tormentor is no respecter of professions, hierarchies, bank accounts or even ages. He is democratic. He is the Guy. In this game we have to be disloyal to the opponent: we have to play with 12 on the field, against the opponent’s regulation 11. No sleeping. My late father, an IBGE employee for almost 40 years, used to say that after a certain age we don’t have a birthday, but an adversary. No sleeping, we will be fine.

DeepL.com/Translator

@1.

Bom, vamos à leveza, porque ela está chamando, chorando. Vamos ao pão de cada dia, fatia por fatia. // Well, let’s go to lightness, because it is calling, crying. Let’s go to our daily bread, slice by slice.

As roscas foram feitas aqui em casa. Minha mãe, Dona MARIA JOSÉ, cuidou disso, com uma pequena ajuda do aprendiz.

Darlan M Cunha

doce de requeijão & outras frequências

É um doce inigualável, poucos conhecem o que ele faz com os labirintos das sinapses cerebrais, com o palato, a língua, o estômago e por fim com o humor das vítimas…

@1.

Um bom requeijão é difícil de ser encontrado, mas ainda há, e isso é fundamental, e então nada de requeijão esfarinhento, ressecado, este é um ponto base. Algo do peso: um quilo. Então, ralar o requeijão num ralo fino, misturando com duas colheres de farinha de trigo (sem miséria nas colheradas, ora) e um ovo (clara e gema), ir amassando como se fosse massa de biscoito, para dar certa liga, sem untar as mãos (que o óleo é do próprio requeijão). Faça as bolinhas, e numa panela forte e larga, vá preparando a calda de açúcar com cravos e, caso queiras, um pedaço de pau de canela, e a partir daí colocar cuidadosamente as bolinhas na calda bem quente. Quando no ponto, deixe-a esfriar, pode-se inclusive colocar na geladeira. Este é um doce que é ou era comum no norte de Minas Gerais – Vale do Jequitinhonha. Este foi preparado aqui em casa, em BH. Criminosamente delicioso, muito cuidado com a dependência, quem avisa amigo é. Minhas avós, já falecidas, e minha mãe, toda serelepe aos quase 89, e eu, um aprendiz relapso, garantimos a tua escravidão a esse doce.

@2.

O presidente da República está brincando com fogo, ele, que serviu no Exército, entende de outro tipo de fogo, se é que. Seu fim político não será nada bom para ele, o Brasil não sentirá nenhuma falta de tanto despreparo, de tanto analfabetismo social, analfabetismo no que tange a se ter uma visão sociológica abrangente (sim, de fato, é para poucos). O país, em que pese ter muita gente desleixada, não sentirá falta nenhuma.

As notícias: como decifrá-las, traduzi-las, tê-las na conta das próprias mãos ? “É pau, é pedra…” diz a canção Águas de Março.

@3.

UM CONCEITO DO GRANDE BRASILEIRO QUE FOI O ENGENHEIRO E PRESIDENTE DO GRUPO VOTORANTIM, O Dr. ANTÔNIO ERMÍRIO DE MORAES, (1928-2014), DE UMA HONRADEZ À TODA PROVA: “Teoria não é a solução para os problemas sociais do Brasil. O que se precisa fazer é arregaçar as mangas, melhorar a administração das verbas e aplicá-las diretamente onde a questão é urgente.” (Antônio Ermírio de Moraes (1928-2014), engenheiro, filho do também engenheiro e fundador da VOTORANTIM, José Ermírio de Moraes. Antônio Ermírio o sucedeu na direção da Empresa).

@4.

Passagem comprada, resta esperar a madrugada, sem se desesperar dentro dela (são 03:22h), indo à casa sem número, nua de tiques e taques. Isso aqui é muito triste, ficou assim um clima bem macambúzio, ácida a correnteza, nenhum livro na cabeça, nas esquinas das aldeias parece que o que há é a réplica bilimultiplicada da tela O Grito, do norueguês Edvard Munch (1863-1944), quando não a reiterada, sutil e tão profunda solidão nas telas do estadunidense Edward Hopper (1882-1967), bem como no ar de incerteza de Os Ciclistas, do gaúcho Iberê Camargo (1914-1994), e, por fim, a tensão na música Água e Vinho, de Egberto Gismonti e Geraldo Carneiro.

Estrogonofre de frango

@5.

Às vezes, lembro-me dos que se foram, amigos e amigas de fato, e uma lassidão poderosa instala-se por tempo indeterminado, ou mesmo até que eu os expulse a todos e todas, mandando eles e elas às favas, ó, não mais me interrompam o coçar dos dedões dos pés, sim e sim, uma verdadeira amizade – o povão diz isto -, costuma ser mais forte e duradoura do que o famigerado sentimento de amor, sendo que um dos dois, ou ambos, deve(m) carregar o peso e a leveza do tempo de verbo grego (tempo indeterminado), antigas palavras oaristo e aoristo.

@6.

Amanhã, levarei minha Mãe para a segunda dose da anti COVID-19. Desejo que todas as Mães tenham este real conforto, este alívio, essa boa prescrição rumo ao sossego delas e deles que são o Esteio familiar: vovós e vovôs.

bairro Buritis, BELO HORIZONTE, MG

Darlan M Cunha

Março: lei marcial ou [nº 1]

OU CONTINUAR (esta enfermeira, muito gentil e dentro da Lei, permitiu a foto ao vacinar a minha Mãe – algo geral)
OU FICAR NA ENCRUZILHADA

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SE NÃO COM A VIROLOGIA DO DIABO ?

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CÓDEX GIGAS // A BÍBLIA DO DIABO (Escrito na Idade Média, Autor Desconhecido)

CÓDEX GIGAS   // A BÍBLIA DO DIABO

Este calhamaço está em exibição na Biblioteca Nacional da Suécia, em Estocolmo. Uma de suas ilustrações, mostrando o Diabo, tornou-se irresistível através dos séculos ao nosso imaginário. Escrito na Idade Média. Ele tem 610 páginas, mede 89 cm de altura, 49 cm  de largura, pesa 71 (75 ?) quilos, todas as páginas são pergaminhos feitos de pele de bezerros – pelo que estima-se que foram necessárias as peles de 160 bezerrinhos para fazer este livro, num espaço mínimo de cinco anos, todos os dias e noites, à luz de velas, sem essa mordomia nossa de luz elétrica a qual só apareceria uns mil anos depois. Essa beleza, este esforço monumental tem metal na capa e na contracapa. Foi escrito provavelmente nalgum mosteiro de onde hoje é a República Checa, e é mesmo, sem favor, coisa de outro mundo, de gente, do diabo. Instrutiva leitura, aprendizado de não se esquecer.

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ROUPAGEM, GÊNERO DE PRIMEIRA NECESSIDADE.

Fale, quem saiba. Ontem, no Mercado Central de BÊAGÁ, ouviu-se que “Será preciso decretar lei marcial para que tantos e tantas se toquem ? Se as mães destas pessoas precisarem de leito ou de maca, elas se lembrarão de algo. Tarde demais ?” Estas considerações duríssimas, com 101% de razões de serem ditas e cobradas, ouvidas neste domingo 28. Março já está aqui com cara de bons e também de poucos amigos. Escolher.

@2. O ALICIANTE

O Diabo no meio do redemoinho – lá está, bem assente no assombroso livro Grande Sertão: Veredas, do médico e diplomata João Guimarães Rosa. A minha avó materna Senhorinha Maria de Jesus mãe do meu pai Elviro dizia que o Diabo planta floras e jardins de grande beleza sim meu neto predileto – ela me dizia – o Diabo tem mil mais mil milhões de truques e com eles engaloba os gulosos e as apressadas e pega os incontáveis egoístas e preguiçosos, sim, pode acreditar na sua avó aqui no meio da fazenda em Pedra Azul onde o Demo já quis entrar aqui o próprio Belzebu em pessoa mas encontrou chicotes e rezas brabas e mil e um excomungos em cada mourão da cerca e água benta e baldes e mais baldes de cruzinhas de madeira misturados com caca de gato e rabo de tatu, bem picado e cachaça com ranço de mulher velha e limão-capeta [o Mal contra o Mal], e foi um fuzuê foi sim um furdunço um estropício e um estrupício e palavrões para o Tinhoso bambear sim pro Pemba desmaiar e a gente cair de solfejo para cima do Dito Cujo Infernoso e tenebroso foi aquele dia que escurou e escurou de vez sem dar um tempo nem de ir no mato fazer necessidades – qui u quê ! – foi um frege ó meu neto mais velho Darlan desmiolado você é, ó mas fazer o quê, aprende então a lição: o Diabo é cheio de truques, e se embeiça logo com o mulherio, mas é de bom alvitre dizer que a recíproca é verdadeira, nem sempre, mas é, sim o Capeta veve tocando viola, ele canta uma musga muito perigosa que tem o refrão assim: “Tem, mas acabô.”. Muito cuidado com essa musga do Pé Torto. Por falar nisso, entre outras perdição, você toca violão, meu neto desmiolado ? Não, Vó, eu até ia aprender, mas é difícil, e eu desisti. Vou ser só, e só humano…

Darlan M Cunha

Bisavó e bisneta espantando o Caos

Falar o que… Amadas e Caros ?

MENSAGEM ao PEQUENO GRANDE SENHOR

@1. Distúrbios rueiros

Quantos nervos explodem, quantos impropérios são ditos em cada um dos 1440 minutos de todos os dias em aldeias como o Rio de Janeiro, Nova Iorque, Jerusalém, Beijing, Mumbai, Buenos Aires, Cidade do México, Lagos, Cidade do Cabo e nas minúsculas aldeias do mundo ? Porém, uma vez que se tenha de ir às ruas, o mínimo seja evitar jogar dados com o medo, onde os enganados morrem sem nome, sobrenome, telefone.

@2. Senhor Pequeno Gigante

É preciso que se diga bem alto que a estrutura social está vergada para muito além do suportável, algo assim feito um pequeno barco num mar em noite de Satã, breu de piche, siameses comendo um ao outro, pelo que logo se vê o peso da tua intromissão nos cotidianos do Mundo, Senhor de Sutilezas Vis e da Imantação Generalizada.

Ainda não há ponto final à vista, embora o esforço contínuo de 25, sim, 25 horas por dia em busca do néctar que apazigue os corações e as mentes no Planeta de Eixo Inclinado. Os políticos, em seu Areópago, sua Ágora, sua Praça, no alto e no baixo clero, contam desmedidas ações, até mesmo o benfazejo erotismo já levado por caminhos estranhos, ao que se sabe. Eis o homem já sem nome e sobrenome, um homem sem qualidades, conforme o título de um livro.

Pequeno Senhor Gigante

devastar é o teu único verbo, é de avivar câmeras dentro deste túnel pavoroso onde a falta de ar é o que há, onde os brônquios gritam para eles mesmos, verbo preferencial ao portador e afins é o que esse verbo é, e não me desculpe por essa dura intimidade fincada aqui, são coisas da vida, diz o povo, o mesmo povo que está sob cutelo, garrote vil, pau-de-arara, enfim, posto a ferros, sob o suplício muito destruidor da insônia, taquicardia, o SNC avariado, prejuízos de todos os calões ou para todos os jargões, alguns que a Bolsa de Valores sequer desconfiava, suicídios, mas sempre há os obesos, a lei das ofertas tingidas de gold, tintas de blood.

Senhor Pequeno Gigante

a nós – 8 bilhões – não nos interessa de onde vieste sob esta nomenclatura que é a sinonímia mais completa de devastação, e já penso no ano de 1666, entre outros do mesmo negrume, lembro-me aqui e agora da canção os ratos soltos na praça // os ratos mortos na praça. O caos e a breve arquitetura do choro, poema com muito ar.

Pequeno Senhor Gigante

tua mala está pronta, o caminho todo embandeirado até a porta das aldeias com fogos de armistício para a tua partida, porém, os laboratórios ainda ferverão por um longo tempo. Nenhuma dúvida sobre as agulhadas por virem, eis toda a Humanidade de joelhos, tudo isso nos fala fundo, e mais me lembra O Dicionário do Diabo – o livro do Bierce.

Darlan M Cunha

enquanto Marte…, 1

SOM NA CAIXA

Observação satírica, clara e feroz, ouvida ontem no famoso Mercado Central de Belo Horizonte: “Pois é, já estamos em Marte com o fim precípuo de tentar fabricar oxigênio. Tudo bem. Minha sobrinha faleceu sem ar, e mais não direi, porque todos e todas já sabem de que.”

Som na caixa ! é o brado retumbante de um povo heroico. Enquanto Marte não é real, som na caixa, cuidados redobrados com a saúde, e com a saúde do bolso, raro padrão de bem viver é o bolso, raro tesão, nada de bom ronda o povão já sem ânimo para quase nada, farol baixo, macambúzia está a massa popular, nada de frege no carneval e na semana santa, o povo está quase de todo mudado, mas não lhe dê corda, senão, verás que ele continua o mesmo, sem juízo. Som na caixa, toque aí Na Baixa do Sapateiro (Ary Barroso), depois, roda aí Ai, que Saudades da Amélia (Ataulfo Alves / Mário Lago), vamos nessa, enfim, construir algo com a incrível letra da música Cidadão (Lúcio Barbosa); depois, umas águas de março virão bem, enquanto Marte não vem… Este rádio-vitrola na foto está na casa da minha falecida irmã Telma, e funciona. Som na Caixa !

Dois palmos à frente do nariz. / Quando se dá um passo rumo à sua compreensão, / a perfeição dá dois passos à frente / quando se dá um passo rumo a ela.

Darlan M Cunha

ZÉ GERALDO canta CIDADÃO (Lúcio Barbosa): https://www.youtube.com/watch?v=cCnr8bpe6hI