A insustentável leveza (peso) de ser

O AR EM SEU ESTADO NATURAL – Textos sobre letras do CLUBE DA ESQUINA,

ANDA, UMMA, MÍNIMOS CONTOS ORDINÁRIOS, ESBOÇOS E REVESES: O SILÊNCIO

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     Deixe para atrás toda esperança todo aquele que por essa porta passar. Esta advertência terrível está na Divina Comédia, de Dante Alighieri, e eu, que não creio em castigos celestiais e infernais, não queria não quero não quererei estar na pele de quem atravessou o portal do inferno, se não por nada, é que já houve quem disse que o inferno somos nós (Jean-Paul Sartre).

     Bom, voltanto para Gea – Terra -, ao cotidiano de ralações, danações, mandingas, risos e riscos, amanhã, para a estreia do Brasil na Rússia, prepararei arroz vermelho, qual seja, com urucum (Bixa orellana) legítimo, e não o coloral que se compra em todo lugar; também uma salada de milho verde, palmito, almeirão, alface crespa, tomate-cereja, azeite, limão capeta. Piramutaba ou surubim, de cujo caldo farei pirão, e batatas cozidas inteiras. Bom, o santo pede, e a vodka com água de coco fará presença. Sem esnobismo, digo, porque essa atitude não faz minha cabeça, não é para mim, mas de vez em quando a gente pode e deve sair dos trilhos, como diz a minha vizinha Anísia, a bela.

     Quanto aos livros mostrados aí acima, foi uma luta insana, mas agradável. Meu novo livro está quase pronto. Depois, vem a insônia para encontrar Editora, conversar sobre prazos, preço, mais insônia… hehe… Tenho mais o que fazer do que escrever livros, mas se não o fizer, O GRANDE VAZIO me pega.

 

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Fotos e texto: DARLAN M CUNHA

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Guerreiras F e Guerreiros 9

Exército Branco

Exército Branco

 

     Hoje, domingo 3, por volta das 10 h, eu estava colocando textos em ordem, totalmente ligado no assunto, quando, de repente, saltei da cadeira e corri até a janela para ver que diabo de alvoroço era aquele que enchia as varandas e janelas dos apartamentos… e eis que vejo e ouço essa maravilha de Banda, com adultos, jovens e crianças. Fui para o céu, logo eu. Sim, gente boa, hoje eu vi a Banda passar.

Foto e texto: Darlan M Cunha

Guerreiros C

Pedro, no quarto maior

Pedro, pedreiro (sem esperar o trem), e o Pêndulo de Foucault

 

     Poeira, vestígios de sua presença, de sua irritante persistência, mas são os ossos do ofício que um pedreiro assume todo dia, mas ele não deixa de sonhar com uma banheira, embora nada o toque mais do que estar na escada ou espremido entre um vão e o perigo, o pincel, a broxa e o prumo não podem tremer, e no chuveiro é preciso ter atenção, o choque não brinca, e assim o sábio desliga a chave geral, por bem ou por mal, voltar para casa é o ideal de Pedro

     pedreiro, mas pode me chamar como quiser, nunca de Nada À Esquerda, tenho brios, caráter retilíneo, Pedro, nada tenho de João Teimoso, aquele boneco indo pra lá e pra cá, como o pêndulo de um relógio ou, por exemplo, o pêndulo do cientista Foucault.

     Meu amanhã é sempre feito de ligas, batidas (poeira sutil) e medidas, mas a obra toma corpo, e alguns passantes param diante da obra que se abre em leque para a rua, sim, em breve eles e elas terão vizinhança nova.

 

Foto e texto: Darlan M Cunha

 

Guerreiros 3

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Guerreiros: “Em nome do Rei e de Deus.”

 

     Longe de se tornar apêndice (removível) nos dias de hoje vemos a câmera fotográfica tornar-se algo assim parte da fisiologia e do psiquismo, pois é preciso dar um clique sobre qualquer coisa, viver a solidão, a impertinência, a alegria, a ilusão de um clique, cimentar o ego vacilante por trás do foco. Gentilmente, avisam: Você pode estar sendo filmado.

Foto e texto: Darlan M Cunha

Guerreiros 1

GUERREIROS 1

GUERREIRO JAPONÊS – da Exposição Guerreiros – BH Shopping, março 2015

 

    Num domingo qualquer, qualquer hora (10h), fui a um mall ou shopping, o que não é de mim, mas estava perto, era hora de abertura, e no último andar daquela arquitetura, estava uma das melhores exposições a que se pode desejar ver em pessoa – a exposição GUERREIROS, viajando de capital em capital, internacional. Era o último dia, e eu que moro no bairro ao lado não sabia dela, de modo que quando me lembro disso eu fico entre o espanto e o riso. O azar existe, e assim a sua contrapartida.

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À reiniciação do fogo na aldeia fique-se atento
sob pena de ter sobre si lascas de mármore
e sopros com vidro e corte, ciência de morte
de pé à tua porta, como um aviso
de que os brasões, a heráldica com a sua velha prática
deixou as paredes das salas e corredores
e já mostra ser a mesma. 

Foto e texto: Darlan M Cunha

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Minas Gerais – by Múcio Matos Cunha. Pintor, desenhista de moda. BH, MG (1957-87)

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       Essa tela está completando 40 anos, pintada por um dos meus irmãos, falecido no mar em Nova Almeida, ES. Ela dá uma boa ideia das cidades históricas não só de Minas, como também da Bahia, do Rio de Janeiro, de Goiás, etc. Mudei móveis, telas e livros de lugar, e ontem eu a estava observando, quando me dei conta do ano em que foi pintada, e lá está, no canto inferior direito: Múcio – 77. A vida é minuto. De novo, repito Niemeyer. Ele tinha cerca de vinte anos ao pintá-la. E de novo a arte ficou.

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foto e texto: Darlan M Cunha

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Mercado 1

Mercado Central de Belo Horizonte (1929), MG, Brasil

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     Um dos livros através dos quais iniciei o aprendizado do idioma russo (33 letras) foi o da professora Nina Potapova, isso há décadas, numa representação cultural da Rússia, em BH, que ficava no edifício Rembrandt, na Rua São Paulo, região central. Lembro-me de ter ganho um relógio, num concurso feito pela modesta mas diligente instituição, e de tê-lo dado de presente à minha irmã Telma. O tempo fez o que sabe fazer, condenado a si mesmo, o espaço contraiu-se, para uns tantos, expandiu-se para o quase nenhum, mas eu continuo, o idioma russo continua (cinco ou seis idiomas sobreviverão), tu continuas, e enquanto não se descasca de todo a trama mundial, vamos ao mercado, ao lugar onde, segundo o poema do Bertolt Brecht:

Para ganhar o pão, cada manhã

vou ao mercado onde se compram mentiras.

Cheio de esperança

ponho-me na fila dos vendedores.

(BERTOLT BRECHT. Antologia Poética. Poema “Hollywood”)

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foto e crônica: Darlan M Cunha

Onde os queijos não marcam ponto

Mercado 4

Mercado Central de Belo Horizonte

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     Fui ao mercado comprar geléia de mocotó, pimentas variadas (tem até indianas, mais quentes do que a mansão de Belzebu), farinha de rosca, cachaça, queijo canastra de São Roque de Minas (compro também de outras cidades), e camisetas com motivos mineiros.

     Feito isso, fui ao Bar do Mané Doido – quase tão famoso quanto o próprio mercado no qual atende – e, entre umas e outras, petiscos preparados na hora, ouvi uma palavra que havia muito tempo eu não a ouvia. Sururucar tanto significa peneirar grãos, quanto rebolar, menear, saracotear, gingar. Pois é. Imediatamente, lembrei-me de uma palavra semelhante, que não consta do dicionário (não encontrei), mas ela está no livro Maíra, de Darcy Ribeiro, e a palavra é sururucucar, se não me falha a memória.

    Aí, entre outras e umas, risos, petiscos & lambiscos, palavras amontoaram-se em torno da mesa e, sem pedirem licença, entoaram sua voz, e ouvimos abisntestado mocorongo gusano nédio absconso carraspana edil bacabal estróina tinhoso cerúleo abespinhado abio sacripanta sastre sacarrão poltrão estrupício e estropício miasma ningres-ningres nênia calipígia… até que um alarido ecoou e me alertaram quanto à esposa-que-não-tenho me chamando em altos brados pelos corredores cheios de sons, cores e odores, e ela (presumo) com vestido de chita, rodado, rolinhos na cabeça, olhos injetados, varizes e sabe lá o diabo o que mais. Escapei de boa, por pouco, como se diz em latim: Paucas sed bonas.

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foto e crônica: Darlan M Cunha

O Diabo no meio do redemoinho (JGR)

O capcioso

O Cara – ícone, totem, tabu, libido, ator, pastor, ídolo das multidões

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     Lembrei-me de um dito popular que eu ouvia, quando criança: “O capeta atenta, e a faca entra”. Pois é, de cansaço em cansaço a despensa se enche, é preciso usar o acervo, os ingredientes, antes que nos esqueçamos deles de modo total, ou que tomem conta de nós, por tê-los inalado durante tanto tempo, visto suas formas, sentido suas nuanças, é verdade, a gente acumula um sem-fim de experiências, umas se sobrepõem a outras, e moldam de maneira mais incisiva o nosso caráter, junto com as outras – as perdedoras, por assim dizer, mas que ficam atuando em segundo plano.

II

PENSAR, DIZER:

– “Como eu poderia comer, se não cantasse ?”

Uma senhora centenária, de Zanzibar (Somewhere on Earth // Algum lugar na Terra, documentário no canal Mais, 44)

– “A poesia é uma coisa sensorial, compreende ?

João Cabral de Melo Neto, numa entrevista.

– “Sou um homem realizado: tenho certeza de que vou morrer.”

Esperidião Abílio de Souza Melo (vizinho)

 

Imagem> internet     >>>>>     Texto: Darlan M Cunha

enteus & ateus – 2

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Fluxos orientais, gerais (desde quando aprendemos a domesticar ?)

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     Meu nome é Kaldi, sou homem modesto, que a nada mais aspira do que ver meu rebanho bem sadio, e a bem servir ao senhor, melhor digo, senhora – a água, tão escassa neste areal imenso. Água é lei severa, é trunfo, butim de guerra.

     Meu nome é Kaldi, e já faz um bom tempo, mais de mil anos, que o mundo diz que fui o primeiro a me espantar, no século nove D.C., com a vivacidade do meu rebanho de cabras, aqui na Abissínia, que hoje se chama Etiópia, ao perceber seu gosto por uma planta de nome café, cujo origem está na localidade de Kaffa – mas o nome café foi espalhado pelos da Arábia (Coffee arabica), e vem do nome árabe para o vinho: kahwa.

     Bons goles, ó filhos e filhas dos computadores. Vocês foram mais longe, ao aprender a domesticar, selvagizar, escravizar homens. Pensando bem, isto é antigo, muito antigo, é de antes do meu tempo, de todos os tempos – genético. Mas, se mudarem este GENE, o da posse, tudo estará acabado, fadado ao mesmismo. Será ? Tudo é antigo, apenas ‘reciclado e renomeado’, de modo que os bites sempre estiveram por aí, zanzando.

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Texto: Darlan M Cunha

Foto: MJMC  //  Nancy