Onde os queijos não marcam ponto

Mercado 4

Mercado Central de Belo Horizonte

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     Fui ao mercado comprar geléia de mocotó, pimentas variadas (tem até indianas, mais quentes do que a mansão de Belzebu), farinha de rosca, cachaça, queijo canastra de São Roque de Minas (compro também de outras cidades), e camisetas com motivos mineiros.

     Feito isso, fui ao Bar do Mané Doido – quase tão famoso quanto o próprio mercado no qual atende – e, entre umas e outras, petiscos preparados na hora, ouvi uma palavra que havia muito tempo eu não a ouvia. Sururucar tanto significa peneirar grãos, quanto rebolar, menear, saracotear, gingar. Pois é. Imediatamente, lembrei-me de uma palavra semelhante, que não consta do dicionário (não encontrei), mas ela está no livro Maíra, de Darcy Ribeiro, e a palavra é sururucucar, se não me falha a memória.

    Aí, entre outras e umas, risos, petiscos & lambiscos, palavras amontoaram-se em torno da mesa e, sem pedirem licença, entoaram sua voz, e ouvimos abisntestado mocorongo gusano nédio absconso carraspana edil bacabal estróina tinhoso cerúleo abespinhado abio sacripanta sastre sacarrão poltrão estrupício e estropício miasma ningres-ningres nênia calipígia… até que um alarido ecoou e me alertaram quanto à esposa-que-não-tenho me chamando em altos brados pelos corredores cheios de sons, cores e odores, e ela (presumo) com vestido de chita, rodado, rolinhos na cabeça, olhos injetados, varizes e sabe lá o diabo o que mais. Escapei de boa, por pouco, como se diz em latim: Paucas sed bonas.

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foto e crônica: Darlan M Cunha

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