Diógenes (Grécia), O Cínico // Diogenes the Cynic (Greece)/

Sem Mãe, sem Água e sem Luz não há e nem haverá nada. (DMC)

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Revendo essa foto que eu fiz deste lampião aqui em casa, lembrei-me do grande filósofo grego chamado DIÓGENES, O CÍNICO, que viveu na mesma época de outros mestres da Antiga Grécia (412 a.C. – 323 a.C.), que morava num imenso tonel na entrada de ATENAS, e um cachorro vira-latas. Um dia, ele pegou a lanterna de azeite, lamparina, em pleno dia, e a população não entendeu, e lhe perguntou: “Mestre, o que há ?” – Estou procurando um homem honesto em Atenas.”

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Reviewing this photo I took of this lantern here at home, I remembered the great Greek philosopher, called Diogens, the Scythian, who lived at the same time as other masters of Ancient Greece (412 BC – 323 BC), who lived in a huge vat at the entrance of Athens, and a mongrel dog. One day, he took out his oil lantern, lamplight, in broad daylight, and the people didn’t understand, and asked him, “Master, what is it?” – I am looking for an honest man in Athens.”

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Pois é: levem isso para BRASÍLIA.

Darlan M Cunha

estudar / study

ESCOLA

Li milhares de livros, desde que nasci – nasci com livro nas mãos. Entendo idiomas (russo, alemão, inglês, espanhol), converso com branco, preto, colegas de profissão, engenheiras, arquitetas, pedreiros, prostitutas, ex presidiárias, funcionárias públicas, músicos, publiquei vários livros – em papel, – e sei que quanto mais a gente sabe, mais modesto fica. Gosto muito de tocar meus dois instrumentos, e também de cozinhar. Pois é, num país poderoso como é o Brasil, as pessoas costumam ter um, dois, três carros na garagem – mas não tem nem um livro dentro de casa.

Pois é: Todos os homens e todas as mulheres do mundo são bem recebidas/os aqui.

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I have read thousands of books since I was born – I was born with a book in my hands. I understand languages (Russian, German, English, Spanish), I talk to white people, black people, professional colleagues, engineers, architects, bricklayers, prostitutes, ex-convicts, public servants, musicians, I have published several books – in print – and I know that the more one knows, the more modest one becomes. I love to play my two instruments, and also to cook. Yes, in a powerful country like Brazil, people usually have one, two, three cars in their garage – but not one book in the house.

Mas todos do mundo inteiro são bem vindos aqui, no quinto maior país do planeta.

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Darlan M Cunha

doce lembrança // sweet memory

ELVIRO FERREIRA CUNHA, mestre em ESTATÍSTICA, pelo IBGE – meu pai (1922/2012)

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BREVES PALAVRAS

Meu pai era um homem calado, simples, gostava muito de ler, nunca o vimos nem ouvimos levantar a voz para a nossa Mãe Maria José, 63 anos de casados. Hoje, 26 de agosto 2021, já se vão nove anos do seu falecimento. Trabalhou a vida inteira no INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. Alzheimer.

My father was a quiet, simple man, he loved to read, we never saw or heard him raise his voice to our Mother Mary Joseph, 63 years of marriage. Today, August 26, 2021, it will be nine years since his passing. He worked all his life at the BRAZILIAN INSTITUTE OF GEOGRAPHY AND STATISTICS – IBGE. Alzheimer’s.

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OUTRAS PALAVRAS

Uma grande amiga minha, Ana M., jovem doçura, e um bom humor maravilhoso, médica pediatra, me disse que uma garotinha de cinco anos foi consultar-se com ela – evidentemente acompanhada dos pais, ambos engenheiros, e que depois da consulta e da prescrição, etc, a garotinha agradeceu, e os pais também, e ela falou assim: “Doutora, eu quando é grande, eu vai ser médica, eu e o meu irmãozinho, a gente vai ajudar todo mundo.”

IN OTHER WORDS

A good friend of mine, Ana M., a sweet young woman with a wonderful good humor, a pediatrician, told me that a five year old girl went to see her, accompanied by her parents, both engineers, and that after the consultation and the prescription, etc., the girl thanked her, and so did her parents, and she said: “Doctor, when I grow up, I’m going to be a doctor, me and my little brother, we’re going to help everyone.

Darlan M Cunha: foto e texto

povão / The People

Mercado Central de BELO HORIZONTE, MG, no aniversário, com uma banda de músicos mandando bala, e o POVÃO junto.

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Gosto das feiras de rua – semanais -, e também dos mercados, onde você encontra gente de todo jeito, comprando umas coisinhas aqui e ali, conferindo preços, os trocadinhos que levou, pechinchando com educação – o que é correto -, e por aí vai a maratona alegre, o Povão sempre ali, rindo, e queixando-se dos preços – NÃO NECESSARIAMENTE DOS COMERCIANTES QUE, CADA VEZ MAIS, COMPRAM MAIS CARO, E DAS AGRICULTORAS (sim, no feminino) QUE CADA VEZ MAIS PLANTAM MAIS CARO, DEVIDO A INSUMOS E ETC – mas vamos que vamos, e por aí vai a festa que é a gente ir ao Mercado ou às Feiras de Rua, ainda que não se compre nada. Ah, em tempo: Esta Senhora aí, em primeiro plano, é um tesouro – nessa foto, com 84 anos, HOJE, com 89 anos, MINHA MÃE MARIA JOSÉ, cheia de filhos e filhas, netas e netos, bisnetas e bisnetos, e três trinetas.

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I like the street markets – weekly -, and also the markets, where you find people from all over, buying a few things here and there, checking prices, the small change they took, bargaining politely – which is correct -, and so on the merry marathon goes, the People always there, laughing, and complaining about the prices – BUT NOT NECESSARILY FROM THE SHOPPERS, WHO ARE BUYING MORE AND MORE PRICELY, AND FROM THE FARMERS (yes, in the feminine), who plant more and more expensive, due to inputs, etc. – and so on goes the party that is going to the Market or the Street Fairs, even if you don’t buy anything. Oh, in time: this lady, in the foreground, is a treasure – in this photo, when she was 84 years old, and today she is 89 years old, MY MOTHER MARIA JOSÉ, full of sons and daughters, granddaughters and grandsons, great-granddaughters and great-grandsons, and three great-great-granddaughters.

Darlan M Cunha: foto e texto

os pés / the feet

de casa

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Ficas aí filosofando: Quem acendeu a primeira fogueira, de caso pensado, quem sapecou as primeiras carnes muito duramente cercadas e capturadas pela tribo, sim, como terá sido isso dos nossos ancestrais ? quem preparou a massa dos primeiros pastéis ? foram comidos crus, feito os japoneses que até hoje, sabiamente, comem peixes assim: crus ? Foi um longo caminho, uma jornada pavorosa, cheia de dúvidas, medos, terrores, frio, lanças, febres, feras humanas e não humanas, sim, foi “uma longa e sinuosa estrada”, de acordo com o título desta música dos Beatles. Bom… chega de filosofia, os pasteis estão quentes e cheirosos. Coisas de família.

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You stand there philosophizing: Who lit the first fire, just in case, who salted the first meats that were so harshly fenced and captured by the tribe, yes, how could this have been for our ancestors? who prepared the dough for the first pastries? were they eaten raw, like the Japanese who, wisely, eat fish like this: raw? It was a long way, a dreadful journey, full of doubts, fears, terrors, cold, spears, fevers, human and non-human beasts, yes, it was “a long and winding road”, according to the title of this Beatles’ song. Well… enough philosophy, the pastries are hot and smelly. Family stuff.

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Darlan M Cunha: foto e texto (trad./trans. DeepL.com)

o imaginário / the imaginary

foco

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Comece a narrativa com o que houver, principalmente, com o que não houver. A partir da cama tu vês boa parte do bairro, ou estás pensando no café da manhã ? aonde irás, após o ritual matinal ? qual será a primeira fila do dia ? deixe essa latinha ainda desligada um pouco mais – esqueça, poupe conversas inúteis, abobrinhas diárias, ou conversas pra boi dormir. Mude o valor das montanhas à frente. Estás bem de saúde ? Talvez já não estejas bem de saúde física ou mental, mas não sabes. Viver é teatro, é comprar e vender, cada qual com a sua pescaria, o mercado está em todo lugar. Meu nome é Nada, eu venho de Ur, cidade primeira da Mesopotâmia, hoje, Iraque, mas passei uns tempos em Sodoma e Gomorra. Comece ou continue a tua narrativa.

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Start the narrative, dear friend, with whatever there is, especially with what there isn’t. From your bed, you see what: part of the neighborhood, or are you thinking about breakfast ? where will you go, after the morning ritual ? what will be the first line of the day ? leave that little can still off a little longer – forget about it, save yourself useless conversations, daily nonsense, conversations for sleeping. Change the value of the mountains ahead. Are you in good health ? Maybe you are not in good physical or mental health, but you don’t know it. Living is theater, it’s buying and selling, each one with his own fishery, the market is everywhere. My name is Nada, I come from Ur, the first city in Mesopotamia, today, Iraq, but I spent some time in Sodom and Gomorrah. Start or continue your narrative.

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Darlan M Cunha: foto e texto