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Mercado Central de Belo Horizonte (1929), MG, Brasil

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     Um dos livros através dos quais iniciei o aprendizado do idioma russo (33 letras) foi o da professora Nina Potapova, isso há décadas, numa representação cultural da Rússia, em BH, que ficava no edifício Rembrandt, na Rua São Paulo, região central. Lembro-me de ter ganho um relógio, num concurso feito pela modesta mas diligente instituição, e de tê-lo dado de presente à minha irmã Telma. O tempo fez o que sabe fazer, condenado a si mesmo, o espaço contraiu-se, para uns tantos, expandiu-se para o quase nenhum, mas eu continuo, o idioma russo continua (cinco ou seis idiomas sobreviverão), tu continuas, e enquanto não se descasca de todo a trama mundial, vamos ao mercado, ao lugar onde, segundo o poema do Bertolt Brecht:

Para ganhar o pão, cada manhã

vou ao mercado onde se compram mentiras.

Cheio de esperança

ponho-me na fila dos vendedores.

(BERTOLT BRECHT. Antologia Poética. Poema “Hollywood”)

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foto e crônica: Darlan M Cunha

Belafoto

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Manhã de 14/05 na Av. Olegário Maciel, em frente ao Mercado Novo. BH.

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     No dia 12 de maio de 2017, hackers colocaram 150 países de joelhos (cento e cinquenta), entre hospitais, instituições financeiras, governamentais, escolas, fábricas de automóveis, etc. O mundo sentiu, sente e sentirá o preço cobrado pela invasão, pela sátira, o peso dos punhos da justiça hacker, como um boxeador que recebe um upper cut, que vai a knockout – ou quase. Há quem aposte que foi coisa dos chineses, embora a China também tenha sido atingida; outros dizem que tudo começou nos EUA, outros culpam de frente a falha da Microsoft, mas, agora, a culpa está sendo deviada para uma personagem ate então fora deste jogo mortal: a Coréia do Norte. (Obs.: Quando você for a Seul e a outras cidades do país, evite dizer Coréia do Sul. Diga, Coréia, somente).

À boca pequena (ouvi sobre isso no Jornal da Manhã, TV SIC, Portugal, 15/04), aventa-se que isso pode ter começado com serviços secretos, mormente o dos EUA, porque todos criam ferramentas para sondar o outro, e o conteúdo pode cair em mãos erradas. Meu PC nada entende disso, treme, entalado com visitas à sua mesa pobre. Estes hackers exigem pagamento para desbloquearem computadores, feitos com a moeda virtual BITCOINS, difíceis ou impossíveis de ser rastreada.

     Se me derem o desprazer de um dia visitarem meu mocó BOLSO FURADO, morrerão à míngua na casa de quem aqui e agora vos escreve, e que até ri da infinita imbecilidade que nos assola, o ganho pelo ganho, a extorsão, a sátira. Just for laughs // Só rindo. Und es werden immer mehr // E eles são cada vez mais. Não falo e nem escrevo em coreano, e também não em inglês. Em português, sei dizer bom-dia.

     Mas, por qual motivo um pobre diabo com trânsito escassíssimo na Grande Rede do Grande Irmão, que nem sabe o beabá da web, deve contratar antivírus, se John McAfee, criador de uma das mais afamadas marcas do ramo, criador do antivírus McAfee, disse não usar antivírus no seu computador. Mas, vender para milhões de desesperados por segurança, pelo que não existe, ah, isso ele vende. Menschliches, Allzumenschliches // Humano, demasiado humano, como diria Friedrich W. Nietzsche. No entanto, pensando para além do bem e do mal, fico ou não fico com o presidente desertor de antivírus ? Já basta o que passei com o famigerado Avast, com outros. Não quero chorar, Dr. wannacry.

     Why you abandoned the antivirus? Are we antivirus users being abandoned? Why?

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Foto e texto: Darlan M Cunha

De última hora, e a propósito desta postagem, NÃO deixe de ler sobre este garoto: https://www.tecmundo.com.br/ataque-hacker/116671-especialista-matou-wannacry-o-ransomware-assustou-o-mundo.htm?utm_source=tecmundo.com.br&utm_medium=internas&utm_campaign=quenteshoje: