Textos duros, com café – 2

Ópera dos Mortos (Autran Dourado). POPOL VUH, Livro da Criação do Mundo (MAIAS)
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PEDAGOGIA DO OPRIMIDO –PAULO FREIRE (Educador, BRASIL)

Quem, melhor que os oprimidos, se encontrará preparado para entender o significado terrível de uma sociedade opressora ? Quem sentirá, melhor que eles, os efeitos da opressão ? Quem, mais que eles, para ir compreendendo a necessidade da libertação ?

OBS: Este é o único livro escrito por brasileiro que consta dos cem livros mais procurados em todo o mundo para consultas especializadas, teses universitárias, documentários, etc).

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O PÁSSARO PINTADO – JERZY KOSINSKI – (Polônia / EUA)

Nas semanas que se seguiram, até terminarmos a estação dos cogumelos, caminhávamos com frequência ao longo da via férrea. Ocasionalmente, passávamos junto a pequenos montes oblongos de cinzas negras ou outro osso chamuscado, partido e misturado ao cascalho. Os homens detinham-se então, o cenho franzido. Alguns temiam que mesmo depois de incinerados, os cadáveres daqueles que se haviam lançado para fora dos trens, pudessem contaminar a gente e os animais, e apressavam-se em empurrar terra com o pé para cima das cinzas. Certa vez, fingi que me abaixava para apanhar um cogumelo que caíra do meu cesto, e agarrei um punhado dessa poeira humana. Grudava-se nos meus dedos, e cheirava a gasolina. Examinei-a de perto, mas não pude encontrar nela o menor vestígio de um ser humano. E no entanto essa cinza não era igual aquela outra que sobra nos fornos de cozinha, onde são queimados lenha, turfa seca e musgo. Comecei a sentir medo. Esfregando nos dedos o punhado de cinza, tinha a impressão de que o espírito da pessoa queimada pairava sobre mim, espionando-me e recordando-me de tudo o que lhe passara nesta vida.

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DIVINA COMÉDIA – DANTE ALIGHIERI – (Itália)

Deixai toda esperança, vós que entrais.

Estas palavras em letreiro escuro
escritas vi por cima de uma porta;
e disse: ”Mestre, o seu sentido é duro”.[…]

Suspiros, choros, gritos escutei
ressoando no ar baço de estrelas,
de quanto ao começar também chorei ­
Línguas várias, horríveis falas delas,
e palavras de dor, acentos de ira,
vozes altas e roucas, batedelas
de mãos com mãos, tudo em tumulto gira,
naquela aura sem tempo destingida,
como areal que um turbilhão aspira.
E com a cabeça de erros só cingida,
eu disse: ”Mestre, que ouço? pela dor,
que gente é esta agora assim vencida?”

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JOHNNY CASH. FATHER AND SON : https://www.youtube.com/watch?v=x9nRsYVovFg

Imagem INTERNET.

um tiro no pé // tiro na literatura // nos guizos no rabo do cão // tiro pela culatra

 

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an old, sick guitarman // work in progress

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I don’t believe in zimmerman (John Lennon)

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          Há uma cançãozinha que diz eu avisei, eu avisei, se você anda errado você vai cair é nas malhas da lei. Em muitos casos, em todos os lugares do mundo, o fato é que há ondas que insistem em se manterem com a crista intacta, quase intacta, com uma pequena ajuda dos amigos, porque são muitos os que mamam na zebra e adornam estátuas tornadas totem e tabu, sentindo no fundo o braço da guitarra, em ré, e é por isso mesmo que tudo fazem para que o morto continue vivo, até porque certos mortos são amados por tipos populares os mais díspares: professores, jornalistas, etc.

          Eu também avisava, bem antes do anúncio no dia 13 de junho de 2007, em Oviedo, Espanha, na entrega do internacional Prêmio Príncipe de Astúrias. Mas onde estavas tu neste dia já sem nome e sem data ? Eu sei onde eu NÃO estava. Bom, o melhor é beber algo e tocar viola, ciente de que a resposta – the answer my friend – a resposta a tantas dúvidas não está em vento nenhum, em nenhuma boca certas questões encontram resposta, e não merecem nenhum crédito os que se acham filhos de Éolo (deus do vento na grécia antiga). Eu vou para a casa do Elomar; antes, uma passada na eterna moradia do Caymmi. “O mar, quando quebra na praia, é bonito, é bonito.”

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Fotos e texto: Darlan M Cunha