a câmera= vida ou tempo, frente e verso

Revivida pelo artesão Zauss – bairro Santa Cruz, Belo Horizonte, MG.

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Na estrada das areias de ouro *

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Numa foto recente os ídolos cheios de cãs e rugas, quase irreconhecíveis, irreversível é o imponderável pondo a mesa, e há quem perca a coragem de ir ao espelho, de se ver como uma anamorfose, uma imagem distorcida que talvez já seja a sua realidade não percebida, mas quem inventou o pavor não fui eu. Para alguns, pouco importa viver com rugas, hérnia, tremores, catarata, rinite, conjuntivite, diabetes, insuficiência renal, disritmia, alta PA, obesidade, impotência sexual, ai. Noutros, o que mais lhes dá nos nervos é o fato de não saberem o que foi feito daquilo que não fizeram, dos trevos que encontraram e não entraram, e hoje acordaram de analisar o Tempo, o que fizeram ou não fizeram dele os ídolos e os fãs que já deixaram as motos, as passeatas e bandanas, comem e bebem pouco, pois o tempo avisa dos riscos, mas a música continua, e assim é que quando ouves alguma daquelas joias, reentras na estrada, e tome ponta-cabeça em beiras de estradas, vilarejos, amor de uns dias, vidas de um dia, e tome estrada, lá onde não se fica velho, engano, fake news, querem nos enganar, desconfie dos baratos, de deus e do diabo, tudo, já ponho o viés de volta na estrada, caminhos de pedra & seda, risco de perdas & danos – como convém. Vamos, o mundo está farto de toc, balcões, refrigerantes, igrejas e refugiados. Eu quase me esquecia de uma vítima da Grande Gastronomia, o glúten, mais antigo do que o primeiro cozinheiro. Ora, direis, és mesmo um tipo para se odiar. Não tens o que fazer, a não ser satirizar ? Tenho, sim. Por exemplo: ainda hoje, cuidarei de uma pequena cirurgia a ser feita na minha mãe, Dona Maria. O Mundo pode ser pétala e sépala, Mãe é Mãe, ou seja, é um universo à parte.

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Texto e foto: Darlan M Cunha

A Horse With No Name >>> Ventura Highway. AMERICA : https://www.youtube.com/watch?v=4N-OiKzZjws >>> https://www.youtube.com/watch?v=4N-OiKzZjws

ELOMAR FIGUEIRA MELO. Na estrada das areias de ouro: https://www.youtube.com/watch?v=5XO2bqGY5rY

correnteza(s) que o viver mistura usa desusa

o garoto e sua companhia – MEDINA, MG
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selas 1 – MEDINA, MG
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LOCALIZAÇÃO // MEDINA, MG, BRASIL
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CASA – 12

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Onde nasci passava um rio que praticamente sumiu sob queimadas, desmates, retiradas de areia para construções, o rio no qual as mães lavavam panelas e roupas, que depois se tornou amargura ardendo feito pimenta nos olhos.

A estrada Rio-Bahia tossia poeira de mil caminhões, jipes e carroças, burros, mulas, éguas e cavalos numa vida de mesmice igual à dos donos, animais que uma vez e outra eram enfeitados para uma festa geral. O rio sumiu, o gato comeu, o rato roeu, o urubu bicou, a galinha bebeu o rio São Pedro, em Medina, MG

mas ainda está comigo, estou vindo de suas margens, com fieiras de peixes imaginários na direita, varas de bambu na mão sinistra, anzóis de tamanhos, intenções, alvos diferentes. Agora, vão para a panela estes bagres, piabas, cascudos, traíras. Cuidado com as crianças, que traíras têm muito espinho. Hoje, o rio se parece com uma estrada poeirenta.

Onde nasci passava um rio – nadei, cavalos burros jegues e éguas montei, umbu e carne de sol provei. Cavalos, onde estão os cavalos de crina, carne, ossos, grunhidos, coices, onde, que só vejo e ouço com extrema inquietação os cavalos pomposos e ruidosos, os cavalos neurotizantes e mortais dos automóveis ?

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Fotos e texto (exceto o mapa Google): Darlan M Cunha

XANGAI. A ESTRADA DAS AREIAS DE OURO (Autor ELOMAR FIGUEIRA MELO), Vídeo de MOACIR SILVEIRA: https://www.youtube.com/watch?v=-Fm1PgOIzm8

luadeluar hoje é noite de sombra… ação, pois !

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TRAVESSIA – Milton e Brant (Fiz essa foto em 2006, Praça da Liberdade, BH)

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     Hoje é o dia do eclipse mais longo do século 21. Curioso quanto a isso, não sei bem o que farei, talvez suba no telhado, e fique por lá esticado como uma lagartixa ao sol, ao luar ou à falta de luar, ou me transforme num gato com direito a sete vidas e mil e uma artimanhas próprias dos gatunos, segredos serão revelados e cabeças irão rolar, e talvez até se veja o que o Pink Floyd pensa ter visto, ou seja, the dark side of the moon.

    Numa situação incomum como a que acontecerá em algumas horas, é comum que as pessoas fiquem entusiasmadas ou alarmadas, não há meio termo, crentes ou descrentes, satíricas ou carrancudas, todas as pessoas sentirão o passar do astro, e os bêbados irão se fartar, ou porque vivem nas ruas, ou porque são poetas por natureza. Vão faltar verbos e adjetivos para tamanho eclipse. Mamma mia!

     São 5 da matina, supersticioso, tenho tanto medo do escuro como uma criança que foi sistemáticamente assustada e escorraçada, sofro ene pavores e suores, mas, pensando bem, ao diabo com sonatas ao luar, vou é botar meu bloco no topo da colina, e uma vez mais, com os Beatles, cantar day after day, the fool on the hill, ou the lunatic is on the grass, do Pink Floyd, ou cantar, com o Milton, a lua girou girou, traçou no céu um compasso, a lua girou girou, ó, pensando bem, hoje não é dia de cantar, dia nenhum é dia de cantar, foi declarado que estamos abolidos deste fardo. Mas o que será da terra e da lua e do sol, de deus e do diabo, se ninguém cantar feito galo, canário, gato, cão, uirapuru, hiena e veado, sortudo e azarado ? Revogada então está a proibição de cantorias nas terras do sem-fim, na terra do benvirá, nas carrancas do rio gavião, no grande sertão cheio de morte e vida severina, no Curral del Rey (nome primeiro de Belo Horizonte, 1897).

Vamos pra lua, lunáticas & lunáticos ! Vamos pra Pasárgada, lá seremos amigo/as do Rei.

 

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Foto e texto: Darlan M Cunha

Vídeo-tour da NASA (09 julho 2018): https://www.tecmundo.com.br/ciencia/129113-nasa-divulga-video-tour-lua-4k-assista.htm

um tiro no pé // tiro na literatura // nos guizos no rabo do cão // tiro pela culatra

 

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an old, sick guitarman // work in progress

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I don’t believe in zimmerman (John Lennon)

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          Há uma cançãozinha que diz eu avisei, eu avisei, se você anda errado você vai cair é nas malhas da lei. Em muitos casos, em todos os lugares do mundo, o fato é que há ondas que insistem em se manterem com a crista intacta, quase intacta, com uma pequena ajuda dos amigos, porque são muitos os que mamam na zebra e adornam estátuas tornadas totem e tabu, sentindo no fundo o braço da guitarra, em ré, e é por isso mesmo que tudo fazem para que o morto continue vivo, até porque certos mortos são amados por tipos populares os mais díspares: professores, jornalistas, etc.

          Eu também avisava, bem antes do anúncio no dia 13 de junho de 2007, em Oviedo, Espanha, na entrega do internacional Prêmio Príncipe de Astúrias. Mas onde estavas tu neste dia já sem nome e sem data ? Eu sei onde eu NÃO estava. Bom, o melhor é beber algo e tocar viola, ciente de que a resposta – the answer my friend – a resposta a tantas dúvidas não está em vento nenhum, em nenhuma boca certas questões encontram resposta, e não merecem nenhum crédito os que se acham filhos de Éolo (deus do vento na grécia antiga). Eu vou para a casa do Elomar; antes, uma passada na eterna moradia do Caymmi. “O mar, quando quebra na praia, é bonito, é bonito.”

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Fotos e texto: Darlan M Cunha