simplesmente

Ah… de ACARAJÉ (PRAIA DO FORTE, MATA DE SÃO JOÃO – BAHIA)

Há muito não vais ao mar / sentes que algo te chama, / és das montanhas, e o grande azul te invoca, / batendo com suas pedras de sal na tua cabeça, / esfregando as moedas da ânsia em tuas pernas e braços / sentes que deves ir a outros tipos de ondas.

PROJETO TAMAR – PARIA DO FORTE, BAHIA

Teu mar atual é o de nadar / em noitícias ? Há muito tempo és noctívago / teu bar é a saleta de memórias, cinzas, / alguma tela torta na parede / o sofá é o teu oceano, claro / é preciso ir a algum lugar / trabalhar cansa, lavorare stanca – diz uma turista, / deves partir, amanhã.

RAY VIANNA. Escultura “ODOYÁ”. PRAIA de SANTANA. RIO VERMELHO, SALVADOR, BAHIA. (Mesmo desatento que estava no momento, de repente, pressenti, e fiz a foto).

Disseram para não colocar nenhuma palavra na boca da ficção, estupefato, amargou no aparelho digestivo certas lições que diluem o raciocínio que porventura ainda se tenha, e foi devido a isso que a estupefação, o desânimo e por último o desespero subiram no seu costado, esporas e chicote, tinham avisado para não se endividar com a clareza, não fazer nenhuma frase na terra da ficção, em vão, que ser humano é ser ficção, delírio e delíquio, relíquias malditas e benditas, poço fundo e areal viscoso é o humano, erros e seus ecos, o riso na boca de cada poro, desgraças mil graças, foi dito para cortar a língua da palavra, fechar o caminho a cada palavra que ouse ser lavra, palavra, notícia, nuvem, pó… em vão, pois ser Ser Humano é plantar verde para colher maduro. Uai, Ó Xente, Barbaridade Chê !

Darlan M Cunha

CHICO BUARQUE / ROBERTO MENESCAL. BYE BYE BRASIL: https://www.youtube.com/watch?v=5oYLRRo8sTY

FRANK SINATRA. MY WAY. : https://www.youtube.com/watch?v=LQzFT71LCuc

as visitas, 6 [final]

a santa, o drone, o ócio

O que levar e o que não levar ao trono das férias ? O cão do vizinho dá nos nervos, nada como um punhado de sol – mas eis que uma sirene abre as ruas rumo às mãos no peito e no parapeito, as mãos e as cãs já no chão, de volta, a sirena reabre as ruas, e todos voltam para a água. Em casa, o violão jaz no sofá ao qual lhe falta um pé, mas três tijolos lhe servem de esteio, os caolhos me confundem, rolinhos e varizes, a língua ferina da sirigaita, tudo é teu que te contempla, esqueça, abra a farofa e ria para a praia imensa da vida. O que levar das férias: sono ou aprendizado ?

Darlan M Cunha

as visitas, 5

clareia, manhã

Nenhuma reta no corpo do universo tudo é curva é a monotonia do espanto o que há é uma sequência infinita debaixo da qual e entre a qual nos damos aos dias com os nossos 206 ossos todos eles curvos. A própria Luz faz curva (pergunte ao Albert). A vida é curva.

Darlan M Cunha

as visitas, 2

areal do espanto

Comecei a descolonizar-me do medo há muito tempo, mas ele, necessário ao equilíbrio vital, volta, e de modo consciente eu o acolho, embora com certas reservas, porque ele é um bruto espremido entre os dois grandes azuis, e é de bom tom que se o leve a passear, de quando em vez, beber com ele águas de lindoia, água de coco, água que passarinho não bebe, enfim, ir até o areal e ao olho do furacão cotidiárido e cotidiácido.

Darlan M Cunha

Praça, 5

Namoradeiras na Praça Igreja São Geraldo – Av. Itaité, São Geraldo – BELO HORIZONTE

*

De vez em quando, domingo ou feriado, eu costumava ir a esta região de BH, do outro lado da cidade de três milhões de habitantes, ia nu, sem nenhum interesse específico, indo ao Nada, como já fiz com muitos lugares país afora. Num daqueles dias, encontrei essas belezas, levei-as para casa. Sutileza é um tom raro. Mas, aquele touro eu o deixei lá, complicado. Que outro desvendasse seus tiques nervosos, seus segredos. Certamente a praça está lá com seus beatos e peregrinas enchendo paróquia. Saudade alguma, de quando em vez.

Sou taxativo: durante dois dias por ano, aliás, durante três dias dentre os 365 ou 366, eu fico comigo, sumo, nada de rastro. Nos outros dias da grande jornada eu fico procurando por mim, desvairado nas praças da suicidade, da monstrópole, seus becos, ruas e avenidas, alamedas, túneis, pontes, pinguelas, pontilhões, travessas, bairros, o rio, os córregos da aldeia, quadras, estádios e ginásios, descampados e terrenos baldios, até voltar para o beco sem saída que sou eu mesmo. Melhor lugar não há do que o teu canto. Bom, nem sempre, porque há os eternos insatisfeitos, há quem suje as purezas do branco, o claro enigma de viver. Praça é mundo.

Landar

SOLO (DMC): https://www.youtube.com/watch?v=6nQ3KCTd7Lo

no ar // no papel // na memória

NO AR

@1

La musica è la miglior medicina dell’anima // Music is the best medicine for the soul // A música é o melhor remédio para a alma. (PLATÃO)

@2

O que há em comum entre a italiana Palermo e a brasileira Campo Grande é o fato de ambas prezarem muito as árvores frutíferas em suas ruas praças e avenidas. (DMC)

@3

Eis a aldeia, enquanto palco dela mesma, com seus órfãos catando grãos de breu e de luz pelas ruas, e que, embora cegos surdos mudos, percebem as gemas preciosas no seu entorno. (DMC)

@4

Há música no nascimento no batizado na crisma na escolinha nos aniversários nas formaturas nos casamentos nas bodas de prata de ouro de diamante no quarto na varanda no sítio no bar. Música na memória e no enterro. (DMC)

@5

Sem a música, a vida seria um erro. (FRIEDRICH NIETZSCHE)

O INFINITO ABRAÇO DO ESPANTO

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@ : darlan m cunha

UAKTI >>> música Montanha. https://www.youtube.com/watch?v=6z1_dF_XipM> // DMC >>> Fotos.