juventude(s)

Artista: Maria José M Cunha (89), incansável, para a bisneta Alícia (6).

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O alarme soou o alarme do cansaço e das impossibilidades, já soaram os cravos e os entraves da ausência já vêm todos aí dando o grito porque é o saldo a vir das indiferenças, sim, é tempo das comorbidades quererem entrar é tempo do desalento no quarto ou nos três metros da varanda eis os pés a tez os punhos puídos e as pálpebras cansadas de insônia os cílios com poucos arco-íris em sua trajetória eis a boca algo assim cansada de berros de guerras até no amor, e assim, quando o alarme soar, não sejas tu igual a este ou esta aí acima na descrição tão triste e desanimadora. Botem para quebrar, vovó e vovô, chutando o balde e as canelas desta showciedade maluca e, por isso mesmo, boa, pois é diversificada. Vamos que vamos, ao diabo com a  velhice, com as cãs, com a bengala, com os chinelos e com os óculos, mas não com os ósculos ou beijos. Vamos, vovó e vovô, a balada está esperando, hoje recomeça a vossa juventude.

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Visite-me: ESCRITAS: https://www.escritas.org/pt/n/l/darlan-de-matos-cunha

Darlan M Cunha: foto e texto

ar é mais

Três equipes em campo, jogo duro, por enquanto, 2021 x 3 para FOLHAS & VENTO contra VARREDORES

As pessoas aterrorizadas e tristes, será preciso muito mais do que simples mudança da sociedade, mas confio em que esta surra avassaladora, mortal, possa mudar certas atitudes deploráveis. Será difícil, não impossível, desde que muitos/as se toquem perante essa falta de ar, e que haja Governo. Confio estar em minha porta, para sentir a leveza, após esta caçada ao pavor do mundo, esta sombra mutante, com mil truques, este sinónimo de fôlego morto, camas ausentes e famílias destruídas.

Meu exame Corona Vírus-19, de 14/04/2021, feito em Belo Horizonte, por gente amiga de conversa luminosa, o qual eu tenho aqui em mãos o resultado, deu nisso: Não detectável.

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People are terrified and saddened, it will take much more than simply changing society, but I trust that this overwhelming, mortal beating can change certain deplorable attitudes. It will be difficult, not impossible, as long as many are touched by this breathlessness, and there is Government. I trust to be on my doorstep, to feel the lightness, after this hunt for the dread of the world, this mutant shadow, with a thousand tricks, this synonym of dead breath, absent beds and broken families.

My Corona Virus-19 exam, dated 04/14/2021, done in Belo Horizonte, by friends of good standing, luminous conversation, which I have here in my hands the result of, gave this: Not detectable.

Darlan M Cunha

UMA PEQUENA/GRANDE AMOSTRA, NO VÍDEO FEITO POR UMA DE MINHAS IRMÃS, DE COMO SOMOS AFETADOS, DE UM MODO OU DE OUTRO, DIA E NOITE: Vídeo… ATLANTA-SÃO PAULO.mp4 – YouTube

não é hora de rir, 3

E agora, Paciente ?

Quem com ferro fere, com ferro será ferido – antigo ditado popular, do qual me lembrei, ontem, ao ouvir a muito respeitada Dra. cardiologista Ludhmila Abrahão Ajjar, que disse esta frase amargamente real, sutil, a qual eu vi escrita na tela de um canal de televisão: “O cenário é bastante sombrio… O Brasil vai chegar em 500, 600 mil mortes...” //

He who wounds with iron will be wounded with iron – an old popular saying, which I remembered yesterday, listening to the well-respected cardiologist Dr. Ludhmila Abrahão Ajjar, who said this bitterly real, subtle sentence, which I saw written on the screen of a television channel: “The scenario is quite gloomy… Brazil will reach 500, 600 thousand deaths

Faz tempo que digo a mesma coisa desta mesma amargura que parece uma tragédia sem fim, uma patologia mais do que gigantesca, um assombro que, por incrível que pareça, para muitas pessoas quase não existe, é um cisco ou mesmo uma lenda. Mas digo também que é o único democrata que de fato existe, e ele está aqui à porta, esse tormento não respeita profissões, hierarquias, contas bancárias e nem idades. É democrático. Ele é o Cara. Neste jogo temos que ser desleais para com o adversário: temos de jogar com 12 em campo, contra os 11 regulamentares do adversário. Nada de dormir. Meu falecido pai, funcionário do IBGE durante quase 40 anos, dizia que a partir de certa idade a gente não faz aniversário, e sim adversário. Nada de dormir, iremos bem.

For a long time I have been saying the same thing about this same bitterness that seems like an endless tragedy, a pathology more than gigantic, a haunting that, incredible as it may seem, for many people almost doesn’t exist, it is a speck or even a legend. But I also say that it is the only democrat that actually exists, and it is here at the door, this tormentor is no respecter of professions, hierarchies, bank accounts or even ages. He is democratic. He is the Guy. In this game we have to be disloyal to the opponent: we have to play with 12 on the field, against the opponent’s regulation 11. No sleeping. My late father, an IBGE employee for almost 40 years, used to say that after a certain age we don’t have a birthday, but an adversary. No sleeping, we will be fine.

DeepL.com/Translator

@1.

Bom, vamos à leveza, porque ela está chamando, chorando. Vamos ao pão de cada dia, fatia por fatia. // Well, let’s go to lightness, because it is calling, crying. Let’s go to our daily bread, slice by slice.

As roscas foram feitas aqui em casa. Minha mãe, Dona MARIA JOSÉ, cuidou disso, com uma pequena ajuda do aprendiz.

Darlan M Cunha

Bisavó e bisneta espantando o Caos

Falar o que… Amadas e Caros ?

MENSAGEM ao PEQUENO GRANDE SENHOR

@1. Distúrbios rueiros

Quantos nervos explodem, quantos impropérios são ditos em cada um dos 1440 minutos de todos os dias em aldeias como o Rio de Janeiro, Nova Iorque, Jerusalém, Beijing, Mumbai, Buenos Aires, Cidade do México, Lagos, Cidade do Cabo e nas minúsculas aldeias do mundo ? Porém, uma vez que se tenha de ir às ruas, o mínimo seja evitar jogar dados com o medo, onde os enganados morrem sem nome, sobrenome, telefone.

@2. Senhor Pequeno Gigante

É preciso que se diga bem alto que a estrutura social está vergada para muito além do suportável, algo assim feito um pequeno barco num mar em noite de Satã, breu de piche, siameses comendo um ao outro, pelo que logo se vê o peso da tua intromissão nos cotidianos do Mundo, Senhor de Sutilezas Vis e da Imantação Generalizada.

Ainda não há ponto final à vista, embora o esforço contínuo de 25, sim, 25 horas por dia em busca do néctar que apazigue os corações e as mentes no Planeta de Eixo Inclinado. Os políticos, em seu Areópago, sua Ágora, sua Praça, no alto e no baixo clero, contam desmedidas ações, até mesmo o benfazejo erotismo já levado por caminhos estranhos, ao que se sabe. Eis o homem já sem nome e sobrenome, um homem sem qualidades, conforme o título de um livro.

Pequeno Senhor Gigante

devastar é o teu único verbo, é de avivar câmeras dentro deste túnel pavoroso onde a falta de ar é o que há, onde os brônquios gritam para eles mesmos, verbo preferencial ao portador e afins é o que esse verbo é, e não me desculpe por essa dura intimidade fincada aqui, são coisas da vida, diz o povo, o mesmo povo que está sob cutelo, garrote vil, pau-de-arara, enfim, posto a ferros, sob o suplício muito destruidor da insônia, taquicardia, o SNC avariado, prejuízos de todos os calões ou para todos os jargões, alguns que a Bolsa de Valores sequer desconfiava, suicídios, mas sempre há os obesos, a lei das ofertas tingidas de gold, tintas de blood.

Senhor Pequeno Gigante

a nós – 8 bilhões – não nos interessa de onde vieste sob esta nomenclatura que é a sinonímia mais completa de devastação, e já penso no ano de 1666, entre outros do mesmo negrume, lembro-me aqui e agora da canção os ratos soltos na praça // os ratos mortos na praça. O caos e a breve arquitetura do choro, poema com muito ar.

Pequeno Senhor Gigante

tua mala está pronta, o caminho todo embandeirado até a porta das aldeias com fogos de armistício para a tua partida, porém, os laboratórios ainda ferverão por um longo tempo. Nenhuma dúvida sobre as agulhadas por virem, eis toda a Humanidade de joelhos, tudo isso nos fala fundo, e mais me lembra O Dicionário do Diabo – o livro do Bierce.

Darlan M Cunha

imo

Duas fontes de luz // Two sources of light.

*****

Cheguei antes de minha mãe e de meu pai, sim, sou anterior até a mim mesmo, mas não criei nada, nada me deve sua existência – talvez algumas gotas de dor, de apreensão, se não oceanos de angústia. A canção diz, não diz, desdiz, rediz, e assim também é o poema dentro e fora do queira-não-queira, viver é o que há. Pegue, e não largue estes ossos, estas escamas, este metal incandescente que é o amor (há muitos tipos de amor), o couro que te cubra do frio social. Nasci num dia sem nome e sem sobrenome, dia sem data, cheguei nu, o choro é o nosso primeiro conhecimento, e é só depois que o peito nos dói é que vamos ao primeiro leite – colostro –, e daí então se vai ao primeiro e único sono verdadeiro de toda uma existência por vir. Nasci sem ter nascido, nasci antes do Todo, do Nada, do Algo Consta.  Mãe é Mãe. Olha, está chovendo na roseira.*  

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I came before my mother and father, yes, I am before even myself, but I created nothing, nothing owes me its existence – maybe a few drops of pain, of apprehension, if not oceans of anguish. The song says, doesn’t say, un-says, redictates, and so does a poem in and out of want-not, living is what there is. Take it and don’t let go of this bone, these scales, the leather that covers you from the social cold. I was born on a day with no name and no last name, a day with no date, I arrived naked, crying is our first knowledge, and only after the breast hurts do we go to the first milk – colostrum – and from there to the first and only true sleep of an entire existence to come. I was born without being born, I was born before the All, the Nothingness, the Somethingness. Mother is Mother. Look, it’s raining on the rosebush. *

Darlan M Cunha

*: A última frase desse texto é um verso que está em Chovendo na roseira, de TOM JOBIM. **: Tradução feita com DeepL.com

Yo-Yo Ma toca o Prelúdio da Suíte nº 1 para violoncelo, de Johann Sebastian Bach: https://www.youtube.com/watch?v=q2ZHjSA8mkY

Carta à Mãe, nº 147

Barreiro de Baixo / Tirol, BH

@1. Dona MARIA JOSÉ, sua benção

O fato é que no meio da multidão, ou ror, cada um se sente ao mesmo tempo nulo e poderoso, pelo que pode vir à mente o ditado popular de que a união faz a força – sim e não, pois temos muitos exemplos de que o que mais acontece é o contrário disso. Ir é o que há.

@2.

Mãe é unguento, mistura de plantas raras

ela é um emplastro aplicado sobre o teu

delírio, de bruços sobre o Nada, e alheio

aos cuidados básicos, tu és gastador/a  de energia.

*

Eis a mãe com água na peneira para ti,

esquecida de si, até de comer e de beber

água ou chá ou café, de pé no mundo

as mães vão fundo na toca das feras,

abrem o mausoléu do marechal, a caverna

onde o Cristo dormiu algumas horas,

xingam e chutam o balde para te defender

*

porque mãe é mãe, raiz

embora haja quem cometa o erro

de dizer que estragam os filhos

com mimos, que elas veem pouco,

mas os laços severos da lucidez dizem

o contrário sobre este ramo de luz,

este bálsamo ou beijo de branca nuvem

e abraço do paraíso na terra.

*

Mãe é raiz – digo eu, Senhor dos Breves.

Que eu não te encontre

em dívida para com a tua,

ou os 1440 minutos

deste possível dia indesejável

eu os farei terríveis sobre ti.

*

De promessas e premissas se vive,

se fores ao mercado, escolhe os frutos

e frutas da estação, enquanto o mundo

gira, sacoleja, rói as unhas, arrota, baba, bufa

e dá nó nas tripas, com o coração nas trevas

o mundo é um coitadinho

pelado.

*

Algumas desatenções pisam nos Outros

e não notam, mas vamos às Bodas

festejar anos sem lágrimas, vamos às Bodas

de lata de ouro ou de prata.

Ó, mereçamos algo melhor do que chorar.

*****

Darlan M Cunha