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KREMLIN – MOSCOU  //   Москóвский Кремль

 

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     Não há nenhuma casa na Rússia sem matrioskas – bonecas russas – porque são um verdadeiro símbolo nacional essas bonecas rechonchudas, bem talhadas em madeira, pintadas a mão e, por serem de tamanhos diferentes, enfiadas umas dentro das outras. Elas simbolizam a fertilidade, a maternidade. Mãezinha Rússia é como o povo chama a sua gigantesca pátria de nove fusos-horários – de Kaliningrado a Vladivostok, sendo que esta é uma cidade tão perto do Japão que pode-se dizer que fica a uma estilingada de distância. Minhas matrioskas estão na estante. Hoje, dia 14, na estreia da Rússia na Copa do Mundo de Futebol, tomaremos sopa de beterraba Borscht acompanhada de pão. Quanto à vodka nada direi.

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     Leio muito desde garoto, e no meu cardápio literário os russos tiveram presença constante, porque fui à casa de jogos e estância mineral de Baden-Baden, na Alemanha, com o inveterado jogador de baralho Fédor Dostoievski, fui à grande propriedade rural de Leão Tolstoi, à biblioteca de Puchkin, viajei com Máximo Górki (górki, em russo, significa amargo), bebi umas e outras com Yevgueni Yevtuchenko, Anton Tchekov, ouvi a música avassaladora de Serguei Rachmaninoff (por exemplo, Concerto nº 2 para piano e orquestra), vi a pintura bem característica de Kandinski, que foi para Paris, o poeta Maiakovski era inquieto, mas vamos agora à poesia da ucraniana Anna Akhmátova, cujo marido Gumilev, escritor, foi executado em 1921 (“Sob a Cruzes, tricentésima da fila  //  И своей слезою горячею”), ela escreveu no longo poema Réquiem.

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     Em 1812, Napoleão Bonaparte entrou em Moscou (fundada em 1147), mas não havia nada lá, ninguém, e o frio e a fome e a peste e o medo fizeram com que após dois ou três meses os franceses se retirassem, desorientados, derrotados.

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     Assim, para chegarem às armas poderosas, à conquista do cosmo e ao envio de gás para países importantes da Europa (Alemanha, por exemplo), os russos percorreram longo e doloroso caminho, daí que são algo desconfiados, ao estilo dos mineiros de Minas Gerais, segundo a visão de outros brasileiros/as.

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     Começa hoje, dia14, na Rússia, a Copa do Mundo de Futebol. É esperar para ver o resultado. A palavra sim em russo é да = Da.   

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Texto: DARLAN M CUNHA

Foto do KREMLIN by ANDREAS WITTICH:

https://www.trover.com

 A LENDA DA MATRIOSKA

https://isadoracln.wordpress.com/2011/06/09/a-lenda-da-matrioska-a-boneca-russa/

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Guerreiras (Especial)

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MARIA ESTHER BUENO (1939-2018)

71 títulos no tênis mundial, 19 Grand Slam

     Sempre fui um admirador sem freio de Maria Esther Bueno, pela sua elegância dentro e fora das quadras, tendo influído de modo cabal na maneira de se jogar tênis. Pergunte isso, por exemplo, à tenista estadunidense Billy Jean King. Bem humorada, recebida por rainhas, reis, princesas, príncipes, Maria conservou a modéstia. Deixou o Brasil aos 18 anos, na década de 50, rumo à Inglaterra, levando duas pesadas raquetes de madeira, com as quais ganhou tudo, sendo que estas mesmas raquetes, este mesmo peso viria causar-lhe dores. Venceu na Austrália, na França, na Inglaterra e nos Estados Unidos, ou seja, o cardápio completo.

     Ontem, sábado, 09/06, ela foi homenageada de pé em Roland Garros, onde também foi campeã.

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Fotos: WTA: http://www.wtatennis.com/news/tennis-world-mourns-passing-maria-esther-bueno

Texto: Darlan M Cunha

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água, não mágoa

(Fotos das torneiras: Darlan M Cunha. Arte do photoshop: Photofunia.com)

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Um dia na vida de Ivan Denisovich é o título de um livro do escritor russo, prêmio Nobel, Alexander Solzhenitsin, que li há muito tempo, e que, não sei por qual razão, me ocorreu agora. A mente ou a memória nos prega poucas e boas. Essa foi boa.

Às seis da manhã, apoiado no parapeito de uma janela, bebo o café e observo um tipo vizinho derramar oceanos sobre o carro, tudo nele sugere despreocupação, mais ainda o vaivém inconsequente da mangueira, e eu fico pensando nas crianças e nas mulheres que em tantos lugares do mundo caminham quilômetros para buscar água.

 

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Texto: Darlan M Cunha

formas

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pé-de-moleque

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     As fotos nas estantes absorvem minha presença, absorvo suas falas, seus gestos ama- relados, algumas delas com pintas como se gotas de ácido as tivessem atingido, mas isso não importa. Uma foto maior mostra sobre uma grande mesa, coberta por uma toalha rendada, o rosto da família, o corpo da alegria em forma de biscoitos, pudins, bolos, doces, pães, café, leite, sucos de frutas, broas, pastéis e um grande bolo centralizando a data. Velas em riste. Preto no branco, as fotos exibem meu rosto nos rosto dos convivas.

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foto e texto: Darlan M Cunha

Domingo pede cachimbo ?

Pés calejados, Nova Canaã, BA, 1998.

by EVANDRO TEIXEIRA (Brasil)

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     O que mais se pode dizer que representa de modo mais claro o que entendemos como o lado mau do mundo ? Deve-se levar em consideração os altos e baixos passados pelo céu da boca, como os verbos fingir e atingir, o adjetivo feioso, todas as aféreses e as apócopes implícitas no substantivo Tempo, sempre te encurtando, o pântano social analisado sobre a mesa com gráficos não raro indecentes (der Grüne Tisch) ? Quando clicas, és desviado, manejado, inserido sutilmente noutro contexto de compra e venda, sim, quando clicas, és fichado ou fixado e perseguido por uma polícia muito especial – só tua. Compreenda.

     Os pés doem mais do que se pode suportar, é preciso ir, porque ir é o melhor remédio, a (r)evolução depende de outras realidades. Já agora mesmo veio-me o que diz uma música: é um estrepe, é um prego, ou o que diz um poema: que se morre de velhice antes dos trinta, ou o que nos diz a escritora: sem o outro não temos como ser egoístas.

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Texto: Darlan M Cunha

Trechos extraídos de Tom Jobim, João Cabral de Melo Neto, Viviane de Santana Paulo

olha // looks

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Windows of buildings

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     Senhoras e senhores, o sarcófago está pronto. Urge ocupar cada qual seu lugar e cantar para espantar os males, como se diz – essa cova em que estás, com palmos medida– cantar o sismo e a cisma diária que o condomínio-esquife oferece aos seus ilustres anônimos, toda a poesia e toda a heresia do mundo habitam esse túmulo, a sátira, o sexo furtivo, o maldito fator de gente fritando sardinhas no 402, rock pesado no 901, beijos e tapas no 1002, no 204 e no 604, alguém pendurado/a no blá blá blá do telefone esqueceu uma janela aberta no 800, e a criança fugiu.

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Imagem: GettyImages. Arnd Dewald

Texto: Darlan M Cunha