onírico 1

NO DIA 13 SET 2013 FIZ UMA POSTAGEM COM ESSA MESMA TELA DO PINTOR JOAN MIRÓ. AQUI: https://uaima.wordpress.com/tag/cao-latindo-para-a-lua/

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Gosto dessa tela, do distanciamento ao qual ela me leva, da sensação de impotência geral (note-se a frustração do pequeno vira-latas), à possibilidade de crescimento (o arquétipo escada diz tudo), um espaço e um tempo para pensar, estando consigo.

Cão uivando para a lua – o título dessa obra do espanhol Joan Miró (1893-1983), cujo estilo de pintar sugere a Infância, mas vai para além disso, extrapolando essa fase que ditará normas de coexistir, sendo que algumas ou muitas ficarão para trás, vencidas em seu tempo de encantamento, ou quase isso, porque nos enganamos.

Nunca me esqueci de uma vez em que estava em Arraial do Cabo, quando lá era sossegado, e a alguns quilômetros está a Praia do Sossego, um lugar tão pequeno que ainda nem se parecia com uma aldeia, uma vila, etc, mas hoje está com seus prédios e óbvios problemas. Era uma beleza. Depois do turismo em massa, eu e os e as colegas desaparecemos. Pois é, lembro-me com exatidão de estar sentado no areal, e uma garotinha e um cachorrinho iam e vinham correndo, gritando e rindo, o cãozinho latindo sem parar, por perseguirem e serem perseguidos pela maré, no seu infinito vaivém. Até hoje eu vejo aquela cena. Vamos que vamos.

Darlan M Cunha

simplesmente

Ah… de ACARAJÉ (PRAIA DO FORTE, MATA DE SÃO JOÃO – BAHIA)

Há muito não vais ao mar / sentes que algo te chama, / és das montanhas, e o grande azul te invoca, / batendo com suas pedras de sal na tua cabeça, / esfregando as moedas da ânsia em tuas pernas e braços / sentes que deves ir a outros tipos de ondas.

PROJETO TAMAR – PARIA DO FORTE, BAHIA

Teu mar atual é o de nadar / em noitícias ? Há muito tempo és noctívago / teu bar é a saleta de memórias, cinzas, / alguma tela torta na parede / o sofá é o teu oceano, claro / é preciso ir a algum lugar / trabalhar cansa, lavorare stanca – diz uma turista, / deves partir, amanhã.

RAY VIANNA. Escultura “ODOYÁ”. PRAIA de SANTANA. RIO VERMELHO, SALVADOR, BAHIA. (Mesmo desatento que estava no momento, de repente, pressenti, e fiz a foto).

Disseram para não colocar nenhuma palavra na boca da ficção, estupefato, amargou no aparelho digestivo certas lições que diluem o raciocínio que porventura ainda se tenha, e foi devido a isso que a estupefação, o desânimo e por último o desespero subiram no seu costado, esporas e chicote, tinham avisado para não se endividar com a clareza, não fazer nenhuma frase na terra da ficção, em vão, que ser humano é ser ficção, delírio e delíquio, relíquias malditas e benditas, poço fundo e areal viscoso é o humano, erros e seus ecos, o riso na boca de cada poro, desgraças mil graças, foi dito para cortar a língua da palavra, fechar o caminho a cada palavra que ouse ser lavra, palavra, notícia, nuvem, pó… em vão, pois ser Ser Humano é plantar verde para colher maduro. Uai, Ó Xente, Barbaridade Chê !

Darlan M Cunha

CHICO BUARQUE / ROBERTO MENESCAL. BYE BYE BRASIL: https://www.youtube.com/watch?v=5oYLRRo8sTY

FRANK SINATRA. MY WAY. : https://www.youtube.com/watch?v=LQzFT71LCuc

rede(s)

COISAS DA CASA, DE CASA

Um homem e um anzol, mas onde o peixe que virá ou não virá entre o altercado das ondas, ou no silêncio de uma água lisa feito vidro ? Joga o homem suas iscas sobre o peixe, isso porque o homem, por se achar sapiens, é também celeiro de truques; isso porque o homem, por sagaz, outras ilusões ou espertezas inventa, e joga sobre o peixe uma fieira de anzóis, ou joga a rede ou joga na água uma bomba, e joga também sobre outros homens outras mil bombas, pelo que os peixes e as algas simplesmente morrem, eis a plástica prática dos dias: ene motores de popa, sonares, radares, mas há os atrasados no Tempo, sim, certos índios amazônicos tonteiam os peixes com um narcótico extraído de uma planta ou cipó de nome timbó, mas os peixes também se fizeram cada vez mais espertos contra o faminto lá em cima, e se unem, avisam, sempre atentos, enquanto comem uns aos outros. Ó vida de lutas sem fim !

A TRISAVÓ E AS PROVAS CABAIS DO CRIME BÁRBARO, HEDIONDO.

Darlan M Cunha

DORIVAL CAIMMY. O Bem do Mar.: https://www.youtube.com/watch?v=W9iiFNNOAwE

MINAS: Não queremos saber de mar aqui, à porta.

Av. Armando Vaz de Melo – Barreiro de Baixo, BÊAGÁ

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Agora mesmo, mal liguei o ímã, a necessidade, lembrei-me que um antigo e folclórico vereador em BEAGÁ teve a ideia de trazer um braço de mar para a pacata e rica capital das GERAES. Ri tanto com tal antiga lembrança, que o bendito café, ou rubiácea, ou móca, me fez o desfavor de um desperdício, ao ir ao chão. Políticos, em geral, repito, não todos, dão trabalho. Pois é, deixo de antemão a opinião maior da mineirada – dez vírgula dois por cento da Nação – de que, embora agradecidos e agradecidas, preferimos ver o mar bem longe daqui, nada de tsunami, cachorro na praia, peteca, trânsito de mil e um pedestres por metro quadrado, vôlei, sumiço disso e daquilo, lanterna pros afogados, e me lembro da música do João e do Aldir – De frente pro crime – “e um bom churrasco de gato”, coliformes fecais aos trilhões (ó hepatite, ó icterícia, ó tungíase, ó micose), gente arrastando pipa, mais crianças perdidas, pois é, com todo o respeito que nos caracteriza, a nós, mineiros da gema, fique por lá a Grande Água. Chega de problemas, de saudade, não.

Cape Code – EUA (Foto by Dona Maria)

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Um homem é um homem é um homem, escreveu o alemão Bertolt Brecht, se não me falha a cachola. Mas, e um lagarto ? Um lagarto é um lagarto é um lagarto, mesmo depois de perder uma perna num combate ou num acidente entre as pedras, e de se regenerar, crescendo-lhe outro rabo ou outra perna, será que ele ainda é um lagarto ? A resposta a esta pergunta tão relevante é: Sim, o lagarto continuará sendo um lagarto, verde ou marrom, amarelo, azul ou preto, lagarto será.

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Darlan M Cunha

ROBERTA SÁ e JOÃO BOSCO: De frente pro crime (Aldir Blanc – João Bosco): https://www.youtube.com/watch?v=clHbMIBm4eQ

as visitas, 5

clareia, manhã

Nenhuma reta no corpo do universo tudo é curva é a monotonia do espanto o que há é uma sequência infinita debaixo da qual e entre a qual nos damos aos dias com os nossos 206 ossos todos eles curvos. A própria Luz faz curva (pergunte ao Albert). A vida é curva.

Darlan M Cunha

as visitas, 2

areal do espanto

Comecei a descolonizar-me do medo há muito tempo, mas ele, necessário ao equilíbrio vital, volta, e de modo consciente eu o acolho, embora com certas reservas, porque ele é um bruto espremido entre os dois grandes azuis, e é de bom tom que se o leve a passear, de quando em vez, beber com ele águas de lindoia, água de coco, água que passarinho não bebe, enfim, ir até o areal e ao olho do furacão cotidiárido e cotidiácido.

Darlan M Cunha