formas

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pé-de-moleque

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     As fotos nas estantes absorvem minha presença, absorvo suas falas, seus gestos ama- relados, algumas delas com pintas como se gotas de ácido as tivessem atingido, mas isso não importa. Uma foto maior mostra sobre uma grande mesa, coberta por uma toalha rendada, o rosto da família, o corpo da alegria em forma de biscoitos, pudins, bolos, doces, pães, café, leite, sucos de frutas, broas, pastéis e um grande bolo centralizando a data. Velas em riste. Preto no branco, as fotos exibem meu rosto nos rosto dos convivas.

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foto e texto: Darlan M Cunha

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à mesa – 1

a-mesa

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    À mesa todos vão, secos ou molhados, bem ou mal interpretados, as gerações vão à mesa, com ou sem fardos hereditários, com ou sem moléstia pecuniária, todos se acham normais, juntam-se na extensão da mesa, abrem risos e gargalhadas, ou se fecham numa bolha – se isto acontece, estraga o prazer, lá se vai a vontade de comer, adeus paladar sobre a peixada, o arroz, a salada.

      A mesa é tão antiga quanto a vida, é a própria, e assim é que bem lhe cabe o título de professora de homens e mulheres, porque, assim como se diz que é na rua que as coisas acontecem, da mesma forma se diga que é na mesa que muitas dúvidas podem ser resolvidas. O arroz e o feijão do amor, à parte ? Não, não renegar o básico é sabedoria.

     À mesa, a pressa fique para trás, fique jogada a um canto da sala, mochila pesada, a pressa destrói alicerces sociais. Eis a mesa domingueira, bem posta.

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Foto e texto: Darlan M Cunha