Acharás a bola, talvez, o rumo de casa

suor

Somorra & Godoma

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@1.

Eis a esquina onde a Comédia foi agredida e escorraçada feito uma cadela já bêbada, vândala; mas não te assustes, porque daqui se pode sair quando nos últimos estertores, após uma sova severa, exemplar, eis a libidinosa Filosofia, após levar uma curra corretiva, por assim dizer, nesta rotatória o mundo de muitas opções ruiu diante da voracidade de uns poucos, tantos e tantas, elos são feitos e desfeitos num vu, num mesmo protesto, pelo que se depreende que toda esquina, parece, tornou-se prejudicial à saúde; mas, sem perigos à vista, sem estupores, sem a caligrafia moldando o verbo “ir”, em que se resumiria o Homo sapiens sapiens (título dado por ele mesmo) ? Não sendo de Pasárgada, vou para minhas casas sempre invejadas e invadidas: Somorra e Godoma.

@2.

Quero para mim o que não desejo para o Outro, desculpe-me o ego, mas é que sem tormentas ninguém sabe que existe algo de nuvem sobre o plano geral, e assim assumo todas as negras embalagens do céu – fico com todas elas, caro Senhor Vendeiro, que o Povo não as merece, que o Amor não padeça delas. Fico com o breu áspero desta neblina, daquela cerração, destes cúmulos e destes cirros, todos, que o dia de céu limpo, enfim, chegou. |Dou-vos.

VIAJAR É MAIS QUE O QUE HÁ ENTRE MUROS & PAREDES, FOSSOS, PONTES PARTIDAS, TOSSE REUMÁTICA, DOR DE AMOR. ESCUTE ESTA CANÇÃO.

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Foto e texto: Darlan M Cunha

AMERICA. VENTURA HIGHWAY : https://www.youtube.com/results?search_query=america+ventura+highway

Mineiros:

A ESTRELA DESTE DOMINGO, 03 novembro: SURUBIM
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Depois, o azeite.
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MINA(h)AS dúvidas arteiras

Os mineiros temos fama de sermos maneiros, calados, comermos quietos, entendermos de minérios, trens de ferro, política, alguma literatura, jaboticaba, sim, em Sabará se faz a FESTA da JABUTICABA em novembro, e as pessoas podem até mesmo alugar um pé, sò para a família _ pode crer _ dura vários dias essa festa de âmbito nacional e internacional. Pois é, mas não se esqueçam de que um mineiro trouxe o avião para o seu cotidiano, sim, essa máquina pensada a partir da Fazenda Cabangu, cidade de Santos Dumont. Portanto, como se vê, são quietos, enquanto mexem seus pauzinhos, isto é, enquanto descansam, carregam pedras. Mas é só fama, somos capiaus e capioas. Uai !

Mineiro é engraçado, todo mineiro leva consigo a fama de ser bom da telha, algo de ruim dos miolos, pensador nato e inato. Leia O Grande Mentecapto, e saberás ainda melhor do assunto que aqui se aventa, se diz.

Todo mineiro è Conspirador por essência total, e vem disso boa parte do seu encanto, mas devo alertá-los acerca de seu estopim, de sua boa fama: Entre, mas entre devagar, isso porque em Minas se dá um boi para nunca entrar numa briga, mas uma boiada para não sair dela.

Mineiro é assim de desconfiar até da hora cantada pelo galo, desconfia até de São Tomé. Mestre que ele é em fazer política, o danado inventa e reinventa neste velho campo da sociedade, já visto com receio pelo Povão, mas são todos cheios de manhas e artimanhas os mineiros. Ora, para que servem aqueles tapinhas nas costas, os afagos em crianças, os discursos improvisados, carroceria de caminhão por palanque, oratória para pedagogia nenhuma botar defeito ?

E tome voto.
Para terminar, às minhas Amadas e aos meus Caros, olhem para o mapa de Minas Gerais, e verão que SÓ ela – Minas – tem nariz, fareja longe.

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Fotos e Texto: DARLAN M CUNHA

correnteza(s) que o viver mistura usa desusa

o garoto e sua companhia – MEDINA, MG
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selas 1 – MEDINA, MG
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LOCALIZAÇÃO // MEDINA, MG, BRASIL
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CASA – 12

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Onde nasci passava um rio que praticamente sumiu sob queimadas, desmates, retiradas de areia para construções, o rio no qual as mães lavavam panelas e roupas, que depois se tornou amargura ardendo feito pimenta nos olhos.

A estrada Rio-Bahia tossia poeira de mil caminhões, jipes e carroças, burros, mulas, éguas e cavalos numa vida de mesmice igual à dos donos, animais que uma vez e outra eram enfeitados para uma festa geral. O rio sumiu, o gato comeu, o rato roeu, o urubu bicou, a galinha bebeu o rio São Pedro, em Medina, MG

mas ainda está comigo, estou vindo de suas margens, com fieiras de peixes imaginários na direita, varas de bambu na mão sinistra, anzóis de tamanhos, intenções, alvos diferentes. Agora, vão para a panela estes bagres, piabas, cascudos, traíras. Cuidado com as crianças, que traíras têm muito espinho. Hoje, o rio se parece com uma estrada poeirenta.

Onde nasci passava um rio – nadei, cavalos burros jegues e éguas montei, umbu e carne de sol provei. Cavalos, onde estão os cavalos de crina, carne, ossos, grunhidos, coices, onde, que só vejo e ouço com extrema inquietação os cavalos pomposos e ruidosos, os cavalos neurotizantes e mortais dos automóveis ?

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Fotos e texto (exceto o mapa Google): Darlan M Cunha

XANGAI. A ESTRADA DAS AREIAS DE OURO (Autor ELOMAR FIGUEIRA MELO), Vídeo de MOACIR SILVEIRA: https://www.youtube.com/watch?v=-Fm1PgOIzm8

palato

BRASIL rapadura
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CASA – 11

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Não tenhas medo do prazer, lado a lado

com ele. Antes, dê o que pensar a quem

te viu e a quem te vê contando nos dedos

trevos e trevas, rios, montanhas, várzeas

descampados, geleiras, arames farpados

sanga, salinas, planaltos, planícies, cavernas

metrôs, restingas, desertos e campos minados.

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Não recear o amanhã, a poã do caranguejo

e nem outra rusga entre o bem e o mal.

Receie Das Kapital, e os perigos da capital,

o que diz e o que não diz o telejornal,

vá para casa, ao pão na mesa contumaz

lembra que é em casa que se repõe o gás

(tens heterônimo ? ouro anônimo ?)

é lá que se pode livrar da febre terçã

e se reaprumar para o dia de amanhã.

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Foto e poema: Darlan M Cunha

TADEU FRANCO. Onde eu nasci passa um rio (Autor CAETANO VELOSO): https://www.youtube.com/watch?v=ofAMOYWpd14

acredite: existe

Num domingo qualquer, qualquer hora // ventania em qualquer direção…
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Num domingo destes fui por aí matar saudade, e me dei rumo aos famosos bairros irmãos, numa região na qual morei durante vários anos: Floresta e Santa Teresa, berço do Clube da Esquina, do Grupo de Bonecos Giramundo, etc (para ir à Floresta, subir à esquerda; para Santa Teresa é só seguir em frente, como está bem aberto o caminho nessa foto). Pois bem, desci do ônibus na Praça da Estação Ferroviária, bem cedo, e lá fui eu, todo desligado, de repente, o que vejo, Amadas e Caros? Um leitor assíduo, lendo em qualquer posição, alheio ao desconforto (reparem no travesseiro), no centro de BH, lendo tranquilo, pelo que eu o chamo de Devorador de letras palavras frases ideias.

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Foto e texto: Darlan M Cunha

NADA SERÁ COMO ANTES (LÔ // MILTON): https://www.youtube.com/watch?v=-YcVrbVhRLw&list=RD-YcVrbVhRLw&index=1

Encontros marcados

Rio Jequitinhonha // Jequitinhonha River. MG, BRASIL
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Casamento de uma prima // A cousin’s wedding. Belo Horizonte. MG, BRASIL
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Dona MARIA (ao fundo) esperando uma neta. EUA // USA
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Há quem seja do tempo no qual a sombra crescia sobre ela mesma, e até ousava desviar-se do rumo solar, rápida quanto o crescimento dos bambus, tão persistente quanto a hera agarrada ao muro, ignorando o corpo ou o objeto que lhe dá vida, porque sempre insatisfeita é a sombra ou certo tipo de sombra. Por isso, para escapar desse absurdo, eis que também há quem se tenha tornado invisível ou se tornado vidro liso, porque os seres sempre dão um jeito para transformarem seu cotidiano.

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Fotos e texto: Darlan M Cunha

// OBS.: Quem não viu, veja a postagem do dia 29 de setembro.

As cidades – calmas ou opressas, o anonimato e a incessante busca

Igrejinha do Ó >>> SABARÁ, MG, BRASIL
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As cidades são ciumentas, cientes de si, dão uma vaca para entrarem numa disputa, e até mesmo uma vacaria inteira para se fazerem entender, serem admiradas, quando não são execradas por terem um pescoço alto, pelas suas siglas de nariz arrebitado, ó, as cidades vivem o seu cotidiano, necessitam do que as outras lhe enviam, depende do que a elas ela própria vende e/ou ensina, e no meio disso tudo que possa então haver um convite aqui, e outro ali – elementar – as cidades são funis.
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Dinamismo ou a Mãe-Pressa
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Todos sabem que as cidades são funis, e assim é que os dias fazem labirintos, constroem telhados, temas para jovens enamorados, as cidades são a paixão de todos, em que pese serem estafantes, o metrô está atrasado, atrasados estão os ônibus coletivos, atrasadas, as pessoas que não veem a hora de chegar em casa, sempre atarefadas, mas com uma saudade imensa dentro de si, algo que não se localiza ao certo, uma saudade crescente, a gente ama alguma coisa, sempre, ou não sobrevive, não subvive, não vive.
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Ameno
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Sempre haverá para onde ir, onde colocar as pernas para cima, onde encontrar alguém com dois sorrisos em cada canto da boca, astrolábios, sempre haverá algum pequeno restaurante, sossegado como os olhos de tua mãe, honesto como a brisa que sopra nos calos do teu pai, pode acreditar que há lugares os quais nunca imaginaste, vamos, deixa de preguiça, leia meus textos, melhor digo:,não, não cometa este desatino, porque há possibilidades ene vezes melhores na tua própria rua. Lembra-te que sempre haverá aonde ir. Com sol e chuva, você sonhava…
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Fotos e texto : Darlan M Cunha // Antje

Cidades – tijolo por tijolo num desenho ilógico

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Da antiquérrima cidade de Ur, na Mesopotâmia, passando por Ulm (onde nasceu Einstein, na Alemanha), passando pelo Rio Urubamba, no Peru, até chegar à tua cidade, que talvez já seja também cidade fantasma, como tantas outras mundo afora, embora com repartições públicas, igrejas, ginásios e cartórios, elas parecem cidades fantasmas, porque só há mortos enquanto convivência cotidiana, e por isso as cidades tornam-se ostras (daí a palavra ostracismo, vinda do idioma grego, devido a que na época grega clássica, os incômodos ou indesejáveis, como certos políticos, agitadores culturais e generais, eram banidos de Atenas, e tinham de se mudar, cumprir seu ostracismo.

Mas em muitas cidades ainda é possível ouvir gritos de amor fazendo residência aqui e ali e acolá e além-lá da praça, num barracão ou numa mansão, o amor na via pública (mas não reduzas a tua visão sobre o que ele é), eis a superintendente em informática, emaranhada com ene terabytes, eis outro artesão cumprindo-se como tal ao fazer uma nova peça, eis a doceira levando seus petiscos ao mercado, puro amor.

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Foto: Antje. Texto: Darlan M Cunha

Quem sabe isso quer dizer amor. MILTON canta (Milton e Lô): https://www.youtube.com/watch?v=oX2tbUm5Iig