convite

Sabará, MG – BRASIL

Algum dia irei a Sabarábuçu, Raposos, Rio Acima, e ao Rio das Velhas com muitas histórias de ouro, e também voltarei a São Sebastião das Águas Claras, que todo mundo conhece como Cachoeira dos Macacos, pequenina e dócil ao tato e ao olhar, tudo aqui bem pertinho de BH, mas longe da monstrópole, sim, é claro que fui até lá várias vezes, mas sempre me esqueço como estes lugares são, vivem, aí então eu invento de ir conhecê-los, e lá vamos nós aos queijos, chouriços, couves, linguiças, jabuticabas, torresminhos, taioba, goiabada, ao angu, ao ora pro nobis e àquela cachacinha. Ó, melhor do que isso é só beijo de Mãe, e umas bicotas das moças, e muita música, porque em todos estes lugares há músicos a rodo, é difícil uma família onde não haja alguém músico, ainda que amador, mas de muito boa técnica – moças e rapazes tocando com vovôs e vovós, crianças bem ali no seu dó maior na flauta, etc. Um espanto é o país, esse mesmo de Brasília – aliás, não o mesmo.

Darlan M Cunha: foto e texto

Março: lei marcial ou [nº 3] . Mars: martial law or

bairro Barreiro de Baixo – BELO HORIZONTE, MG
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AS ALDEIAS SE RESSENTEM DE QUÊ ?: de LOCKOUT : de LEI MARCIAL ? dos PREÇOS ESTRATOSFÉRICOS ? do ONTEM ? do AMANHÃ ?

No chão o caroço de uma fruta talvez vingue, talvez não, mas o Homem vingou, andou, pelejou, xingou, traiu, suou e estressou-se cada vez mais, cooptou o Bem e o Mal, avaliou perdas e danos, refez cálculos milenares, pobres ou milionários, sua heráldica, suas condecorações, propriedades urbanas e suburbanas e até cósmicas, e o caroço da fruta já começando a afundar-se na terra, o Homem afundado em si mesmo, seu teor alcoólico, o nefasto teor religioso, a libido espargindo sua veemência, querências e querelas, o relógio por patrão, o infarto namorador, hora é ou será, és feliz, mesmo que infeliz, fingir não é fácil, senão, leiamos esse B. Brecht: “Todo dia, para ganhar meu pão, vou para o mercado onde se vendem mentiras.” Já de todo enterrado, o caroço da fruta germina no seu ritmo, seu único adubo é o sol, ah, e o sal, seu instinto de raiz, sua ciência de caules, folhas e frutos, e o Homem tornou-se um rio assoreado pelo próprio afã de tudo a todo custo querer (todos sabem disso, qualquer sábio, todo idiota, todo catatônico sabe), portanto, as aldeias do mundo se ressentem de quê ? A virologia se cumpre, natural, como tal. Lembremo-nos de Vinícius: “A hora do sim é um descuido do não.

Darlan M Cunha

What do the villages resent ?

On the ground is the seed of a fruit that may or may not survive, but the Man avenged, walked, fought, cussed, betrayed, stressed himself more and more, co-opted Good and Evil, assessed losses and damages, re-calculated millennials, poor or millionaires, his heraldry, his decorations, urban and suburban and even cosmic properties, and the fruit stone already starting to sink into the earth, Man sunk into himself, it’s alcoholic contents, it´s nefarious religious content, the libido spreading its vehemence, wants, the clock by boss, the dating infarction, time is or will be, you are happy, even if unhappy, pretending is not easy, otherwise, let’s read this B. Brecht: “Every day, to earn my bread, I go to the market where lies are sold.” Already completely buried, the stone of the fruit germinates at its own pace, its only fertilizer is the sun, ah, and salt, its root instinct, its science of stems, leaves and fruits, and Man has become a river silted up by his own eagerness to want everything at all costs (everyone knows this, every wise man, every idiot, every catatonic knows it), therefore, the villages of the world resent what ? Virology is fulfilled, naturally, as such. Let us remember Vinícius: “The hour of the yes is a carelessness of the no.”

DeepL.com

Março: lei marcial ou [nº 1]

OU CONTINUAR (esta enfermeira, muito gentil e dentro da Lei, permitiu a foto ao vacinar a minha Mãe – algo geral)
OU FICAR NA ENCRUZILHADA

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SE NÃO COM A VIROLOGIA DO DIABO ?

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CÓDEX GIGAS // A BÍBLIA DO DIABO (Escrito na Idade Média, Autor Desconhecido)

CÓDEX GIGAS   // A BÍBLIA DO DIABO

Este calhamaço está em exibição na Biblioteca Nacional da Suécia, em Estocolmo. Uma de suas ilustrações, mostrando o Diabo, tornou-se irresistível através dos séculos ao nosso imaginário. Escrito na Idade Média. Ele tem 610 páginas, mede 89 cm de altura, 49 cm  de largura, pesa 71 (75 ?) quilos, todas as páginas são pergaminhos feitos de pele de bezerros – pelo que estima-se que foram necessárias as peles de 160 bezerrinhos para fazer este livro, num espaço mínimo de cinco anos, todos os dias e noites, à luz de velas, sem essa mordomia nossa de luz elétrica a qual só apareceria uns mil anos depois. Essa beleza, este esforço monumental tem metal na capa e na contracapa. Foi escrito provavelmente nalgum mosteiro de onde hoje é a República Checa, e é mesmo, sem favor, coisa de outro mundo, de gente, do diabo. Instrutiva leitura, aprendizado de não se esquecer.

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ROUPAGEM, GÊNERO DE PRIMEIRA NECESSIDADE.

Fale, quem saiba. Ontem, no Mercado Central de BÊAGÁ, ouviu-se que “Será preciso decretar lei marcial para que tantos e tantas se toquem ? Se as mães destas pessoas precisarem de leito ou de maca, elas se lembrarão de algo. Tarde demais ?” Estas considerações duríssimas, com 101% de razões de serem ditas e cobradas, ouvidas neste domingo 28. Março já está aqui com cara de bons e também de poucos amigos. Escolher.

@2. O ALICIANTE

O Diabo no meio do redemoinho – lá está, bem assente no assombroso livro Grande Sertão: Veredas, do médico e diplomata João Guimarães Rosa. A minha avó materna Senhorinha Maria de Jesus mãe do meu pai Elviro dizia que o Diabo planta floras e jardins de grande beleza sim meu neto predileto – ela me dizia – o Diabo tem mil mais mil milhões de truques e com eles engaloba os gulosos e as apressadas e pega os incontáveis egoístas e preguiçosos, sim, pode acreditar na sua avó aqui no meio da fazenda em Pedra Azul onde o Demo já quis entrar aqui o próprio Belzebu em pessoa mas encontrou chicotes e rezas brabas e mil e um excomungos em cada mourão da cerca e água benta e baldes e mais baldes de cruzinhas de madeira misturados com caca de gato e rabo de tatu, bem picado e cachaça com ranço de mulher velha e limão-capeta [o Mal contra o Mal], e foi um fuzuê foi sim um furdunço um estropício e um estrupício e palavrões para o Tinhoso bambear sim pro Pemba desmaiar e a gente cair de solfejo para cima do Dito Cujo Infernoso e tenebroso foi aquele dia que escurou e escurou de vez sem dar um tempo nem de ir no mato fazer necessidades – qui u quê ! – foi um frege ó meu neto mais velho Darlan desmiolado você é, ó mas fazer o quê, aprende então a lição: o Diabo é cheio de truques, e se embeiça logo com o mulherio, mas é de bom alvitre dizer que a recíproca é verdadeira, nem sempre, mas é, sim o Capeta veve tocando viola, ele canta uma musga muito perigosa que tem o refrão assim: “Tem, mas acabô.”. Muito cuidado com essa musga do Pé Torto. Por falar nisso, entre outras perdição, você toca violão, meu neto desmiolado ? Não, Vó, eu até ia aprender, mas é difícil, e eu desisti. Vou ser só, e só humano…

Darlan M Cunha

dedos

Chaminés da extinta fábrica de cimento PORTLAND ITAÚ, Cidade Industrial CONTAGEM // BELO HORIZONTE, erguida entre 1940 e 1960, demolida em 1970, devido aos insistentes e até violentos protestos contra a poluição – Repare: naquela época. Hoje, as chaminés de 60 e 70 metros são atração turística num centro comercial – Shopping ITAÚ.

Longos, hábeis e inventivos são os dedos dos bichos homem águia macaco papagaio, são falanges dedicadas à luta no trabalho e a outras lutas, rotas de sede e de fome, rotas cósmicas e de poeira, os dedos são sombras, instrumentos que tocam instrumentos, dedilham o barro e tiram da terra as tuas panelas, os metais da casa e do automóvel, fazem desenhos nas paredes – sombras que intrigam e divertem as crianças, enfim, eis os dedos

Darlan M Cunha

AQUI / HERE: https://www.poemhunter.com/poem/certain-uncertain-paths/

abobrinhas alhos peixadas saladas jiló angu salsa batatas azeite quiabos açafrão coentro malagueta pescoço de peru rabanetes carás taioba coxões de frango (assados)… cansaço feliz

Vida de Chef

LEMBRANÇAS DA QUERIDA, DOCE E FEROZ AVÓ PATERNA

De quando em vez eu fico mais que meio abilolado, e vou para a cozinha, às vezes, sem nada saber do que e de como vai ser a abordagem do dia do chofer de fogão. Mas… na chuva é para se molhar, diz o povão, sem nunca saber de fato o que ele diz, mas povo é povo, tem seu lugar, hehehe. Certa vez, a minha avó materna – Senhorinha Maria de Jesus – lá na fazenda em Pedra Azul, no Vale do Jequitinhonha, Norte de Minas, pegou-me pela orelha e torceu até eu urinar nas pernas. Explico: é que eu, entretido com as empregadas, risinhos aqui e ali, deixei o leitãozinho passar UM POUCO DO PONTO, foi o que bastou para que a temida vovozinha pegasse seu neto mais velho, tão querido, e lhe desse uma aula “de como não se distrair, quando cumprindo dever na cozinha.” Minha querida orelha esquerda dói até hoje, avermelhada, levemente inchada. Vó, você é O CARA, e Deus a tenha aí no céu. Irei para outro lugar, PEDRÃO me odeia, minhas páginas no livrão dele estão cheias de pecados e crimes reais, quanto de invencionices, pelo que estou frito, para não dizer condenado. Tô nem aí ! Vamos aos petiscos do dia: Hoje, quarta 10, farei carne cozida com cenouras inteiras, quiabo com moranga, arroz. Uma salada de tomates e almeirão. Goiabada e queijo canastra, de sobremesa.

Darlan M Cunha

Memórias de um viandante

OURO PRETO, MG – BRASIL. Essa foto tem 35 anos, feita por mim e o meu dileto amigo ANDRÉ ROELENS, engenheiro, brasileiro de origem franco-belga, já falecido, no que não achei graça nenhuma, anos depois desta foto e outras. AMIGO com A maiúsculo.

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UMA ALDEIA

Chegado a uma cidade onde o normal é visível, viu um fio de leveza em cada canto da aldeia, pessoas vistosas, com garbo natural, mas, estranhamente, não há monumento, estátua, enfim, nenhum vestígio de louvor ou de subserviência na aldeia, dando ela a impressão de que os habitantes não se importam com o que houve por lá (no presente do indicativo, porque a aldeia está viva e pujante, nem pequena e nem grande), então, é um ledo engano pensar desta forma acerca de tal lugar no qual o lema ordem e o lema progresso vão de mãos dadas, com os pés num ritmo plausível, e nada de marca-passo no peito ou conversas inúteis, como é a praxe geral. Em cada esquina, um visual diferente, ou quase, placas de ouro de prata e de bronze dando conta de onde se está, mas não se acha absolutamente nenhuma pichação, como se não houvesse tinta por lá, mas é que as leis são severas, são de decapitação pública para cima, de se ser esfolado vivo, de se apertar o pescoço até que o esfíncter exploda, e por aí vai a paga por uma infração. No entanto, para sua surpresa, uma vez no hotel, em nenhuma torneira dourada não havia gota de vida, sinal nenhum. Não existe água naquela cidade, não, e foi então informado disso e daquilo, e entendeu que banhos por lá são à base de finíssima areia naturalmente perfumada, e que o fato de não terem água explica seu desapego absouto a tantas e tantas idiotices – inclusive mausoléus e estátuas, monumentos e museus de quaisquer assuntos, e o viandante tornou-a sua, de imediato.

Darlan M Cunha (leia a postagem anterior: CARTA À MÃE, nº 146)