clima

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Logo que aconteceu a tremenda enchente na Alemanha e na Bélgica fiquei ciente, através de contatos de gente amiga. Minha falecida companheira era alemã, Antje, química, tinha apreço pelo país físico Brasil, mais do que propriamente por certas atitudes de quantas pessoas. Naturalmente, lembrei-me dela, de grande correção moral, aberta ao sorriso. Vendo imagens do tipo das quais estamos acostumados por aqui, e em muitos outros lugares do planeta, não me deixei prostrar, não que me tenha tornado insensível, como tanta gente mundo afora, cada qual sofrendo de modo diferente sua carga, o que se deduz é que a anestesia social que construímos gota a gota não será revertida facilmente – se é que se poderá. Em qualquer lugar.

Darlan M Cunha: foto e texto

cotidiário

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@.1

O pão tem a idade da Humanidade, tem mãos calosas e pés grossos, sua trajetória é de uma diversidade incrível, da mesma forma que são seus ingredientes, misturas, formas, tamanhos, cores, odores, preços, enfim, o pão é o cara, e merece museus do pão mundo afora, no RS tem um museu do pão, em Ilópolis (http://www.ilopolis-rs.com.br/siteantigo/site/pagina.php?id=15,) e também na pequena cidade de Seia, em Portugal (https://www.museudopao.pt/,), o pão está de tal forma tão dentro da gente que, faltando, ele faz revolução, já nos deu museus, livros e enciclopédias, deu canções e poemas, esculturas e pinturas, e então nós temos pães de milho, soja, trigo, chocolate, aveia, alho, arroz, cenoura, batata, mandioca, pão com orégano, ameixa, enfim, ao entrar numa padaria as nuvens vão te buscar.

@2.

Grupos de autoajuda <> Selbsthilfegruppen <> Self help groups <> Grupos de autoayuda

Vi na televisão alemã, por acaso, algo sobre este assunto, e me perguntei uma vez mais acerca da presença de mãos desconhecidas em nossas vidas, sim, porque o mundo está feroz a tal ponto que todos os dias necessita de remendos.

Darlan M Cunha

humano: road / camino

UMA LONGA E SINUOSA ESTRADA DE ENCONTROS & DESENCONTROS: Homo sapiens sapiens // A LONG AND WINDING ROAD OF MEETINGS AND MISSED MEETINGS: Homo sapiens sapiens

Para TODOS E PARA NINGUÉM // FOR EVERYONE AND FOR ONE // FÜR ALLE UND FÜR KEINEN (Zarathustra), FRIEDRICH W. NIETZSCHE

Para SEBASTIAN ITURRALDE: https://relatocorto.com

Para CRISTILEINE LEÃO: https://depressaocompoesia.com

Para HANG FERRERO: https://opontoafinal.wordpress.com

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O filósofo alemão Friedrich W. Nietzsche (1844-1900) dedicou seu grande livro ASSIM FALOU ZARATUSTRA, com estas palavras, as quais, sem mais e sem menos, lembrei-me agora, fim de madrugada: Um livro para todos e para ninguém. Mas não vim tecer comentário sobre este livro “da pesada”. Ontem, no Mercado Central, sempre com boas surpresas, muita luta e também muito riso, ouvimos alguém dizer algo acerca dos milhões de afetados em todo o planeta – mortos e contagiados -, uma frase terrível: Vai ficar difícil: se a negligência mundial continuar, não haverá quem contará os mortos.” E mais não se diga. Abraçamo-nos, e a cerveja ficou esquentando, o café brasileiro ficou esfriando.

The German philosopher Friedrich W. Nietzsche (1844-1900) dedicated his great book AS ZARATUSTRA SPEAKED, with these words, which, without more or less, I remembered now, late in the morning: A book for everyone and for no one. But I did not come to comment on this “heavy” book. Yesterday, in the Central Market, always with good surprises, a lot of struggle and also a lot of laughter, we heard someone say something about the millions of people affected all over the planet – dead and infected – a terrible sentence: “It’s going to get difficult: if the worldwide negligence continues, there will be no one to count the dead.” And say no more. We hugged, and the beer kept getting warm, the Brazilian coffee kept getting cold.

El filósofo alemán Friedrich W. Nietzsche (1844-1900) dedicó su gran libro, COMO HABLÓ ZARATUSTRA, con estas palabras, que, sin más ni más, recordaba ahora, a última hora de la mañana: Un libro para todos y para nadie. Pero no he venido a comentar este libro “pesado”. Ayer, en el Mercado Central, siempre con buenas sorpresas, mucha lucha y también muchas risas, oímos a alguien decir algo sobre los millones de afectados en todo el planeta -muertos e infectados-, una frase terrible: “Se pondrá difícil: si la negligencia mundial continúa, no habrá nadie para contar los muertos“. Y no digas más. Nos abrazamos, y la cerveza se fue calentando, el café brasileño se fue enfriando.

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Darlan M Cunha: foto e texto

(apoio nas traduções de DeepL.com) Alemanha / Deutschland / Germany / Alemania

fluxo

Bu… guardiã

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Hoje, Ontem, Anteontem, Trasanteontem e Sempre, sempre é tempo de acontecer

Será preciso muito mais do que o caldeirão da Maga Patalógica, ou de um tipo assim tão misterioso quanto o monge Rasputin, para que se dê fim à Grande Onda Aérea Mundial. O monge tornou-se tão ou mais falado, temido e invejado pelas bebedeiras e libidinagens, do que pelos alívios feitos de poções, mezinhas, chás, suadouros, oferendas, rezas bravas e orações silenciosas, e de retiros espirituais, e por aí vai, visando melhorar a saúde do jovem príncipe Alexei, filho da Czarina Alexandra e do Czar Nicolau II, irmão das princesas Tatiana, Anastácia, Maria e Olga (a família foi executada aos 17 de julho de 1918, junto com seus fiéis serviçais, sem cerimônia, a não ser a do ultraje, a mando de Moscou, via mãos do Soviete Regional dos Urais / Partido Bolchevique. Enterrados aqui, ali e acolá, segredo absoluto, as ossadas só foram descobertas e analisadas no DNA há poucos anos, longe da casa de campo na qual estiveram prisioneiros durante meses, numa agonia muito difícil de ser imaginada (diz-se que do busto das princesas e da czarina diamantes saltaram, guardados para um eventual exílio, ou fuga para a Alemanha). Pois é, não se sabe como, o monge que fora até São Petersburgo foi levado ao palácio, e lá ficou, boa verve, ele, camponês que tinha fama de curandeiro com poderes assombrosos, o que lhe deu a proteção da Czarina, cujo filho, herdeiro do trono de todas as Rússias, sofria de hemofilia. O monge teve morte pavorosa: envenenado por amigos que o convidaram para uns tragos numa residência, foi atirado várias vezes, pois o gigante não morria, e até investia; depois, arrastado na gloriosa neve e no duro gelo da Mãezinha Rússia (assim o povo russo chama a Rússia: Mãezinha).

Pois é, eis os apavorados e as tristes de Hoje saibam que será preciso muito mais do que simples varredura na Showciedade, mas confio nas amigas e nos parentes da minha amiga da foto aí acima – Madame Bu. Mesmo assim vai ser difícil, não impossível, desde que os folgados e as doidivanas se toquem diante da morte passeadora. Confio na Bu, e já a liberei de estar à minha porta, para que dê caça infrene ao Pavor do Mundo, até espantar de vez O Assombro Gidantesco, Sinônimo de Falta de Ar, de Famílias Devastadas, Camas Ausentes.

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Today, Yesterday, the day before yesterday, the day after yesterday and always, it’s always time for it to happen

It will take much more than the cauldron of the Patalogic Maga, or a guy as mysterious as the monk Rasputin, to bring an end to the Great World Air Wave. The monk has become as or more talked about, feared and envied for his drunkenness and libidinousness, than for the reliefs made from potions, meadows, teas, sweats, offerings, wild prayers and silent prayers, and spiritual retreats, and so on, aimed at improving the health of young Prince Alexei, son of Czarina Alexandra and Czar Nicholas II, brother of Princesses Tatiana, Anastasia, Maria and Olga (the family was executed on July 17, 1918, along with their loyal servants, without ceremony, except for the outrage, at the behest of Moscow, via the hands of the Regional Soviet of the Urals / Bolshevik Party. Buried here, there and everywhere, in absolute secrecy, the bones were only discovered and analyzed for DNA a few years ago, far from the country house where they were imprisoned for months, in an agony very difficult to imagine (it is said that diamonds sprang from the bust of the princesses and the czarina, kept for an eventual exile, or escape to Germany). Well, no one knows how, the monk who had gone as far as St. Petersburg was taken to the palace, and there he stayed, a peasant with a reputation as a healer with amazing powers, which gave him the protection of the Czarina, whose son, heir to the throne of all the Russias, suffered from hemophilia. The monk died a gruesome death: poisoned by friends who invited him for a few drinks at a residence, he was thrown several times, for the giant would not die, and even invested; then dragged through the glorious snow and the hard ice of Little Mother Russia (as the Russian people call Russia: “Little Mother”).

So, here are the terrified and sad people of today, who know that it will take much more than a simple sweep of the Show Society, but I trust the friends and relatives of my friend in the picture above – Madame Bu. Even then it will be difficult, not impossible, as long as the slackers and nutjobs are touched in the face of strolling death. I trust Bu, and I have already released her to be at my doorstep, so that she can hunt the dread of the world to the end, until she scares away the Gidantesque Haunting, Synonymous with Breathlessness, Families Devastated, Beds Absent.

Darlan M Cunha

bem mal

erva-cidreira
boldo

Pulsar

Todos comungam o mesmo silêncio,
bujões e manômetros sem gás nem fluido
metrônomos sem música e amores afastados
em todos os cantos do mundo
há feixes de feno e de dúvidas, apertados
feito galés e cosmonautas nos braços do Tempo
a memória já em prantos
e nenhum relógio nem estojo nem piadas
há somente os olhares incapazes de discernir
e as mentes quase alheias ao Todo e ao Nada,
o silêncio vai partir com os dentes da apreensão
à vista, mas as pessoas que vão embora
esperam por luz riso pão.
O mundo é grande e pequeno, estás a sós.

*

Pulsar

Everyone shares the same silence,
stoppers and manometers without gas or fluid
metronomes without music and distant loves
in every corner of the world
there are bundles of hay and doubts, tight
like galleys and cosmonauts in the arms of Time
memory already in tears
and no clock or case or jokes
there are only the looks unable to discern
and minds almost alien to All and Nothingness,
the silence will break with the teeth of apprehension
at sight, but the people who go away
wait for light laughter bread.
The world is big and small, you are alone.

*

Darlan M Cunha

outro incerto entardecer: o Homem no chão

E LÁ SE VAI MAIS UM DIA

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Dos roedores e insetos, dos galináceos e batráquios ao Homo sapiens sapiens

A frase terrível de Dostoiévski cabe aqui: Todos nós somos culpados de tudo. Essa outra também tem uma estirpe nada engraçada: Sou o mesmo de ontem: mas diferente. (DMC). Pois bem, todos e todas com máscara e gel, sob o pavor constante do invisível, embora seja bem visível sua presença, cuja origem ainda é de fato desconhecida. Quebrou a espinha dorsal do mundo vasto mundo gasto mundo.

Enquanto isso, o povo perambula, deambula e vira bula, mas o mundo arcará com sequelas por duas décadas, ou mais, bem perceptíveis a olho nu e cru, outras tantas percepções serão sutis, mas o fato é que aqui e ali e acolá e além-lá todo mundo está sonso, o desânimo em cada poro, a gente toda toda raivosa, fora de si, de um modo ou de outro, insones, cuja vigília dá em êmese e pirexia, sim, vômito e febre, e eis que o céu da boca tornou-se deserto, mas os e as farristas continuam de vento em popa, e por isso ouvi ontem no Mercado Central de BH a pergunta erudita: Torquemada (foi Inquisidor-Mor da Inquisição Espanhola), o que foi feito do garrote vil da Idade Média, e de antes, de depois, contra estes necrófagos, estas zinhas ?

Onde uma cama ou maca com pregos e selos para o fim deste Terror ? Não há cama para o drama que assola senhores e damas, reis e rainhas e suas ladainhas ? este que fustiga reis do rock progressivo, tanto quanto atrizes do mundo lascivo; que desarma da vida jovens e até crianças, que suga as notas musicais que tu e eu ainda temos que tocar, e que se abate sobre nós feito um cardume de piranhas, feito o veneno do baiacu, as pinças da jararaca e o veneno letal, este, sim, dos preços nas bancas ?

Darlan M Cunha

MPB-4 canta SIDNEY MILLER.Pois é, pra quê. : Pois é, pra que – MPB 4 – YouTube

MPB-4 canta MAGRO e PAULO CÉSAR PINHEIRO. Canto dos Homens – MPB4. – YouTube