pó / dust

Belvedere – BELO HORIZONTE

SEM NENHUM AMÉM, NENHUMA CONTEMPLAÇÃO

E o Homem criou a Sombra que cobriu tudo, e se descobriu Senhor de Anéis sem valor prático algum, e se tornou blasfemo, bunda e peitos de fora, a cabeça tão vazia quanto uma cabaça rolando num areal, nalgum ermo do mundo, sim, è vero, o Homem inventou a Sombra, e o planeta ficou de joelhos ainda mais quando Ele deu de inventar a maior das Sombras: a Religião, ou seja, Catarse de nada ou de décima categoria abaixo do Nada, assim é o Sapiens, uma coisica hoje ajoelhada, submissa diante do Supremo Senhor da Vida e de sua Antítese – Corona.

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WITH NO AMEN, NO CONTEMPLATION

And Man created the Shadow that covered everything, and discovered himself to be Lord of the Rings without any practical value, and became a blasphemer, butt and breasts hanging out, his head as empty as a gourd rolling on a sandy beach somewhere in the middle of the world, yes, it is true, Man invented the Shadow, and the planet was even more on its knees when he invented the greatest Shadow of all: Religion, that is, Catharsis of nothing or tenth category below Nothingness, so is Sapiens, a thing today kneeling, submissive before the Supreme Lord of Life and his Antithesis – Corona.

Darlan M Cunha

temática do assombro

SENTINELAS DECAPITADAS, MAS SENTINELAS, TESTEMUNHAS

Para espanto e regozijo, sem procurá-la, encontrei essa foto, feita há 15 ou 20 anos, mas eu não sei precisar o lugar, embora ache que foi numa das inúmeras caminhadas e corridas, mas acho que foi aqui perto da cidade de Nova Lima, ou de Raposos, a pé, sempre, ou foi depois do bairro Belvedere, aqui em BH. De todo modo, ela me agrada, até porque a cor é natural, eu não me lembro de tê-la tirado de sua roupagem original, até porque ainda nem sabia fazer isto. Ela me fez pensar, uma vez mais, na incrível rapidez da vida. As pessoas dizem: Um dia a mais. Outras dizem: Um dia a menos. Enquanto isso, os dias assobiam, e vão em frente, e muita gente fica pelo caminho, filosofando, com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar – de acordo com a canção do Raul Seixas.

Darlan M Cunha

RAUL SEIXAS. Ouro de Tolo. Raul Seixas – Ouro de Tolo – YouTube

POST nº 1010

Grande área (chácara, sítio) do HOSPITAL EDUARDO DE MENEZES – BELO HORIZONTE, MG

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Dirás, suave, o que suave deve manter-se;

irás de bem com a clareza por caminhos

andados e não, ouvindo o Nada, poderás

descascar ou debulhar ou limar

uma pedra a contento, até que se tornem

diferentes, para melhor – mas isto será sempre

relativo: os contrastes grande e pequeno,

melhor e pior. Irás, porque ir é o que há.

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Darlan M Cunha

Rio Nu, China

Nu River 3. Photo by ADAM DEAN, National Geographic
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Rio de peixes, limpo. Em toda a China o bambu é lei em construções tais como pequenas represas, casas, currais-de-peixe, cercados, instrumentos musicais, esqueleto de pipas, móveis, talheres, esteiras, cestos, balaios, artesanato. Águas com sombras e sobras de História ou sem história, sem falar nas paisagens cabralinas: Para os bichos e rios / nascer já é caminhar.* São assim o rio Nu, o das Velhas, das Mortes, Neva, Zambeze, Capiberibe, Don, Araguaia, todos; mas, assim como a girafa e muitos outros animais caminham logo que nascem, isso não acontece conosco, pois a nossa infância ou dependência é a mais longa de todas. Pensar nisso pode nos mostrar a dimensão enorme da nossa infância, e a vida toda sempre em suspense, tão curta para tantos propósitos irrealizados por motivos vários.

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RIO NU // NU RIVER3 by ADAM DEAN. National Geographic: https://www.nationalgeographicbrasil.com/photography/2017/07/nu-o-ultimo-rio-selvagem-da-china?image=191226-15732141871373

Texto: Darlan M Cunha

RAPHAEL RABELLO. Passarim (autor: TOM JOBIM): https://www.youtube.com/watch?v=N-zFtxOQMGk&list=PLymq7AmkdSRkRxDlM4TKe0_aXJtFyxY4m&index=3

Aqui eu fico, e vou nadar pelado – sem essa de “otoridade” vigilante.

Abrindo-se
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O palhaço é triste no interior dele,

não no vermelho sobre o nariz,

ele se sabe corte sem sutura

no palco só luzes ou cinzento

enquanto se prepara para o sonho

pois as crianças querem rir

de quem pouco ri consigo mesmo,

ele vai pouco a esse êxtase, ou chega

minimo, o palhaço gasta sua alegria

esbanja a sua penosa energia

no esforço de sanar a alergia

que a todos esmaece, noite e dia.

Senhoras e Senhores, Crianças… o Palhaço.

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Durante algum tempo foi palhaço que decorava textos ao contrário, piruetas e caretas horrendas, do tipo anamorfoses, ou seja, deturpadas caretas no espelho no quarto, o qual vendeu para completar pagamento de uma dívida asquerosa, coisa de submundo no qual não se deu bem, mas, cabeçudo que nem égua ou mulo que é, embora tenha melhorado, nele permanece.

Um dia, ou perdeu, ou roubaram-me o nariz, aquela pelota vermelha, e para completar seu macaréu particular (macaréu é onda imensa arrastando tudo, ou seja, a pororoca), seus sapatos de bico arrebitado já estavam gastos demais de tanta lambança, e o ordenado do tamanho de olhos de formiga estando sempre atrasado, fez então assim às pressas um emplastro de urucum, deixou-o secar um pouco, colou-o no seu pobre nariz rastreador de fuligem e outras tristezas de nome poluição, e foi à luta. Nada dizia da polução noturna.

Nada de rirem deste pobre circense de riso avariado (Don Quixote era “o cavaleiro de triste figura), mas as crianças precisam dele, e por isso deve ir ao cadafalso, deve cunhar neles e com eles a moeda do Riso.

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Foto e texto: Darlan M Cunha

EGBERTO GISMONTI >>> PALHAÇO >>> https://www.youtube.com/watch?v=_9IH_VSg_R0

fruto & fruta, Luz & fado

Pequi >>> Caryocar brasiliense
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Ciriguela, Ceriguela, Seriguela >>> Spondias purpurea
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LUZ é o seu nome, 14, espertíssima, a inquieta dosagem natural da idade, e mais não digo, porque preciso descansar após estar sempre respondendo o que sei e, mais, o que não sei. É preciso acordar e sorrir, andar sobre os campos floridos ou de mata escura dos livros, conversar ou desconversar com estranhos, ligar-se aos moinhos de vento, ser vento, escada, espátula, vinho, trilha, escala musical, visitar o Zero Absoluto -273,15º C, é de bom alvitre lembrar-se que se tem ou se teve pais, e o que a eles, impagável, se deve, sim, saber se o país importa-se muito, pouco ou nada com a incógnita de nome Amanhã. É preciso acordar e não dormir mais, sem deixar de lado o riso, ou o risco de isolamento aumentará. De luz seja a trilha.

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Fotos e texto: Darlan M Cunha

MARTA PEREIRA DA COSTA, CAMANÉ > Fado laranjeira (guitarra portuguesa): https://www.youtube.com/watch?v=qXr0zVt-BxY