tema aflito

ARTISTA: Ai Wei Wei (CHINA), Numa Exposição em BELO HORIZONTE, MG – Abril 2020, Centro Cultural BANCO do BRASIL

O Incógnito

Ele viaja no núcleo do vento
pois o vento aceita tudo
e então se aproxima, rasteiro
e silencioso feito um réptil
abraça amigas e amigos teus
e dentro deles sussurra
e abre suas gotas de ciência –
e apenas isto é o que basta
para ser o terror do Mundo
com seu veneno pulmonar,
pois enquanto as aldeias
brigam ou fazem festa
ele mostra o rosto de Sombra,
vindo de longe ou de perto,

até que se cansa de sua solidão
e se transforma em pesadelo geral.

***

The Unknown

He travels in the core of the wind
for the wind accepts everything
and then it approaches, creeping
and silent like a reptile
embraces your friends
and within them whispers
and opens its drops of science –
and this alone is enough
to be the terror of the World
with your lung poison,
for while the villages
are fighting or partying
he shows the face of Shadow,
coming from far or near,

until he tires of his loneliness
and becomes a general nightmare.

Darlan M Cunha

E agora ? And now ?

O viajante silencioso

*

Demasiado desumano

ele viaja no núcleo do descuido

após um silencioso trabalho

vai cortando os dias

e roendo as noites

e nenhuma estrela social está livre

de sua escala de fobias.

Ele invade o núcleo social

desperto do anonimato

abre a canção do desespero

não imita: sabe

do trigo e da falta

da alegria, enfim, em falta.

Quando de nada se abre mão

e a vida já não é moeda

de tudo se faz mais questão

mas, sem aviso, sutil

(com um número na testa)

o Nada se espalha

pelo desleixo geral – usura

da boca até as mãos.

***

The silent traveler

*

Too inhuman

he travels in the core of carelessness

after a silent work

it cuts through the days

and gnawing the nights

and no social star is free

from his scale of phobias.

He invades the general core

awakened from anonymity

opens the song of despair

he doesn’t imitate: he knows

of wheat and lack

of joy, at last, in lack.

When nothing is given up

life is no longer currency

everything is questioned

but, without warning, subtle

(with a number)

the Nothingness spreads

through general neglect – usury

from mouth to hands.

Darlan M Cunha

DeepL.com // Tradutor

suave

O olhar agudo da espera

Dentro de toda espera poderá haver outra costura, // e decerto há muitas, antigas, ganhas ou perdidas. Se toda espera é rumo desejado, // alado ou lerdo, a ele não se dê as costas, // neste rumo alguma resposta espera – feito janela.

A ameaça

Consta que toda ameaça clara tem lado oculto. // Resta ir de passo raso ou fundo, // que a outra face é logo // ali, talvez ainda hoje, mas certamente // amanhã ela surja no seu melhor // estilo – cantando feito cigarra ou grilo.

Darlan M Cunha

Março: lei marcial ou [nº 3] . Mars: martial law or

bairro Barreiro de Baixo – BELO HORIZONTE, MG
*
AS ALDEIAS SE RESSENTEM DE QUÊ ?: de LOCKOUT : de LEI MARCIAL ? dos PREÇOS ESTRATOSFÉRICOS ? do ONTEM ? do AMANHÃ ?

No chão o caroço de uma fruta talvez vingue, talvez não, mas o Homem vingou, andou, pelejou, xingou, traiu, suou e estressou-se cada vez mais, cooptou o Bem e o Mal, avaliou perdas e danos, refez cálculos milenares, pobres ou milionários, sua heráldica, suas condecorações, propriedades urbanas e suburbanas e até cósmicas, e o caroço da fruta já começando a afundar-se na terra, o Homem afundado em si mesmo, seu teor alcoólico, o nefasto teor religioso, a libido espargindo sua veemência, querências e querelas, o relógio por patrão, o infarto namorador, hora é ou será, és feliz, mesmo que infeliz, fingir não é fácil, senão, leiamos esse B. Brecht: “Todo dia, para ganhar meu pão, vou para o mercado onde se vendem mentiras.” Já de todo enterrado, o caroço da fruta germina no seu ritmo, seu único adubo é o sol, ah, e o sal, seu instinto de raiz, sua ciência de caules, folhas e frutos, e o Homem tornou-se um rio assoreado pelo próprio afã de tudo a todo custo querer (todos sabem disso, qualquer sábio, todo idiota, todo catatônico sabe), portanto, as aldeias do mundo se ressentem de quê ? A virologia se cumpre, natural, como tal. Lembremo-nos de Vinícius: “A hora do sim é um descuido do não.

Darlan M Cunha

What do the villages resent ?

On the ground is the seed of a fruit that may or may not survive, but the Man avenged, walked, fought, cussed, betrayed, stressed himself more and more, co-opted Good and Evil, assessed losses and damages, re-calculated millennials, poor or millionaires, his heraldry, his decorations, urban and suburban and even cosmic properties, and the fruit stone already starting to sink into the earth, Man sunk into himself, it’s alcoholic contents, it´s nefarious religious content, the libido spreading its vehemence, wants, the clock by boss, the dating infarction, time is or will be, you are happy, even if unhappy, pretending is not easy, otherwise, let’s read this B. Brecht: “Every day, to earn my bread, I go to the market where lies are sold.” Already completely buried, the stone of the fruit germinates at its own pace, its only fertilizer is the sun, ah, and salt, its root instinct, its science of stems, leaves and fruits, and Man has become a river silted up by his own eagerness to want everything at all costs (everyone knows this, every wise man, every idiot, every catatonic knows it), therefore, the villages of the world resent what ? Virology is fulfilled, naturally, as such. Let us remember Vinícius: “The hour of the yes is a carelessness of the no.”

DeepL.com

eixo

Pátio do Shopping ITAÚ POWER SHOPPING. Cidade Industrial, CONTAGEM, MG

A Sociedade assim enviesada, descaída, com tantos rumos abertos todos os dias que até perdeu a noção do Onde, do Quando e do Por Quê ? Bom, se o próprio eixo da Terra é fora de prumo, seus habitantes seguem a praxe, e logo estaremos de todo, todos e todas, de cabeça para baixo, ponta-cabeça, e o mundo girando a 27 mil km/h, nada mau para uma bela vertigem e vômito. Fico aqui dentro do pijama, café, chuva no teto, silêncio, o básico.

Darlan M Cunha

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Bisavó e bisneta espantando o Caos

Falar o que… Amadas e Caros ?

MENSAGEM ao PEQUENO GRANDE SENHOR

@1. Distúrbios rueiros

Quantos nervos explodem, quantos impropérios são ditos em cada um dos 1440 minutos de todos os dias em aldeias como o Rio de Janeiro, Nova Iorque, Jerusalém, Beijing, Mumbai, Buenos Aires, Cidade do México, Lagos, Cidade do Cabo e nas minúsculas aldeias do mundo ? Porém, uma vez que se tenha de ir às ruas, o mínimo seja evitar jogar dados com o medo, onde os enganados morrem sem nome, sobrenome, telefone.

@2. Senhor Pequeno Gigante

É preciso que se diga bem alto que a estrutura social está vergada para muito além do suportável, algo assim feito um pequeno barco num mar em noite de Satã, breu de piche, siameses comendo um ao outro, pelo que logo se vê o peso da tua intromissão nos cotidianos do Mundo, Senhor de Sutilezas Vis e da Imantação Generalizada.

Ainda não há ponto final à vista, embora o esforço contínuo de 25, sim, 25 horas por dia em busca do néctar que apazigue os corações e as mentes no Planeta de Eixo Inclinado. Os políticos, em seu Areópago, sua Ágora, sua Praça, no alto e no baixo clero, contam desmedidas ações, até mesmo o benfazejo erotismo já levado por caminhos estranhos, ao que se sabe. Eis o homem já sem nome e sobrenome, um homem sem qualidades, conforme o título de um livro.

Pequeno Senhor Gigante

devastar é o teu único verbo, é de avivar câmeras dentro deste túnel pavoroso onde a falta de ar é o que há, onde os brônquios gritam para eles mesmos, verbo preferencial ao portador e afins é o que esse verbo é, e não me desculpe por essa dura intimidade fincada aqui, são coisas da vida, diz o povo, o mesmo povo que está sob cutelo, garrote vil, pau-de-arara, enfim, posto a ferros, sob o suplício muito destruidor da insônia, taquicardia, o SNC avariado, prejuízos de todos os calões ou para todos os jargões, alguns que a Bolsa de Valores sequer desconfiava, suicídios, mas sempre há os obesos, a lei das ofertas tingidas de gold, tintas de blood.

Senhor Pequeno Gigante

a nós – 8 bilhões – não nos interessa de onde vieste sob esta nomenclatura que é a sinonímia mais completa de devastação, e já penso no ano de 1666, entre outros do mesmo negrume, lembro-me aqui e agora da canção os ratos soltos na praça // os ratos mortos na praça. O caos e a breve arquitetura do choro, poema com muito ar.

Pequeno Senhor Gigante

tua mala está pronta, o caminho todo embandeirado até a porta das aldeias com fogos de armistício para a tua partida, porém, os laboratórios ainda ferverão por um longo tempo. Nenhuma dúvida sobre as agulhadas por virem, eis toda a Humanidade de joelhos, tudo isso nos fala fundo, e mais me lembra O Dicionário do Diabo – o livro do Bierce.

Darlan M Cunha