cotidiano 2

DSC02049

***

images

pre.univesp.br

 

 

 

 

***

       O verbo murar está na moda, muito embora sempre tenha deixado suas pegadas na história, como os fossos e as pontes levadiças dos castelos medievais, a suicidade de três risíveis donos, a muralha da China, a muralha de Trajano e muitas outras barreiras ainda mais antigas, bem como as fortalezas japonesas da era dos samurais, nas quais, mesmo se o inimigo conseguisse entrar, após ene peripécias, dificilmente sairiam vivos dos labirintos e seus truques contra invasores. No tempo do homem das cavernas, é de se pensar que os morcegos tenham sido treinados para cuidar do sono dos inquilinos do momento, abrindo seu sonar ainda primitivo, gritando feito malucos, caso alguma tribo tentasse invadir a toca de seus amos, e assim por diante (depois o som dos morcegos tornar-se-ia inaudível a nós). Sabemos que os muros sempre tiveram simpatizantes, por esta ou por aquela razão. Pensando nisso, cada qual constrói para si e, muitas vezes, contra si, verdadeiros baluartes, dos quais nunca mais escapam. Beco sem saída é coisa de gente, é um ovo muito antigo. Ah: os castores, entre outros prevenidos, constroem fortalezas ou barragens, modificando rios, pelo que não estamos sozinhos no afã de construir muralhas muros paredes grades cercas redes labirintos becos abismos e túneis de fuga. Muro, no melhor dicionário de um idioma inexistente, significa ilusão de segurança. Tanto é que todos os dias muitos veem cair o grande muro que os separa da demência total: o emprego. E agora, José ? Há muitas obras sobre tal assunto, mas essa crônica me basta. Entre les Murs. Border Walls. Murs, voyage le long des barricades. Os Muros que nos Dividem. The Wall. Wall Street. Father and Son... De uma forma ou de outra, todo conceito tem germe mural.

*****

Foto e texto: Darlan M Cunha

Duas imagens trazidas da INTERNET:  mundo geografia  //  pre.univesp.br

Anúncios

filho da água

DSC01916

piramutaba

***

     Sempre se diz que peixe morre é pela boca. Pensando nisso, acho que Brasília deve ser um mercado de peixe maior do que o de Tóquio – TSUKIJI, o maior do mundo. Há tantos mortos pela boca na terra do lago Paranoá, que deve ser uma fedentina inenarrável., da qual, apavorado, fujo. Na Grande Capital, o mar nunca está pra peixe. Só para tubarões.

***

cozinha, foto e texto: Darlan M Cunha

do lampião ao hoje

NO TEMPO DO LAMPIÃO (2)

Lampião do filósofo grego DIÓGENES – O CÍNICO (412-323 a.C.), que arrematei, e depois, para comemorar, fui colocar querosene na cachola, no famoso BARTOLO.

***

     Ninguém sabe como ele chegou até aqui, quem o descobriu, se foi roubado de algum Museu; mas isso não é possível, pois não há registro em nenhum lugar, em nenhum livro científico. O vendedor, analfabeto completo, como, de resto, a enorme maioria da nação, colou no bojo da preciosidade uns decalques para valorizá-la, sem saber o que tinha em mãos, disse ter feito um escambo, uma troca no interior de Minas, lá pelas bandas de Tiradentes, e coisa e tal, e eu acreditei, sem acreditar, porque eu logo detectei a origem exata dessa bela peça que vi com meus Olhos De Cão Azul (Garcia Marques), esta que o filósofo carregou pelas ruas de Atenas, pleno dia, dizendo que estava “à procura de um homem honesto em Atenas“. Atenas, a mãe da democracia.

     Como se vê, parece que não há mães como antigamente ( – Herege, exigimos as tuas desculpas às mães !).

     Como se vê, quanto à honestidade, à proteção do patrimônio público e a muitas outras coisas mais, autoridades de todas as latitudes e longitudes continuam as mesmas (salvo as famosas honrosas exceções).

***

foto e texto e risos: Darlan M Cunha

cabelo, barba, bigode, cavanhaque, unhas e… impeachment ? é de se temer ?

salão 4

zona de conforto

***

“O sono da Razão produz monstros”.

Francisco GOYA, pintor espanhol, 1746-1828

 

“Onde governa a razão, obedece o apetite”

Provérbio

 

“O coração tem razões que a própria razão desconhece”

Provérbio

 

“A razão é a faculdade superior de conhecimento que se opõe à faculdade empírica, à intuição, ou ainda a faculdade que produz as ideias de Alma, Mundo e Deus”.

Immanuel KANT (?), filósofo alemão,  1727-1804

 

Cofre público é como coração de mãe: tem espaço para todos.

Ditado popular

Este último e outros, aqui: http://www.aponarte.com.br/2009/05/ditados-politicos.html

longe do Congresso – 1

DSC01406

Sem essa de toma lá, dá cá.

     Estou de mudança, como sublinhei numa postagem, mas ainda não me decidi para onde, para qual longitude e latitude ir: se para outro brejo ao sul, outro pântano a leste, algum mangue ao norte, outra prisão a oeste deste Nada, ou se para uma caverna, um iglu, uma nuvem ou uma toca de raposa, um balaio de gatos, quando não para o Diabo. Minhas pernas saberão dar conta dessa conta, do itinerário, seja qual for. Pensando bem, já que desaprendi de ter dois pesos e duas medidas, para Brasília (Carrapatolândia) não irei.

*****

foto e texto> Darlan M Cunha

foto feita em Medina (minha cidade natal), MG

Enredo quase plausível

Alameda DARLAN M. CUNHA

O político agraciado

*

     Sonhei que estava no inferno, lá no quinto círculo satânico, ou seja, no meu lugar de quase sempre. De repente, o sonho, até então sem maiores consequências, a não ser uma palpitação um pouco mais acelerada, virou pesadelo, pelo fato de que um tipo estranho, sibilino, manhoso, libidinoso (estava no olhar), entrou no sono então já bem agitado, e lançou a proposta pela qual eu deveria candidatar-me a um cargo público, a saber, o de juiz federal, e coisa e tal. Julgar Zés e Joões, Mariatacas e Bundolinas, etc. Acordei em bicas, sob cachoeira, cansado, dormi de novo, estava morto, ou quase, porque só o fato de se ter uma perspectiva de sucesso cansa a gente, e experimentei este outro inferno, já no sexto círculo dantesco (nove círculos tem a Divina Comédia). Estou pensando. Direi.

*

Arte e Texto: Darlan M Cunha

Domingo pede cachimbo ?

Pés calejados, Nova Canaã, BA, 1998.

by EVANDRO TEIXEIRA (Brasil)

*

     O que mais se pode dizer que representa de modo mais claro o que entendemos como o lado mau do mundo ? Deve-se levar em consideração os altos e baixos passados pelo céu da boca, como os verbos fingir e atingir, o adjetivo feioso, todas as aféreses e as apócopes implícitas no substantivo Tempo, sempre te encurtando, o pântano social analisado sobre a mesa com gráficos não raro indecentes (der Grüne Tisch) ? Quando clicas, és desviado, manejado, inserido sutilmente noutro contexto de compra e venda, sim, quando clicas, és fichado ou fixado e perseguido por uma polícia muito especial – só tua. Compreenda.

     Os pés doem mais do que se pode suportar, é preciso ir, porque ir é o melhor remédio, a (r)evolução depende de outras realidades. Já agora mesmo veio-me o que diz uma música: é um estrepe, é um prego, ou o que diz um poema: que se morre de velhice antes dos trinta, ou o que nos diz a escritora: sem o outro não temos como ser egoístas.

***

Texto: Darlan M Cunha

Trechos extraídos de Tom Jobim, João Cabral de Melo Neto, Viviane de Santana Paulo