Brasiliana

ou Brasiliense – dia a dia

Chove pouco em Brasília, mas o lago Paranoá salva aquela suicidade única, o lago também foi projetado, ou a bela monstrópole não existiria. O ar é seco de tal forma que em determinada época do ano [agora], as pessoas são afeitas aos seus instrumentos musicais, em especial o piano, que colocam recipientes cheios de água em vários cantos da casa ou do apartamento, para minimizar os efeitos da sequidão, e poupar a madeira dos instrumentos, porque a evaporação ajuda instrumentos e moradores. É verdade, é real.

Por falar naquela aldeia nacional e internacional, mãe querida dos brasileiros e brasileiras – bom, isso é quanto ao que diz respeito à história maravilhosa de sua construção, porque depois as nuvens negras começaram a chegar e ficar, ou chegar e partir, com algum pedaço ou naco ou migas do bolo. Lembrei-me da bela música do Toninho Horta: Céu de Brasília, e também do mesmo querido autor a canção Beijo Partido.

Como não poderia deixar de ser, a palavra “pasta” é muito pronunciada em Brasília, bem mais do que a palavra Mãe, é, eu sei do que falo, às vezes, mas, de Brasília sou mais do que mentecapto, sou EXPERT, aliás, como todo mundo deste rio de risos e abraços que é o país do qual o dramaturgo Dias Gomes disse: “O Brasil é um país que desmoraliza o Absurdo.” Uma beleza, na mosca. Por falar em absurdo, meu vizinho Aprígio Nonato Villa-Real, disse que já comprou a caneta com a qual medirá forças com os papéis que lhe derem quando da implantação do NOVO//VELHO método de se ir à urna, e ficar matutando diante do grande estigma, do grande enigma, esgrimando diante destoutra herança bolsonarista, bolsonarina, bolsoruego, bolsopata, bolsorepto, bolsotático, bolsoraro. Irei, com fervor de patriota, votar numa gloriosa invenção brasileira que é a URNA ELETRÔNICA. E fim de papo.

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Darlan M Cunha: foto e texto

claro-escuro

Caminhante, há um caminho bordado de leveza, não de aspereza, para ti.

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escuro

@.1

Faz escuro mas eu canto é o título de um livro de poemas do amazonense Thiago de Mello. Escuridão de fato é esta queimando a sola dos pés, as pálpebras e as mãos do Mundo, clara em seu objetivo de dizimá-lo, o que tem conseguido, por vários motivos – sabidos e consabidos.

No sábado, 19 junho 2021, um grande país atingiu a marca hiper tétrica de ter de se haver com 5oo mil vozes, processos, pasmo, nuvens e reclamações, uma ira sem precedentes, desânimo avançando para um acerto de contas nada desejável, pois não há sobreviventes no que o Mundo desdobra todos os dias.

Hoje, domingo 20 junho 2021, é de se ficar em casa, martelando, bombando, eis um vazamento na cozinha ou no banheiro, macarronada com frango (caso haja), o/a mídia dando Dia Mundial do Refugiado. Pensas, tu pensas ? Já se pode logo ir escolhendo uma data exata para se auto renomear, por exemplo, Dia do Pagão, Dia da Normalidade na Base, Dia do Sono Tranquilo das Mães, Dia sem Nome e sem Data

@.2

Quando criança, crianças costumavam correr e até comer terra no quintal de casa, sim, era gostoso, mas trazia lombrigas, e estas magricelas são gulosas, comem contigo boa parte daquilo que comes, daí que anemia e amarelão eram algo assim comum, mas nem só de terra viviam as crianças, num ar só pipas e pirilampos, ar de terras distantes, ouvia-se a voz das avós a centenas de metros de distância, os latidos dos cães preguiçosos, bem almoçados, cães de rua, não de madame. Pois é, sobre a mesa tenho coleção de lembranças que ainda estão no ar ou On Air – como se queira.

@.3

Pra não dizer que não falei de flores, só de dores, conto contigo para rir comigo, pensar comigo, parco de miolo que sou, sim, ainda é possível – parece.

Que não nos seja só dominical
“TODO DIA É DIA DE VIVER… (LÔ BORGES, MÁRCIO BORGES, FERNANDO BRANT – Gravada por MILTON NASCIMENTO – 1970)”

Darlan M Cunha: fotos e texto

clima & clima

BALADA

O passageiro disse algo sobre o fato dele ter voltado da cidade histórica onde morara, e para onde não ia havia muitos anos, e estranhou não ter visto cerração ou neblina, comum naquela época, e o taxista concordou, e também com a observação de que não se via nem sombra de pirilampos (aos milhares), o bom homem concordou, diminuiu a marcha, e o passageiro arrematou dizendo que nenhum som de saparia viera da beira do rio nas noites nas quais ficara por lá, e o bom homem, uma vez mais, e cada vez mais cabisbaixo, murcho, concordou, até porque é irreversível. Pagou, agradeceu e entrou em casa assobiando uma canção que também já não existe.

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ESCRITOR URTIGÃO

E foi assim que aquele passageiro da agonia – há outros, de muitos outros tipos, com outras alergias, outras ausências – ficou em casa assobiando uma música que já não existe.

Darlan M Cunha

MPB-4: Pesadelo (Paulo César Pinheiro / Maurício Tapajós): https://www.youtube.com/watch?v=1l7JMQMUMQw

ar é mais

Três equipes em campo, jogo duro, por enquanto, 2021 x 3 para FOLHAS & VENTO contra VARREDORES

As pessoas aterrorizadas e tristes, será preciso muito mais do que simples mudança da sociedade, mas confio em que esta surra avassaladora, mortal, possa mudar certas atitudes deploráveis. Será difícil, não impossível, desde que muitos/as se toquem perante essa falta de ar, e que haja Governo. Confio estar em minha porta, para sentir a leveza, após esta caçada ao pavor do mundo, esta sombra mutante, com mil truques, este sinónimo de fôlego morto, camas ausentes e famílias destruídas.

Meu exame Corona Vírus-19, de 14/04/2021, feito em Belo Horizonte, por gente amiga de conversa luminosa, o qual eu tenho aqui em mãos o resultado, deu nisso: Não detectável.

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People are terrified and saddened, it will take much more than simply changing society, but I trust that this overwhelming, mortal beating can change certain deplorable attitudes. It will be difficult, not impossible, as long as many are touched by this breathlessness, and there is Government. I trust to be on my doorstep, to feel the lightness, after this hunt for the dread of the world, this mutant shadow, with a thousand tricks, this synonym of dead breath, absent beds and broken families.

My Corona Virus-19 exam, dated 04/14/2021, done in Belo Horizonte, by friends of good standing, luminous conversation, which I have here in my hands the result of, gave this: Not detectable.

Darlan M Cunha

UMA PEQUENA/GRANDE AMOSTRA, NO VÍDEO FEITO POR UMA DE MINHAS IRMÃS, DE COMO SOMOS AFETADOS, DE UM MODO OU DE OUTRO, DIA E NOITE: Vídeo… ATLANTA-SÃO PAULO.mp4 – YouTube

outro incerto entardecer: o Homem no chão

E LÁ SE VAI MAIS UM DIA

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Dos roedores e insetos, dos galináceos e batráquios ao Homo sapiens sapiens

A frase terrível de Dostoiévski cabe aqui: Todos nós somos culpados de tudo. Essa outra também tem uma estirpe nada engraçada: Sou o mesmo de ontem: mas diferente. (DMC). Pois bem, todos e todas com máscara e gel, sob o pavor constante do invisível, embora seja bem visível sua presença, cuja origem ainda é de fato desconhecida. Quebrou a espinha dorsal do mundo vasto mundo gasto mundo.

Enquanto isso, o povo perambula, deambula e vira bula, mas o mundo arcará com sequelas por duas décadas, ou mais, bem perceptíveis a olho nu e cru, outras tantas percepções serão sutis, mas o fato é que aqui e ali e acolá e além-lá todo mundo está sonso, o desânimo em cada poro, a gente toda toda raivosa, fora de si, de um modo ou de outro, insones, cuja vigília dá em êmese e pirexia, sim, vômito e febre, e eis que o céu da boca tornou-se deserto, mas os e as farristas continuam de vento em popa, e por isso ouvi ontem no Mercado Central de BH a pergunta erudita: Torquemada (foi Inquisidor-Mor da Inquisição Espanhola), o que foi feito do garrote vil da Idade Média, e de antes, de depois, contra estes necrófagos, estas zinhas ?

Onde uma cama ou maca com pregos e selos para o fim deste Terror ? Não há cama para o drama que assola senhores e damas, reis e rainhas e suas ladainhas ? este que fustiga reis do rock progressivo, tanto quanto atrizes do mundo lascivo; que desarma da vida jovens e até crianças, que suga as notas musicais que tu e eu ainda temos que tocar, e que se abate sobre nós feito um cardume de piranhas, feito o veneno do baiacu, as pinças da jararaca e o veneno letal, este, sim, dos preços nas bancas ?

Darlan M Cunha

MPB-4 canta SIDNEY MILLER.Pois é, pra quê. : Pois é, pra que – MPB 4 – YouTube

MPB-4 canta MAGRO e PAULO CÉSAR PINHEIRO. Canto dos Homens – MPB4. – YouTube

pensar

Genética… e Preconceito

Tubo

Sem outro assunto, por isolado que estás, resta pensar
num lugar menos árido do que essa cama em decúbito costal,
um tempo ímpar surge para se pensar e repensar que
de degrau em degrau a razão perdeu o tato [a vida não],
e agora, deitada num silêncio quase vácuo, entre passistas
e maestros de ótima cepa (entre o avental e a rua), a razão
analisa seus imbròglios antigos e novos, grandes e pequenos.

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Tube

With no other subject, as isolated as you are, you can only think
a less arid place than this bed in costal decubitus,
an odd time arises to think and rethink that
from step to step reason has lost its touch [life has not],
and now, lying in an almost vacuum silence, among passersby
and maestros of great stock (between the apron and the street),
reason analyzes its imbroglios old and new, large and small.

Darlan M Cunha

JOHANN SEBASTIAN BACH – Cantata 147. Jesus, Alegria dos Homens // Jesus, bleibet meine Freund: https://www.youtube.com/watch?v=oZkaEaRYIJY