convite

Sabará, MG – BRASIL

Algum dia irei a Sabarábuçu, Raposos, Rio Acima, e ao Rio das Velhas com muitas histórias de ouro, e também voltarei a São Sebastião das Águas Claras, que todo mundo conhece como Cachoeira dos Macacos, pequenina e dócil ao tato e ao olhar, tudo aqui bem pertinho de BH, mas longe da monstrópole, sim, é claro que fui até lá várias vezes, mas sempre me esqueço como estes lugares são, vivem, aí então eu invento de ir conhecê-los, e lá vamos nós aos queijos, chouriços, couves, linguiças, jabuticabas, torresminhos, taioba, goiabada, ao angu, ao ora pro nobis e àquela cachacinha. Ó, melhor do que isso é só beijo de Mãe, e umas bicotas das moças, e muita música, porque em todos estes lugares há músicos a rodo, é difícil uma família onde não haja alguém músico, ainda que amador, mas de muito boa técnica – moças e rapazes tocando com vovôs e vovós, crianças bem ali no seu dó maior na flauta, etc. Um espanto é o país, esse mesmo de Brasília – aliás, não o mesmo.

Darlan M Cunha: foto e texto

33º

33º FESTIVAL DA JABUTICABA >>> SABARÁ, MG, BRASIL

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ABRO AQUI MEU ÁLBUM SOBRE A CIDADE DE SABARÁ (sobre o qual eu gostaria
de receber notificações), ANTIGA SABARÁBUÇU, BANHADA PELOS RIOS SABARÁ e DAS VELHAS. BELO HORIZONTE TEM ESTA OUTRA VIZINHA INTERNACIONAL, ALÉM DE INHOTIM.
ÁLBUM COM 79 FOTOS DE SABARÁ, MG, BRASIL. Autor das imagens // Images by DARLAN M CUNHA.

https://photos.google.com/share/AF1QipOS4CtzD2liXS5zLJjV4VXVPaPreNlyZVCscCzZQA4A3erSILjFnio1cKMNRpzPVg




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A cidade de SABARÁ, na qual não nasci, não tenho parentes nem interesse econômico e nem sombra do amor, é muito querida pelo povo local e, posso dizer, por quem a visita não somente em dias de festa. Pessoas modestas, recebem visitas o ano todo, e a capital de Minas Gerais é ali, a duas léguas, hehe, ou meia hora. Dê um chegada até lá, Você, minha amiga que vive em Dresden; Você, minha amiga que vive em Madri, e Você, meu amigo de Porto Alegre (RS), enfim, todos convidados para os três dias de excelência – 15-16-17 nov 2019 – para ver e sentir nas pedras centenárias o sofrimento, a força, o brilho da trilha deixada por toneladas de ouro, prata, diamantes e imprecações que saíram desta região rumo ao embarque em Paraty, RJ, com destino a Portucale. Um tipo de butim, ou mesmo de botim, do qual a famigerada Inglaterra também se beneficiou.

Não tragas tristezas, ou voltarás assim que chegares nos limites da receptiva Sabarábuçu. Prepara, pois, o corpo e a mente para as andanças vagarosas que se farão necessárias na pequena-grande cidade. Prepara-te, pois, para a excelente organização da Festa (Ponto de Honra), para os petiscos feitos a partir da redondinha lustrosa: doce de jabuticaba, molho, geleia, balas, vinho, lembranças, ou souvenir, ou vá subir num pé cheio de frutas caindo direto na boca das vítimas daquelas negrinhas sestrosas. Visite o Museu do Ouro, mas cuidado com a tentação, vá ao segundo teatro mais antigo da América Latina (após o de Ouro Preto), a bicentenária Banda de Música Santa Cecília, encontre as mil igrejas e capelas, entre na casa onde viveu o Aleijadinho – o mágico Antônio Francisco Lisboa – e também a casa bandeirante Borba Gato, vá mexer os quadris no Clube Cravo Vermelho e nos outros bons clubes, e visite também os cemitérios – mas vá e volte.

A cidade é pequena, vá devagar, no melhor ritmo mineiro, lembra que TODO MINEIRO É CONSPIRADOR, nato e inato. Está no sangue, assim sendo, fazer o quê ? Mas chega de lenga-lenga, vamos às jabuticabas.

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Fotos e texto: DARLAN M CUNHA

Mineiros:

A ESTRELA DESTE DOMINGO, 03 novembro: SURUBIM
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Depois, o azeite.
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MINA(h)AS dúvidas arteiras

Os mineiros temos fama de sermos maneiros, calados, comermos quietos, entendermos de minérios, trens de ferro, política, alguma literatura, jaboticaba, sim, em Sabará se faz a FESTA da JABUTICABA em novembro, e as pessoas podem até mesmo alugar um pé, sò para a família _ pode crer _ dura vários dias essa festa de âmbito nacional e internacional. Pois é, mas não se esqueçam de que um mineiro trouxe o avião para o seu cotidiano, sim, essa máquina pensada a partir da Fazenda Cabangu, cidade de Santos Dumont. Portanto, como se vê, são quietos, enquanto mexem seus pauzinhos, isto é, enquanto descansam, carregam pedras. Mas é só fama, somos capiaus e capioas. Uai !

Mineiro é engraçado, todo mineiro leva consigo a fama de ser bom da telha, algo de ruim dos miolos, pensador nato e inato. Leia O Grande Mentecapto, e saberás ainda melhor do assunto que aqui se aventa, se diz.

Todo mineiro è Conspirador por essência total, e vem disso boa parte do seu encanto, mas devo alertá-los acerca de seu estopim, de sua boa fama: Entre, mas entre devagar, isso porque em Minas se dá um boi para nunca entrar numa briga, mas uma boiada para não sair dela.

Mineiro é assim de desconfiar até da hora cantada pelo galo, desconfia até de São Tomé. Mestre que ele é em fazer política, o danado inventa e reinventa neste velho campo da sociedade, já visto com receio pelo Povão, mas são todos cheios de manhas e artimanhas os mineiros. Ora, para que servem aqueles tapinhas nas costas, os afagos em crianças, os discursos improvisados, carroceria de caminhão por palanque, oratória para pedagogia nenhuma botar defeito ?

E tome voto.
Para terminar, às minhas Amadas e aos meus Caros, olhem para o mapa de Minas Gerais, e verão que SÓ ela – Minas – tem nariz, fareja longe.

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Fotos e Texto: DARLAN M CUNHA

As cidades – calmas ou opressas, o anonimato e a incessante busca

Igrejinha do Ó >>> SABARÁ, MG, BRASIL
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As cidades são ciumentas, cientes de si, dão uma vaca para entrarem numa disputa, e até mesmo uma vacaria inteira para se fazerem entender, serem admiradas, quando não são execradas por terem um pescoço alto, pelas suas siglas de nariz arrebitado, ó, as cidades vivem o seu cotidiano, necessitam do que as outras lhe enviam, depende do que a elas ela própria vende e/ou ensina, e no meio disso tudo que possa então haver um convite aqui, e outro ali – elementar – as cidades são funis.
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Dinamismo ou a Mãe-Pressa
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Todos sabem que as cidades são funis, e assim é que os dias fazem labirintos, constroem telhados, temas para jovens enamorados, as cidades são a paixão de todos, em que pese serem estafantes, o metrô está atrasado, atrasados estão os ônibus coletivos, atrasadas, as pessoas que não veem a hora de chegar em casa, sempre atarefadas, mas com uma saudade imensa dentro de si, algo que não se localiza ao certo, uma saudade crescente, a gente ama alguma coisa, sempre, ou não sobrevive, não subvive, não vive.
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Ameno
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Sempre haverá para onde ir, onde colocar as pernas para cima, onde encontrar alguém com dois sorrisos em cada canto da boca, astrolábios, sempre haverá algum pequeno restaurante, sossegado como os olhos de tua mãe, honesto como a brisa que sopra nos calos do teu pai, pode acreditar que há lugares os quais nunca imaginaste, vamos, deixa de preguiça, leia meus textos, melhor digo:,não, não cometa este desatino, porque há possibilidades ene vezes melhores na tua própria rua. Lembra-te que sempre haverá aonde ir. Com sol e chuva, você sonhava…
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Fotos e texto : Darlan M Cunha // Antje

mão, 7

Espiga seca

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Dizem que no sabugo está o tutano da espiga, assim como o tutano garante a saúde dos ossos. Coisas do povo. Enquanto isso, alguém faz as malas, os cemitérios se fazem de salas de aula de psicologia e meditação, embora, às vezes, se veja e se ouça algum sarcasmo nalgum sorriso menor, alguém já pergunta quando é que também o governo fará as malas, escuta, lembre-se que nem jesus agradou a todos – e deu no que deu. Ontem, no feriado, pisou-se sobre os tradicionais tapetes de flores, os quais parecem ainda mais bonitos nas cidades históricas como Sabará. Serragem, areia, flores, pedras e muita dedicação já que se começa a moldar os tapetes logo na noite anterior, e vara toda a madrugada. Os padres deliram, bebem outros cálices… hehe, eu também sou filho de mãe sublime, mas não de deus, e mereço algum aconchego. Tutano é música boa, e quem puxa aos seus não degenera – é o que diz a bela canção do Walter Franco.

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Foto e texto: Darlan M Cunha

Tutano. WALTER FRANCO: https://www.youtube.com/watch?v=6UrXFnlDBfk&t=18s

tempo-riso

MÚSICA & RISOS – NOVA LIMA, MG >>> [Clique na foto, em comentário, e leia o poema]


Circo PING O MIN, direto de BEIJING , com o palhaço ZU (Circo vedado a adultos)

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@1

A foto com crianças de uma escolinha em Nova Lima foi feita pela minha amiga Maria, de Lisboa, que esteve uns dias no Brasil. Poucas vezes ri tanto quanto naquele dia, mesmo já acostumado a fazer shows e palestras para a molecada nalguns lugares, um sucesso garantido, sob mil perguntas por minuto, risos sem conta, boa merenda, professoras a mil de contentamento. Foi um papo alto astral, como diz o povão, ali na rua, para começar o dia.

@2

O vira-latas toma banho no córrego aqui atrás do barraco e se escova nas árvores esse tipo impaciente e inconstante nem sempre fiel às minhas falas na maioria das vezes é infiel como gente grande o bastardo e órfão dispensa toda ilusão e comigo baba e urina nos ícones desse tempo infeliz incapaz de ver a própria sombra. Seu nome é UK, e se pronuncia Uquí, sem nada a ver com o tal united kingdom. Melhor atentar aos nomes dele, todos no cartório numa ordem igual à dos dias da semana, iniciando na segunda-feira: Uquí, Gemebundo [ou Bundo], Iranito [ou Nito], Tuím, Satã-Rei, Ku Ming [ou simplesmente Ku], e o nome dominical é Gúgôu [neste dia ele fareja tudo e vai a toda intimidade da aldeia, come bebe deita e rola]. Mas a característica dele que mais chama as atenções é o fato dele ser um cão albino de fina estampa fantasmagórica vagando na aldeia de um modo que o querem matar porque temem seu olhar furtivo, os olhos de rubi com altas doses de perversidade embutida neles, também não se furtariam em danar o dono e amigo do bicho caso tivessem alguma chance nesta aldeia de tipos superticiosos enfiados numa luxúria sexual no meio do mato, comem com as mãos em concha, riem e segregam todo infortúnio alheio, ignorando por completo quem por lá aparecer cansado perdido descarnado ferido. Nada como um cão desobediente e um homem demente para salvar o mundo. Vinde a nós as criancinhas.

@3

Vejo bons amigos sentados no adro da igreja do Pilar, em Sabará / conservando o pó da infância / os seixos da juventude / e a educação pela pedrada/ de quando adultos em primeira instância. Hoje, cheios de cãs [segunda instância] / voltam à infância e riem de não se caberem nas calças curtas / no som imaginário de um horizonte aceso e desconhecido / mas iluminante como um circo.

*: Para o violonista e guitarrista Toninho Horta, pelo disco Diamond Land, por todos, música Pilar.

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Fotos e textos: DARLAN M CUNHA