por aí

Roninho. Merc. PARAOPEBA. ITABIRITO, MG
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BIBLIOBURRO – Trazida do Blog FALANDO EM LITERATURA: https://falandoemliteratura.com, FERNANDA JIMENEZ
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cotidiário
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Darlanianas

@1.

Cansou-se de ser boazinha, farta

de sua mutilação nos canteiros estéreis

ao invés de haver-se com seda e algodão

ao fim dos dias, ela, avessa a adjetivos

e gestos vazios de significados, resoluta

como soem ser alguns, ciente

da ameaça de nunca dar um passo

à frente, resolveu sumir no mundo.

@2.

Foram muitas as pessoas das quais escutei sermões e discursos ou somente alguma frase tida como lapidar, mas suas perorações não me disseram nada, ao contrário, entraram-me pela uretra e saíram pelo ânus; outras, com as quais acordei mal, deixaram-me com uma sensação de que o vazio é também capaz de regredir, enganar o rés do chão, viver de través.

@3.

Aqui, às sextas-feiras, trilhas diferentes se abrem, o feminino ziquezagueia, e não há como segui-lo o tempo todo, embora tenha sido tentado várias vezes. É inútil lutar contra a sutileza ímpar. Nesses dias vive-se com fogo nos dentes, as unhas parecem dobrar de tamanho, precisam afiar-se, as íris amarelam, e a parte branca dos olhos se parece com meteoros entrando na órbita terrestre a mais de mil por hora, rubras que nem a resina vital. Não tinha medo de Nada, depois, de quase tudo, hoje, de tudo. E por muito doente estou morto.

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Texto e fotos (exceto Biblioburro): Darlan M Cunha

tempos de um verbo

CONVERSA COM LÊLÊ (+)

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O ex melhor amigo do Homem (sangue, suor e lágrimas)

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O atual melhor amigo do Homem (desconfie)

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O mundo é mutação, de forma que o melhor é não seguir de todo os ventos. Nunca tive gato, cão, maritaca, coelho, mico, lagarto, cobra, passarinho, ave, enfim, mascote, e me arrepio só de pensar que há quem os tenha na própria cama, cheia de mimos e pura teimosia, com a ilusão de fugir do mundo, ao mesmo tempo em que fustiga o humor do parceiro ou da parceira. Não vai longe, não, o tempo em que um cachorro – vira-lata ou pedigree, era o melhor escudeiro, conselheiro e amigo de toda hora; mas, reviravoltas na composição da showciedade, levaram-no a uma posição de inferioridade, de quase esquecimento, jaz por aí, em qualquer lugar, ainda com lugar nalgum museu, os olhos fixos até onde possa ter o que pressentir, orgulhosamente sentado sobre sua bunda, ao lado de algum aventureiro, descobridor, um herói disso ou daquilo. Há tantos casos mundo afora dando conta da fidelidade, da coragem, da intuição canina, que nem é bom começar a falar.

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Fotos e texto: Darlan M Cunha

optar

Paredão ou Luz (Cachoeira da SAMSA. Rio Acima. MG, Brasil)

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Darlanianas

no Dia Mundial das Livrarias

@1.

O rubor chegou e ficou de pé, imprensado contra a parede e contra si mesmo, teve que ouvir frase lapidar, depois dela ouviu prédicas, ladainhas, sermões hiper admoestadores e, por fim, ouvir uma caudal de nome discurso, porque o rubor é indefeso diante de certos fatos. Sua reação é involuntária, sobe e esquenta as faces, às vezes, ele até chora e solta pontapés e palavrões para todos os lados, coerente e incoerente consigo mesmo, pelo que fez e não fez – está vivo, suando frio, mastigando erros e acertos, projetos inconclusos, rios de dúvidas e tristeza, querendo bem longe de si certo tipo de mundo.

@2.

Hoje é dia de temor na aldeia a qual nas sextas-feiras – dia treze ou não – é vigiada com mais minúcias ainda, talvez nada aconteça, como de outras vezes, mas já no início da madrugada soou o alarme, pois uma criança, ou algo parecido, foi vista na ala norte, e logo, horrorizado, o povo notou-a sem rosto, locomovendo-se como se o tivesse, a aldeia se fez de joelhos, seu antigo costume de dar-se de joelhos – menos eu e outros, resolvidos a não darmos fim a tal expiação e bulício, porque talvez o melhor seja rever como é que o povo paga pelo que faz a si mesmo a cada giro da ampulheta.

@3.

Continuando sua explanação, seu delírio momentâneo, ela disse que “homem de roupão é o máximo, vi na tevê” – disse, e eu fiquei na minha, calado que nem um bode ressabiado, tarado com vontade doida de esganar homem roupão cipreste barco arco reflexo e arco e flecha também esganar gato cachorro bolsa de valores incendiar presídios igrejas fóruns quartéis & mil réis, dar sumiço nos pobres parasitas vadias matar todas as baratas a chineladas pulgas e piolhos, enfim, eu fiquei alucinado com aquela ingênua confissão, e foi então que me percebi muito doente, sim, um pré paciente já nos últimos gorgolejos da Razão, tragada por um egoísmo só visto no seio das piores causas, no meio de ruas mais abandonadas e confusas do que certas mentes, eu me notei sem prumo, perdido no meio da aldeia quanto nas veias da casa.

@4.

Temeroso, ao extremo de suar em bicas, levado a custo por gente amiga ao cadafalso – foi assim que ele se referiu ao consultório do urologista, fazendo pilhéria para ver se se relaxava um pouco, pois era preciso, e alguém disse o de sempre: Ó, vai ser bem rápido e indolor – no que aquele paciente com hora marcada não acreditou. Mas foram, sentaram-se dentro do silêncio branco, até que seu nome foi citado, pareceu muito distante, e foi para o exame, de onde voltou radiante, porque nada de câncer prostático, a sua neoplasia é benigna, ou seja, é melhor do que o Mundo. Benigna. Fomos às cervejas. Amigo é pra essas coisas, para a hora difícil.

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Foto e texto: Darlan M Cunha

MPB_4. Amigo é pra essas coisas (autores: Sílvio Silva – Aldir Blanc): https://www.youtube.com/watch?v=lhi7YIfuwmQ

a câmera= vida ou tempo, frente e verso

Revivida pelo artesão Zauss – bairro Santa Cruz, Belo Horizonte, MG.

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Na estrada das areias de ouro *

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Numa foto recente os ídolos cheios de cãs e rugas, quase irreconhecíveis, irreversível é o imponderável pondo a mesa, e há quem perca a coragem de ir ao espelho, de se ver como uma anamorfose, uma imagem distorcida que talvez já seja a sua realidade não percebida, mas quem inventou o pavor não fui eu. Para alguns, pouco importa viver com rugas, hérnia, tremores, catarata, rinite, conjuntivite, diabetes, insuficiência renal, disritmia, alta PA, obesidade, impotência sexual, ai. Noutros, o que mais lhes dá nos nervos é o fato de não saberem o que foi feito daquilo que não fizeram, dos trevos que encontraram e não entraram, e hoje acordaram de analisar o Tempo, o que fizeram ou não fizeram dele os ídolos e os fãs que já deixaram as motos, as passeatas e bandanas, comem e bebem pouco, pois o tempo avisa dos riscos, mas a música continua, e assim é que quando ouves alguma daquelas joias, reentras na estrada, e tome ponta-cabeça em beiras de estradas, vilarejos, amor de uns dias, vidas de um dia, e tome estrada, lá onde não se fica velho, engano, fake news, querem nos enganar, desconfie dos baratos, de deus e do diabo, tudo, já ponho o viés de volta na estrada, caminhos de pedra & seda, risco de perdas & danos – como convém. Vamos, o mundo está farto de toc, balcões, refrigerantes, igrejas e refugiados. Eu quase me esquecia de uma vítima da Grande Gastronomia, o glúten, mais antigo do que o primeiro cozinheiro. Ora, direis, és mesmo um tipo para se odiar. Não tens o que fazer, a não ser satirizar ? Tenho, sim. Por exemplo: ainda hoje, cuidarei de uma pequena cirurgia a ser feita na minha mãe, Dona Maria. O Mundo pode ser pétala e sépala, Mãe é Mãe, ou seja, é um universo à parte.

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Texto e foto: Darlan M Cunha

A Horse With No Name >>> Ventura Highway. AMERICA : https://www.youtube.com/watch?v=4N-OiKzZjws >>> https://www.youtube.com/watch?v=4N-OiKzZjws

ELOMAR FIGUEIRA MELO. Na estrada das areias de ouro: https://www.youtube.com/watch?v=5XO2bqGY5rY

Acharás a bola, talvez, o rumo de casa

suor

Somorra & Godoma

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@1.

Eis a esquina onde a Comédia foi agredida e escorraçada feito uma cadela já bêbada, vândala; mas não te assustes, porque daqui se pode sair quando nos últimos estertores, após uma sova severa, exemplar, eis a libidinosa Filosofia, após levar uma curra corretiva, por assim dizer, nesta rotatória o mundo de muitas opções ruiu diante da voracidade de uns poucos, tantos e tantas, elos são feitos e desfeitos num vu, num mesmo protesto, pelo que se depreende que toda esquina, parece, tornou-se prejudicial à saúde; mas, sem perigos à vista, sem estupores, sem a caligrafia moldando o verbo “ir”, em que se resumiria o Homo sapiens sapiens (título dado por ele mesmo) ? Não sendo de Pasárgada, vou para minhas casas sempre invejadas e invadidas: Somorra e Godoma.

@2.

Quero para mim o que não desejo para o Outro, desculpe-me o ego, mas é que sem tormentas ninguém sabe que existe algo de nuvem sobre o plano geral, e assim assumo todas as negras embalagens do céu – fico com todas elas, caro Senhor Vendeiro, que o Povo não as merece, que o Amor não padeça delas. Fico com o breu áspero desta neblina, daquela cerração, destes cúmulos e destes cirros, todos, que o dia de céu limpo, enfim, chegou. |Dou-vos.

VIAJAR É MAIS QUE O QUE HÁ ENTRE MUROS & PAREDES, FOSSOS, PONTES PARTIDAS, TOSSE REUMÁTICA, DOR DE AMOR. ESCUTE ESTA CANÇÃO.

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Foto e texto: Darlan M Cunha

AMERICA. VENTURA HIGHWAY : https://www.youtube.com/results?search_query=america+ventura+highway

Mineiros:

A ESTRELA DESTE DOMINGO, 03 novembro: SURUBIM
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Depois, o azeite.
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MINA(h)AS dúvidas arteiras

Os mineiros temos fama de sermos maneiros, calados, comermos quietos, entendermos de minérios, trens de ferro, política, alguma literatura, jaboticaba, sim, em Sabará se faz a FESTA da JABUTICABA em novembro, e as pessoas podem até mesmo alugar um pé, sò para a família _ pode crer _ dura vários dias essa festa de âmbito nacional e internacional. Pois é, mas não se esqueçam de que um mineiro trouxe o avião para o seu cotidiano, sim, essa máquina pensada a partir da Fazenda Cabangu, cidade de Santos Dumont. Portanto, como se vê, são quietos, enquanto mexem seus pauzinhos, isto é, enquanto descansam, carregam pedras. Mas é só fama, somos capiaus e capioas. Uai !

Mineiro é engraçado, todo mineiro leva consigo a fama de ser bom da telha, algo de ruim dos miolos, pensador nato e inato. Leia O Grande Mentecapto, e saberás ainda melhor do assunto que aqui se aventa, se diz.

Todo mineiro è Conspirador por essência total, e vem disso boa parte do seu encanto, mas devo alertá-los acerca de seu estopim, de sua boa fama: Entre, mas entre devagar, isso porque em Minas se dá um boi para nunca entrar numa briga, mas uma boiada para não sair dela.

Mineiro é assim de desconfiar até da hora cantada pelo galo, desconfia até de São Tomé. Mestre que ele é em fazer política, o danado inventa e reinventa neste velho campo da sociedade, já visto com receio pelo Povão, mas são todos cheios de manhas e artimanhas os mineiros. Ora, para que servem aqueles tapinhas nas costas, os afagos em crianças, os discursos improvisados, carroceria de caminhão por palanque, oratória para pedagogia nenhuma botar defeito ?

E tome voto.
Para terminar, às minhas Amadas e aos meus Caros, olhem para o mapa de Minas Gerais, e verão que SÓ ela – Minas – tem nariz, fareja longe.

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Fotos e Texto: DARLAN M CUNHA

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LIVRARIA STATUS >>> bairro SAVASSI – BHte, MG
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DARLANIANAS

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@1.

Novembro aí está, quente feito areal, para uns e umas, crescerá rápido feito bambu, para outros e outras terá passo de lesma, dolorido ou álacre, se dividirá de modo a que todos e todas tenham oportunidades, não iguais, porque não é do homem a igualdade. Novembro tá rodando, o homem quer ser maior do que o próprio alfabeto com o qual engana e é enganado.

@2.

Infância e adolescência são excelentes meios de transporte para se colar ideias alheias, sejam nebulosas ou claras, de mau ou de bom augúrio, para hoje e amanhã, mas afirmar que é para sempre esta empatia às vezes forçada, a qual mais tarde poderá tornar-se uma animosidade severa, é uma pretensão sem solidez, esperança de nuvens no deserto.

@3.

Há truques, táticas, manhas que nunca aprendi, belezas que não consegui executar, tal como assobiar colocando um mindinho em cada canto da boca, ó inveja e raiva dos meus amigos rindo-se da minha careta de idiota pego com as calças nas mãos. Mas deus proverá, como o povão diz, e assim me tornei no que sou: zero à esquerda, pavio encharcado de medos, às vezes, sonho com mulheres me maldizendo, e acordo geladinho.

@4.

Esta sociedade de facilidades, de premissas e promessas cada vez maiores em quase todos os aspectos, tem o seu lado azedo, feroz e até mesmo lúgubre, o qual, no conceito de muitos, passou de tal forma dos limites que não é possível dar-lhe mais campo de atuação, porque se faz necessário tentar outra visão para um convívio hoje tão leviano que é capaz de revirar os mortos. O que há de mais humano senão ser desumano ? De que se fala, quando se fala de respeito ? De algo estranho, de um morto do qual já não há resquício. Esqueçam Marylin, Luz del Fuego, lady Godiva, Somorra & Godoma, deixe-as cavalgar em paz, colher sua horta, pulverizar seu pomar contra pulgões da angústia.

@5.

Parece que as crianças vivem bem quando se descuida delas, aí reside o perigo, porque se ficam a sòs, vão ao mundo, descobrem algo, e uma delas aqui perto das escavações fez a aldeia tremer: – Achei um crânio. Quem quer alisar ou chutar de bola ? Adivinhem de quem é ? – perguntou e sorriu, ao contrário de Hamleto.

@6.

Na medida das horas, o formigueiro até então esparso nos passeios torna-se uma caudal com as mãos ao alto para frear os ônibus. Estão indo para casa, algum remorso pela pechincha não comprada, o emprego foi uma vez mais adiado, os papéis da aposentadoria estão incompletos, a batida foi feia, tanto que afundou a testa do ônibus urbano, mas todos voltam para suas casas, os pés inchados, um sorriso.

@7.                                                                                                  

Nasceu sob Sagitário, mas como não se dá a ler horóscopo, não sabe se viveu conforme os preceitos reservados aos sagitarianos, mas porque são louváveis, até capazes de extasiar, de fazer pessoas se comprometerem com o seu dia, com as suas perspectivas para a semana, atentos quase todos ao seu trajeto social, seu mundo afetivo, merecem um esforço de compreensão.

@8.

Não sei o tamanho deste lugar que já foi aldeia, arraial, povoado, vila e hoje é cidade que medra a olhos vistos, cresce feito certos bambus que chegam a 15 centímetros de crescimento diário, sim, a cidade passa a suicidade, passa a monstrópole com todos os seus deveres e haveres, muito mais aqueles do que estes, o formigueiro espalha-se, o longe fica ainda mais longe, decibéis levados nos tímpanos para casa, muitos microgramas e/ou miligramas diários de ar com chumbo, enxofre, parece que só perde para o cigarro em sua diversidade de sabores ou venenos. E todos felizes fingidamente felizes.

@.9

Breve história de uma obsessão ou compulsão ou mania ou simplesmente hábito, seria dizer que uma pessoa tem um fraco por talheres, e só por causa disso qualificar de maníaco alguém que se encontra consigo mesmo quando entre talheres e trempes está, pelo fato de que lhe apraz ir à cozinha, ainda que não todo dia, e servir uma mesa corriqueira a si e, às vezes, às visitas ? Cozinhando, pode-se viajar através dos cheiros e das cores, das formas e dos segredos de cada alimento, mormente dos temperos e condimentos tais como a canela e o cravo-da-índia. Hoje, tantas nuvens e véus após esta época, parece estranho que tenham havido escaramuças, batalhas pelo domínio de tudo aquilo que envolvia a posse de tais sabores. Os europeus sabem disso, depois de artimanhas pouco claras, pode-se imaginar bem a baba dos invasores ao sentirem o cheiro e o gosto escravizante do chocolate feito pelos Astecas (a Noite chegara, en nombre del Rey, en nombre de Diós), o mundo é isto de só saber dar voltas, por bem ou por mal, e em cada uma um mando diferente, ou tentativas.

@10.

Uma vizinha pegou-me num particular, porque queria me fazer saber o quanto gosta de mim, e o quanto isto é doloroso, nefasto e aniquilador para ela. Insciente da situação, pedi-lhe que me esquecesse, mas que, se fosse necessário, eu até me mudaria temporariamente, até que me esquecesse, até que sua memória me deletasse, porque a minha casa foi muito bem  pensada, e não iria deixá-la por nada – uma máscara do Benim, vasos e potes e ânforas no estilo greco-romano, cerâmica marajoara, queñas do Peru e da Bolívia, pipas, bilboquês e bolinhas de gude na mesa de centro da sala, e, para espanto das visitas, um estojo de vidro contendo doces típicos feitos para a maior festa dos mexicanos que é o Día de Los Muertos, a festa à qual todos vão passar a noite e a madrugada junto com seus parentes e amigos já falecidos, tudo bem regado com caveirinhas doces, isso mesmo, docinhos lindos feitos no formato de caveirinhas. Dá até dó comê-los, mas que não se faça desfeita. Sim, a festa das caveirinhas é em novembro. Bom, em frente, porque novembro promete, espero que sem os calcanhares da bela vizinha.

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Foto e texto: Darlan M Cunha

mundo

ovo óvulo oval ovóide – Ovação, começo do mundo
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O que se sabe da história do ovo ? Não, nada de brincar com a cansativa pergunta sobre o que terá vindo primeiro ao mundo: ovo ou galinha. Mistério que ao cemistério vai.

Calma, deixe a cebola suar, depois, desfrute, até porque o mundo demorou a ser o que ele é hoje, e ainda assim o eixo dele continua inclinado e, igual aos seres que o habitam, é de se desconfiar dele(s). Aproveite o dia, com alardes, vocais intempestivos, mas adivinhe qual é a cor do púbis da mulher do Diabo, dos sovacos de suas concubinas, dos cílios e unhas de suas filhas. Adivinha quem irá para o trono, hoje, porque amanhã outro caminho será, um novo rio te banhará.

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Foto e texto: Darlan M Cunha