imaginário

Teatro Francisco Nunes. Parque Municipal, BHte. Já me apresentei aí.

Teatro Francisco Nunes. Belo Horizonte, MG, Brasil (algumas vezes estive neste palco)

debates conferências teatro música reuniões de classes – há de tudo nesse tipo de casa

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No teatro se morre de morte prematura, violenta, idealizada

e a trupe pensa que é no palco que as coisas acontecem,

mas é na rua, a rua que o proscênio desconhece, onde o todo

se apresenta, é lá que se lava a roupa suja, que se aprende hábitos

que se manieta ou se impulsiona a usura, o pão do ódio, o ócio.

Foi lá que a foice e o martelo enferrujaram, outras normas

agora mamam e desmamam, prontas para te darem nova senha.

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foto e poema: Darlan M Cunha

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L’ENFER C’EST LES AUTRES

Um olhar sempre atormentado sobre si mesmo perfaz o núcleo da peça “NO EXIT”, desta história apresentada por Jean-Paul Sartre, pela primeira vez, em 1944, na qual um homem e duas mulheres, presos no inferno de suas vidas, ou simplesmente no inferno, encetam falas e mutismos, condenados a si mesmos, incapazes de algo lúcido para moverem-se, senão sob a ótica dos inúmeros vícios do pensamento e, por conseguinte, de ações e reações que se acumulam sobre cada um. Sem saída.

Como se diz aí embaixo, o pecado, ou o erro, de Garcin (personagem) é a sua covardia, seus percalços, hesitações, soberba, mas ele está sempre pronto a se aproveitar das duas mulheres que com ele compõem o inferno dos três, instalados numa sala qualquer de uma casa qualquer – já que o inferno não é prerrogativa de ninguém, nem mesmo do Diabo.

Da frase tão famosa – “L’enfer c’est les autres !” – fica alguma certeza, alguma dúvida (Por que não eu mesmo / a ?), algo assim feito uma tela ou uma música deixada, pelo menos temporáriamente, de lado, sobre a qual ter-se-á de voltar um dia. O inferno é ali, aqui, em todo lugar. Comme un oiseau.

Darlan M Cunha

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JEAN-PAUL SARTRE: “NO EXIT”.

JEAN PAUL SARTRE’s No Exit was first performed at the Vieux-Colombier in May 1944, just before the liberation of Paris. Three characters, a man and two women, find themselves in hell, which for them is a living-room with Second Empire furniture. Each of the characters needs the other two in order to create some illusion about himself. Since existence, for Sartre, is the will to project oneself into the future–to create one’s future–the opposite of existence, where man has no power to create his future, his hell. This is the meaning of the Sartrean hell in the morality play No Exit. Garcin’s sin had been cowardice, and in hell he tries to use the two women, who are locked up forever with him in the same room, under the same strong light, as mirrors in which he will see a complacent and reassuring picture of himself.

This play, an example of expert craftmanship so organized that the audience learns very slowly the facts concerning the three characters, is Sartre’s indictment of the social comedy and the false role that each man plays in it. The most famous utterance in the play, made by Garcin, when he says that hell is other people, l’enfer, c’est les autres, is, in the briefest form possible, Sartre’s definition of man’s fundamental sin. When the picture a man has of himself is provided by those who see him, in the distorted image of himself that they give back to him, he has rejected what the philosopher has called reality. He has, moreover, rejected the possibility of projecting himself into his future and existing in the fullest sense. In social situations we play a part that is not ourself. If we passively become that part, we are thereby avoiding the important decisions and choices by which personality should be formed. […]

TRAZIDO DAQUI:

http://www.theatrehistory.com/french/sartre002.html

PUBLICADO ORIGINALMENTE EM / This document was originally published in Dionysus in Paris. Wallace Fowlie. New York: Meridian Books, Inc., 1960. p. 173-5.

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Foto do excepcional fotógrafo JABI ARTARAZ (JARTARAZ 2008). http://www.flickr.com/photos/jabitxu/2195739512/