senhas / passwords

pausa

O ASSOMBROSO MUNDO DA MÃE SENHA

Somos filhos da Senha, tudo tem de ser conferido, ou a aba, o segredo não se abrirá, bastando alguns cliques, ou nada feito, teus cabelos ficarão crispados de raiva, tuas unhas apertando a superfície mais próxima, som de fúria, as páginas são rinhas trocando de senhas, mas o dique vaza, para o desespero sentado numa cozinha pequena, tudo em silêncio, menos o vizinho barulhento, isso vai mal, creia, senhas são seguranças vestidas com tecidos transparentes, são necessárias, mas ainda servem pouco sob o ataque de uma curra informática, sim, tu és filha da Mãe Senha, todos são filhos dessa mesma mãe, portanto, todos têm N irmãos e irmãs avaliadas e avariadas. Não há saída. No way.

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THE AMAZING WORLD OF THE MOTHER PASSWORD

We are children of the Password, everything must be checked, or the flap, the secret will not open, just a few clicks, or nothing done, your hair will be crisp with rage, your nails clenching the nearest surface, sound of fury, the pages are puzzles changing passwords, but the dam leaks, to your despair sitting in a small kitchen, all silent but the noisy neighbor, this is going badly, believe me, passwords are security guards dressed in transparent fabrics, they are necessary, but still serve little purpose under the onslaught of a computer curse, yes, you are the daughter of Mother Password, everyone is a child of that same mother, so everyone has N brothers and sisters assessed and broken down. There is no way out. No way.

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Amadas e Caros, vamos à macarronada do sábado, que a feijoada fique para o domingo:

SÁBADO: MACARRONADA — DOMINGO: FEIJOADA
  • Darlan M Cunha

borocoxô

banco da estação ferroviária de ITABIRITO, MG

@1.

Borocoxô é uma palavra linda, cheia, muito embora signifique pessoa que está alquebrada, desanimada, uma pessoa coxa, enfim, aborrecida com algo que a está desgastando. Hoje, como sempre, fim de madrugada, enquanto coava café, “passava” o café, a danada apareceu, de repente, ela reapareceu, talvez instintivamente pelo fato de que eu não estava me sentindo 100%. É como dizem as mulheres: “é um mistério”.

Em que nos tornamos: NÚMEROS SOMENTE NÚMEROS SENHAS SEM ROSTO VAI PIORAR VAI MELHORAR

@2.

Meu nome de guerra e meu número no Exército eram: Darlan – 5024. Depois, vieram mais tantos que morri enforcado neles, enroscado, enrolado, vitrificado, sim, tornei-me zumbi e depois já nem isso, fluí, saí de mim totalmente, e só respondo se me chamam por algum dos meus números ou senhas, mas, para isso, tenho de consultar uma arcana (gostou do termo “arcana” ?) caderneta com os tais Segredos de Estado, ou não dará para lembrar quem sou.

Para 5 estrelas nenhum botar defeito nesta bendita refeição (Tenho crédito: Foi um ano protegendo Você).

@3.

Ainda frequento alguns amigos que encontrei quando no Exército. Alguns faleceram, e outros eu não mais os vi, mas continuam conosco todos aqueles e aquelas que de uma forma ou de outra passaram por nós, por longo ou curto tempo. Esta é a nossa arquitetura psíquica, a visão perante o Mundo, ou Weltanschauung – palavra cara à psicologia, alemã.

ADOÇEMOS, IRMÃS e IRMÃOS, NOSSA BOCA, NESSE TEMPO AMARGO (E TAMBÉM O CORAÇÃO).

@4.

Aguenta firme, meu caro, é o último inverno. […] Mas quais eram os meus próprios sentimentos durante esse tempo ? Em que pensava eu ? Com quê ? Em que disposições morais me debatia ? Eis aí, eu estava todo inteiro…

SAMUEL BECKETT (1906/1989 – Prêmio NOBEL LITERATURA 1969, Irlandês). Extraído do livro O INOMINÁVEL, p. 36, EDITORA NOVA FRONTEIRA.

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Canto dos Homens – MPB4. – YouTube

Darlan M Cunha

outro incerto entardecer: o Homem no chão

E LÁ SE VAI MAIS UM DIA

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Dos roedores e insetos, dos galináceos e batráquios ao Homo sapiens sapiens

A frase terrível de Dostoiévski cabe aqui: Todos nós somos culpados de tudo. Essa outra também tem uma estirpe nada engraçada: Sou o mesmo de ontem: mas diferente. (DMC). Pois bem, todos e todas com máscara e gel, sob o pavor constante do invisível, embora seja bem visível sua presença, cuja origem ainda é de fato desconhecida. Quebrou a espinha dorsal do mundo vasto mundo gasto mundo.

Enquanto isso, o povo perambula, deambula e vira bula, mas o mundo arcará com sequelas por duas décadas, ou mais, bem perceptíveis a olho nu e cru, outras tantas percepções serão sutis, mas o fato é que aqui e ali e acolá e além-lá todo mundo está sonso, o desânimo em cada poro, a gente toda toda raivosa, fora de si, de um modo ou de outro, insones, cuja vigília dá em êmese e pirexia, sim, vômito e febre, e eis que o céu da boca tornou-se deserto, mas os e as farristas continuam de vento em popa, e por isso ouvi ontem no Mercado Central de BH a pergunta erudita: Torquemada (foi Inquisidor-Mor da Inquisição Espanhola), o que foi feito do garrote vil da Idade Média, e de antes, de depois, contra estes necrófagos, estas zinhas ?

Onde uma cama ou maca com pregos e selos para o fim deste Terror ? Não há cama para o drama que assola senhores e damas, reis e rainhas e suas ladainhas ? este que fustiga reis do rock progressivo, tanto quanto atrizes do mundo lascivo; que desarma da vida jovens e até crianças, que suga as notas musicais que tu e eu ainda temos que tocar, e que se abate sobre nós feito um cardume de piranhas, feito o veneno do baiacu, as pinças da jararaca e o veneno letal, este, sim, dos preços nas bancas ?

Darlan M Cunha

MPB-4 canta SIDNEY MILLER.Pois é, pra quê. : Pois é, pra que – MPB 4 – YouTube

MPB-4 canta MAGRO e PAULO CÉSAR PINHEIRO. Canto dos Homens – MPB4. – YouTube

doce de requeijão & outras frequências

É um doce inigualável, poucos conhecem o que ele faz com os labirintos das sinapses cerebrais, com o palato, a língua, o estômago e por fim com o humor das vítimas…

@1.

Um bom requeijão é difícil de ser encontrado, mas ainda há, e isso é fundamental, e então nada de requeijão esfarinhento, ressecado, este é um ponto base. Algo do peso: um quilo. Então, ralar o requeijão num ralo fino, misturando com duas colheres de farinha de trigo (sem miséria nas colheradas, ora) e um ovo (clara e gema), ir amassando como se fosse massa de biscoito, para dar certa liga, sem untar as mãos (que o óleo é do próprio requeijão). Faça as bolinhas, e numa panela forte e larga, vá preparando a calda de açúcar com cravos e, caso queiras, um pedaço de pau de canela, e a partir daí colocar cuidadosamente as bolinhas na calda bem quente. Quando no ponto, deixe-a esfriar, pode-se inclusive colocar na geladeira. Este é um doce que é ou era comum no norte de Minas Gerais – Vale do Jequitinhonha. Este foi preparado aqui em casa, em BH. Criminosamente delicioso, muito cuidado com a dependência, quem avisa amigo é. Minhas avós, já falecidas, e minha mãe, toda serelepe aos quase 89, e eu, um aprendiz relapso, garantimos a tua escravidão a esse doce.

@2.

O presidente da República está brincando com fogo, ele, que serviu no Exército, entende de outro tipo de fogo, se é que. Seu fim político não será nada bom para ele, o Brasil não sentirá nenhuma falta de tanto despreparo, de tanto analfabetismo social, analfabetismo no que tange a se ter uma visão sociológica abrangente (sim, de fato, é para poucos). O país, em que pese ter muita gente desleixada, não sentirá falta nenhuma.

As notícias: como decifrá-las, traduzi-las, tê-las na conta das próprias mãos ? “É pau, é pedra…” diz a canção Águas de Março.

@3.

UM CONCEITO DO GRANDE BRASILEIRO QUE FOI O ENGENHEIRO E PRESIDENTE DO GRUPO VOTORANTIM, O Dr. ANTÔNIO ERMÍRIO DE MORAES, (1928-2014), DE UMA HONRADEZ À TODA PROVA: “Teoria não é a solução para os problemas sociais do Brasil. O que se precisa fazer é arregaçar as mangas, melhorar a administração das verbas e aplicá-las diretamente onde a questão é urgente.” (Antônio Ermírio de Moraes (1928-2014), engenheiro, filho do também engenheiro e fundador da VOTORANTIM, José Ermírio de Moraes. Antônio Ermírio o sucedeu na direção da Empresa).

@4.

Passagem comprada, resta esperar a madrugada, sem se desesperar dentro dela (são 03:22h), indo à casa sem número, nua de tiques e taques. Isso aqui é muito triste, ficou assim um clima bem macambúzio, ácida a correnteza, nenhum livro na cabeça, nas esquinas das aldeias parece que o que há é a réplica bilimultiplicada da tela O Grito, do norueguês Edvard Munch (1863-1944), quando não a reiterada, sutil e tão profunda solidão nas telas do estadunidense Edward Hopper (1882-1967), bem como no ar de incerteza de Os Ciclistas, do gaúcho Iberê Camargo (1914-1994), e, por fim, a tensão na música Água e Vinho, de Egberto Gismonti e Geraldo Carneiro.

Estrogonofre de frango

@5.

Às vezes, lembro-me dos que se foram, amigos e amigas de fato, e uma lassidão poderosa instala-se por tempo indeterminado, ou mesmo até que eu os expulse a todos e todas, mandando eles e elas às favas, ó, não mais me interrompam o coçar dos dedões dos pés, sim e sim, uma verdadeira amizade – o povão diz isto -, costuma ser mais forte e duradoura do que o famigerado sentimento de amor, sendo que um dos dois, ou ambos, deve(m) carregar o peso e a leveza do tempo de verbo grego (tempo indeterminado), antigas palavras oaristo e aoristo.

@6.

Amanhã, levarei minha Mãe para a segunda dose da anti COVID-19. Desejo que todas as Mães tenham este real conforto, este alívio, essa boa prescrição rumo ao sossego delas e deles que são o Esteio familiar: vovós e vovôs.

bairro Buritis, BELO HORIZONTE, MG

Darlan M Cunha

Março: lei marcial ou [nº 3] . Mars: martial law or

bairro Barreiro de Baixo – BELO HORIZONTE, MG
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AS ALDEIAS SE RESSENTEM DE QUÊ ?: de LOCKOUT : de LEI MARCIAL ? dos PREÇOS ESTRATOSFÉRICOS ? do ONTEM ? do AMANHÃ ?

No chão o caroço de uma fruta talvez vingue, talvez não, mas o Homem vingou, andou, pelejou, xingou, traiu, suou e estressou-se cada vez mais, cooptou o Bem e o Mal, avaliou perdas e danos, refez cálculos milenares, pobres ou milionários, sua heráldica, suas condecorações, propriedades urbanas e suburbanas e até cósmicas, e o caroço da fruta já começando a afundar-se na terra, o Homem afundado em si mesmo, seu teor alcoólico, o nefasto teor religioso, a libido espargindo sua veemência, querências e querelas, o relógio por patrão, o infarto namorador, hora é ou será, és feliz, mesmo que infeliz, fingir não é fácil, senão, leiamos esse B. Brecht: “Todo dia, para ganhar meu pão, vou para o mercado onde se vendem mentiras.” Já de todo enterrado, o caroço da fruta germina no seu ritmo, seu único adubo é o sol, ah, e o sal, seu instinto de raiz, sua ciência de caules, folhas e frutos, e o Homem tornou-se um rio assoreado pelo próprio afã de tudo a todo custo querer (todos sabem disso, qualquer sábio, todo idiota, todo catatônico sabe), portanto, as aldeias do mundo se ressentem de quê ? A virologia se cumpre, natural, como tal. Lembremo-nos de Vinícius: “A hora do sim é um descuido do não.

Darlan M Cunha

What do the villages resent ?

On the ground is the seed of a fruit that may or may not survive, but the Man avenged, walked, fought, cussed, betrayed, stressed himself more and more, co-opted Good and Evil, assessed losses and damages, re-calculated millennials, poor or millionaires, his heraldry, his decorations, urban and suburban and even cosmic properties, and the fruit stone already starting to sink into the earth, Man sunk into himself, it’s alcoholic contents, it´s nefarious religious content, the libido spreading its vehemence, wants, the clock by boss, the dating infarction, time is or will be, you are happy, even if unhappy, pretending is not easy, otherwise, let’s read this B. Brecht: “Every day, to earn my bread, I go to the market where lies are sold.” Already completely buried, the stone of the fruit germinates at its own pace, its only fertilizer is the sun, ah, and salt, its root instinct, its science of stems, leaves and fruits, and Man has become a river silted up by his own eagerness to want everything at all costs (everyone knows this, every wise man, every idiot, every catatonic knows it), therefore, the villages of the world resent what ? Virology is fulfilled, naturally, as such. Let us remember Vinícius: “The hour of the yes is a carelessness of the no.”

DeepL.com

Bisavó e bisneta espantando o Caos

Falar o que… Amadas e Caros ?

MENSAGEM ao PEQUENO GRANDE SENHOR

@1. Distúrbios rueiros

Quantos nervos explodem, quantos impropérios são ditos em cada um dos 1440 minutos de todos os dias em aldeias como o Rio de Janeiro, Nova Iorque, Jerusalém, Beijing, Mumbai, Buenos Aires, Cidade do México, Lagos, Cidade do Cabo e nas minúsculas aldeias do mundo ? Porém, uma vez que se tenha de ir às ruas, o mínimo seja evitar jogar dados com o medo, onde os enganados morrem sem nome, sobrenome, telefone.

@2. Senhor Pequeno Gigante

É preciso que se diga bem alto que a estrutura social está vergada para muito além do suportável, algo assim feito um pequeno barco num mar em noite de Satã, breu de piche, siameses comendo um ao outro, pelo que logo se vê o peso da tua intromissão nos cotidianos do Mundo, Senhor de Sutilezas Vis e da Imantação Generalizada.

Ainda não há ponto final à vista, embora o esforço contínuo de 25, sim, 25 horas por dia em busca do néctar que apazigue os corações e as mentes no Planeta de Eixo Inclinado. Os políticos, em seu Areópago, sua Ágora, sua Praça, no alto e no baixo clero, contam desmedidas ações, até mesmo o benfazejo erotismo já levado por caminhos estranhos, ao que se sabe. Eis o homem já sem nome e sobrenome, um homem sem qualidades, conforme o título de um livro.

Pequeno Senhor Gigante

devastar é o teu único verbo, é de avivar câmeras dentro deste túnel pavoroso onde a falta de ar é o que há, onde os brônquios gritam para eles mesmos, verbo preferencial ao portador e afins é o que esse verbo é, e não me desculpe por essa dura intimidade fincada aqui, são coisas da vida, diz o povo, o mesmo povo que está sob cutelo, garrote vil, pau-de-arara, enfim, posto a ferros, sob o suplício muito destruidor da insônia, taquicardia, o SNC avariado, prejuízos de todos os calões ou para todos os jargões, alguns que a Bolsa de Valores sequer desconfiava, suicídios, mas sempre há os obesos, a lei das ofertas tingidas de gold, tintas de blood.

Senhor Pequeno Gigante

a nós – 8 bilhões – não nos interessa de onde vieste sob esta nomenclatura que é a sinonímia mais completa de devastação, e já penso no ano de 1666, entre outros do mesmo negrume, lembro-me aqui e agora da canção os ratos soltos na praça // os ratos mortos na praça. O caos e a breve arquitetura do choro, poema com muito ar.

Pequeno Senhor Gigante

tua mala está pronta, o caminho todo embandeirado até a porta das aldeias com fogos de armistício para a tua partida, porém, os laboratórios ainda ferverão por um longo tempo. Nenhuma dúvida sobre as agulhadas por virem, eis toda a Humanidade de joelhos, tudo isso nos fala fundo, e mais me lembra O Dicionário do Diabo – o livro do Bierce.

Darlan M Cunha