Mão, 3

castanhas de baru (Dipteryx alata)
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Pródiga, ainda que espancada a diário, a natureza não se faz de rogada. No deserto chove com força, as dunas se vão, camelos e homens afogam-se no areal, sombra não existe, a não ser aquelas sombras no psiquismo, comum nos humanos. Enquanto isso, cascavéis, besouros e ratos do deserto palitam os dentes. Nas monstrópoles, sôfregos, os zumbis sobem e descem escadarias cotidiárias, homens e mulheres pisando no tapete vermelho do desespero. Ó vida, Margarida !

Foto e texto: Darlan M Cunha

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MAO-BH, 11

Enquanto descansa, carrega pedras. Lembrei-me deste lindo ditado popular ao rever o pessoal da prefeitura – a turma bacana dos lixeiros – naqueles caminhões enormes, novos, lindos, e a rapaziada sempre de bom humor, pegando os sacos de lixo de prédio em prédio, de casa em casa, e fazendo gozação um com o outro. Algo típico do povo brasileiro é o seu irreversível bom humor, sejam homens ou mulheres.

FOTOS E TEXTO: Darlan M Cunha

MAO-BH, 9

A famosa “lambe-lambe” dos parques, ancestral da tua mini

Prensas e tijolos

Fole e afins {casa de ferreiro, espeto de pau ?}

Fortíssima e, segundo o todo do Brasil, discreta.

Nos arraiais a vida foi ouro, e ouro era trabalho. E a febre do ouro pouco tempo deu para se pensar em “hoje”. E as casas foram de pau, que o tempo comeu. E a febre do ouro pouco permitiu que se pensasse em “amanhã”.

Peter Scheier. Imagens do passado de MINAS GERAIS.

Fotos: Darlan M Cunha

MAO-BH, 7

Vaquinha fuxiqueira

Estribos sapatos de metal

Sapateiro
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Naquela mina, porém, o ouro era livre e o furto era enorme. Conta-se de mineiros que saíam aos domingos levando espingardas cheias de minério furtado, e de latas de biscoito que entravam vazias na mina e, às vezes, saíam levando quinze quilos do precioso pó. Há ainda muito tesouro oculto, e, de vez em quando, os que têm sorte encontram pequenas fortunas em potes e garrafas.

Richard Burton (1821-1890). Viagem para Gongo Soco & Fábrica da Ilha.

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CARTA À MÃE, 112

Dona MARIA

eu mal sei que dia é hoje, nem que dia foi ontem, muito menos quero saber se o amanhã chegará com chuva ou com sol, pois todo dia é dia de viver – diz a canção, e isto quase ninguém faz, conscientemente, só indo e vindo, assim é, quase sem mais e sem menos valia. Ó, viver é o que há, e me lembro de uma pessoa prática, pelo menos nesta frase, neste conceito que se tornou famoso através dos séculos: “Aproveita o dia” – escreveu o poeta e filósofo romano Horácio (65 a.C. – 8 a.C.).

Pois é, MÃE

Mandei fazer uns cartõezinhos coloridos, com foto da Senhora, um agrado deste filho, que já vai chegar para uma boa conversa, netas aparecerão ao vivo, outras, através do Ipad. Ó maravilhoso mundo novo… hehe.

Beijo e abraço do filho meio desmiolado, mas bom garoto

Darlan

MAO-BH, 6

MAO-BH >>> Museu de Artes e Ofícios
Cozinha antiga

Carro de boi

Torrar
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Saí do poder de meu padrinho aos 18 anos. Correr as cercas do mundo. E pois! Rosado não é o canto do sabiá que vem de longe? Fui no aceno do pássaro. Exceção não se abriu para mim. Nadei sem água por baixo. No quartel fui anspeçada. Puxei muar de sargento. Vi bugiu tocar comércio. Tirei urinol de padre…

Manoel de Barros. Livro de Pré-Coisas

Darlan M Cunha

MAO – BH, 5

Carrancas

Carro de boi

Cangas ou cangalhas
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“Que é, que é ?: São doze irmãos em viagem, nenhum deles passa na frente do outro ?” (dito popular sobre os bois dos carros de bois).

Alceu Maynard Araújo. Folclore Nacional, vol. III, p. 335

Darlan M Cunha

Milton Nascimento canta Carro de boi (Cacaso e Maurício Tapajós). https://www.youtube.com/watch?v=gferQZd4s0I

MAO – BH, 3

Minas Gerais = bateias


Balanças

Espingardas, pistolas, mosquetões, trabucos
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Maldito o Conde, e maldito / esse ouro que faz escravos / esse ouro que faz algemas / que levanta densos muros / para as grades das cadeias / que arma nas praças as forcas / lavra as injustas sentenças / arrasta pelos caminhos / vítimas que se esquartejam.

Cecília Meireles. Romanceiro da Inconfidência, romance XVII

Darlan M Cunha

Darlan visita Ai Wei Wei, nº 9

Muita história neste mural >>> [clique na foto]

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A primeira vez que vi um morto, fí-lo meu, ou seja, era de mim mesmo que se tratava, e o levei e ainda levo para todos os lados, ou é o contrário ? Ah, estas infinitas perquirições metafísicas, estas transpirações filosóficas, e estes tantos dentes cariados da sociologia ainda nos dão pruridos, cefaleia, e então é preciso dar cobro a isto. No mais, futebol e novela aboli, mas falta muito chão, como se diz, sempre faltará, até que já não saibamos mais de nada. Todos nós somos murais, caleidoscópios, quebra-cabeças, trevos, somos todos os sinônimos de rio, espelhos, rotatórias, moedas de troca.

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Darlan M Cunha

BADI ASSAD toca e solfeja Ponta de Areia (Nascimento / Brant): https://www.youtube.com/watch?v=_BzlFX9s1LA