Devora-me, ou…

te decifro.
***
*

Quem foi que inventou o pecado ?José Saramago, no documentário José e Pilar

Viajar é fatal para o preconceito, a intolerância e as ideias limitadas; só por isso, muitas pessoas precisam muito viajar. – Mark Twain

A distância mais curta entre dois pontos é a corrupção.Anônimo, ouvido no Mercado Central de BÊAGÁ

Todos nós somos culpados de tudo. Fiódor Mikhailovich Dostoiévski

O mesmo de ontem, mas… diferente.Darlan M Cunha

Chegará o dia em que teremos vergonha de sermos honestos. Ruy Barbosa

Nasce um otário a cada minuto.P. T. Barnum

por independência completa, queremos obviamente dizer independência econômica, financeira, jurídica, militar e cultural completa, e liberdade em todos os assuntos. Ser privado de independência em qualquer um destes itens equivale a privar a nação e o país de toda a sua independência. – Kamal Atatürk, fundador da República turca (1923), e seu primeiro presidente.

De vez em quando um homem inocente é escolhido para a legislatura.Kin Hubbard

Se esta rua fosse minha eu mandava ladrilhar…Domínio Público

Afinal, se a terra se move, é Deus quem a move ?Stephen Hawking, físico

Um homem e uma mulher. Nada mais. Algo mais ?Anônimo, ouvido no Mercado Central de BÊAGÁ

Why I froze and smiled during my sexual assault. (A neurological explanation). – Jenny Lee Corvo

*****

Não conceder de forma alguma, em tempo algum, em lugar nenhum, e sob nenhuma dúvida, promessa, premissa ou até tortura, que os homens e as mulheres contem por ti a tua história, tuas memórias, não, deixe que os muitos nichos dentro de ti revelem tudo, gravem na casca e no fundo os infortúnios, duros, defendam as luzes e as cruzes que te fazem ser o que és, assim, conceda-te aos teus nichos, aos teus demônios, teus totens e tabus, dando-lhes voz para que só eles contem e recontem os amiúdes da tua trajetória.

*****

Foto e texto final: Darlan M Cunha

Anúncios

Cidades – vias anchas e estreitas

Exposição Ai Wei Wei. CCBB, Belo Horizonte, abril 2019
***

A cidade deve advogar mais espaço, querendo cada vez mais largura, altura e fundura e, principalmente, dentro deste acréscimo, ela quer ternura. Que notícias você dará a ela no dia de hoje ? certamente será algo macio como uma duna, um seio, uma veia, uma senda de seda, o pouso do sol da manhã sobre o gramado, certamente que isto virá de você e de muitos outros e outras que ligam seus pontos aos nós da aldeia grande ou pequena, pois assim asseguram que a teia fique forte e aberta a acréscimos, mas não a todo tipo de. É preciso cuidar do que se ergue, do que inventamos para os dias, cuidar das veias abertas do acampamento dentro do qual as pessoas amam e desandam, acordam e concordam ou discordam, preferencialmente, até de si mesmas, porque o embate interior é mesmo vital, mas ainda escasso. Só resta ir – sin perder la ternura.

*****

Foto e texto: Darlan M Cunha

Os Amantes. ROBERTA SÁ, PAULO MIKLOS & DEMÔNIOS DA GAROA & LUIZ AYRÃO cantam. (SYDNEY DA CONCEIÇÃO, LOURENÇO & AUGUSTO CÉSAR, autores). VÍDEO: https://www.youtube.com/watch?v=ZzPwlXezIkw

Cidades – as coisas acontecem é na rua

Palhaço // payaso // clown // farceur // pagliaccio // клоун (bairro Buritis, BÊAGÁ)
*****

As cidades são como os insetos de múltiplas cores, voos de 360º, multidões, os humanos assemelhando-se a insetos, de tantos num mesmo lugar, daí que é comum dizer-se que a grande cidade é um formigueiro, do qual há cada vez mais formigas tentando fugir de tal sufoco, pressões incessantes, mas ela, de fato, encanta, e assim as formigas vão adiando a mudança, gozando dos mil ímãs que este circo-prisão oferece. A cidade tem ene palhaços cuspindo fogo nos cruzamentos de ruas e avenidas, tem liquidações [inclusive de gente], atrativos de graça, todos os dias ela se levanta ainda antes do primeiro minuto seu, logo estende seu manto multicor e multitudinário, no qual embarcas após o pão com manteiga e o café com leite, ou algo mais diligente como brioches, ovos duros, laranjada com mel, queijo, pães seletos, requeijão cremoso, presunto fatiado, mostarda e azeite, ou apenas uma omelete com a qual segurar-se nas horas primeiras dentro da Grande Concha, ou sem nada de nada na boca (¿cómo un niño frente a Dios?), a não ser o delírio que a fome e a sede dão aos escolhidos. Mas eis que a cidade é isso, isto é que é sentir-se vivo. O que seríamos, nós, os fabricantes de ácido fórmico, se não fossem as cidades ? Procuro o amor nos Classificados, amor puro, sou carente de uma conversa ao pé do ouvido, uns puxões de orelhas, sim, o amor é lindo, o amor é índio, mas o amor, senhoras e senhores, não tem futuro, e assim é que, enquanto há tempo, tu também precisas tomar juízo, construir um lar – porque o amor assim exige.

*****

Foto e texto: Darlan M Cunha

Respire fundo. WALTER FRANCO canta e toca (autor): https://www.youtube.com/watch?v=OBQajooNkOI&t=497s

Cidades ou lugares – aonde ir e talvez ficar até… ?

Plano de voo [imagem Internet]
***

As mãos da infância mal comportam a fome e a sede naturais da idade, não temem nada, a não ser a ausência materna, ainda que só pelo tempo dela ir ao mercado – Mãe, leva eu ! – pedem, exigem, instintivamente percebem que aquela luz é única, vão de olhos fechados, rindo, porque só a felicidade ri, ou seja, o riso é o lugar onde a pedagogia dos oprimidos deve ter sua vez de aprender mais e mais.

***

Durante a minha sempiterna viagem à antiga capital Inca, Cuzco, viagem cheia de bons ventos, de idas e vindas ao Absurdo e à melodia do efêmero, cheia de endosso à melodia daquilo que em nós se torna memória eterna, vi a certeza de que chegaria bem até Machu Picchu, tendo partido de BH, indo a Corumbá, de lá até Quijarro, na Bolivia, finalmente, Machu Picchu – viagem pra macho e pra doido nenhum botarem defeito, belo cansaço, longuíssima estrada de ferro, mas fui e voltei bem no famoso Trem da Morte, que partia de Quijarro. Hoje, tanto tempo depois, cá estou, às quatro e meia de outra madrugada, numa paz que comumente não se tem, lembrando-me daqueles dias e daquelas noites entre pessoas da Noruega, Alemanha, Canadá, Brasil, Peru, Argentina, Chile, França, EUA, Inglaterra, México, lembro-me de duas garotas norueguesas e de outras, holandesas, algumas com o cabelo ao belo estilo maria-chiquinha, muito doidas também devido ao relevo andino, y otras cositas mas. Até hoje não sei como perdi a mochila, depois que voltei para casa, provavelmente na mudança de residência), sinto até mesmo falta física da pequena mochila verde, com uma bandeira brasileira, sempre às costas, que eu mesmo costurei, bandeira que consegui na Rua dos Caetés, em BH, com um dos comerciantes libaneses daquela rua, quem ma deu de presente (sim, ma deu). Tinha algo assim o meu tamanho exato aquela que se tornou parte da minha Estrada, a mochila do tamanho do Mundo. Hoje, há tantas câmeras no caminho, tantas violações ao básico, tamanha é a exploração comercial, agências de viagens sem preparo (não todas, não a maioria), etc, que onde há turistas em massa eu não vou nem se me pagarem régiamente.

***

Infância é viagem. A Psicanálise pode levar-te à infância, mas se isto se dá, em geral há mais nódoas, rugas, nuvens e gotas rubras do que bocas de sorriso. Segundo uma sátira Darlaniana, sem número e sem data, “A cidade só se dá conta da infância quando alguma criança morre. Então, todos choram, logo esquecem.

*****

Texto: Darlan M Cunha

Trem do Pantanal. ALMIR SATER canta e toca (GERALDO ROCA e PAULO SIMÕES, autores): https://www.youtube.com/watch?v=VmOqKLKOASI

finito & depois

sem protocolo
***

Nessa terra, em se plantando, tudo dá. (Pero Vaz de Caminha)
***

@1

Se a mesa de todo dia na terra está, / quem contra ela irá ? / Mas que buracos são estes / e aqueles em redor de onde / amamos, pisamos, criamos ?/ Vieram de longe, pelo ar, / vieram de visita, sem avisar / pelo que se pode ver / que a terra – a mesa – / tem com o que se preocupar.

@2

Nas noites em branco / atravesso as dunas / onde vive o improvável / e assim eu cresço / devagar e sempre / nas noites em branco / eu cresço nos dias sem nome e sem data / passando sem deixar memória.

On the nights in white / I cross the dunes / where the improbable lives / and so I grow up / slow and always / on the nights in white / I grow up in these days without name and without date / passing without leaving memory.

@3

Estás cansada. Sinto isso nos teus olhos que não vejo, nas pernas bambas de tantas idas e vindas – nem direi que é em vão o vaivém necessário, diário -, mas estás ainda em forma, melhor do que tantos e tantas, resta lutar por eles e elas, talvez até por mim, que já nem sei onde estou, o que fui e o que sou. Ó, o mundo não vai acabar nunca, deixemos boas pegadas, impressões de primeira deixemos.

Fotos e poemas: Darlan M Cunha

BJORK canta Jóga (2010, glaciares e vulcões da Islândia):

BJORK >>> (Directed by Michel Gondry)

umas & outras

Trabalho manual de Isamara Matos, prima
***

@1

Que o mês de julho lhes sorria, a todos e todas, enfim, toda a segunda metade de 2019

@2

Significado do Nome DARLAN

Darlan: Significa “de Arlanc”, “vindo de Arlanc”; “filho de Arlan”, “filho do que vem da terra de guerreiros”.

O nome Darlan é francês e apresenta-se através de dois étimos. Um deles surge a partir de Arlanc, cidade localizada no Norte da França, acreditando-se que os primeiros registros seriam de alguém nascido ou que vivia nessa localidade, de modo que significa de Arlanc, vindo de Arlanc. O outro étimo é patronímico, ao passo que carrega o nome do pai de família, ele significa “filho de Arlan ou, por extensão, filho do que vem da terra de guerreiros”. Arlan tem origem no nome germânico Hariland, formado a partir da junção dos elementos hari ou heri, que significa “exército” e land, que significa “terra, pátria”, da qual resulta “o que vem da terra dos guerreiros”. Embora apresente alguma semelhança, Arlan não deve ser confundido com Orlando que significa “natural da terra gloriosa”.

Algumas fontes apontam uma associação do nome predominantemente masculino Darlan ao feminino Darlene, o que não deve ser considerado, uma vez que Darlene vem do anglo-saxão Darleen, que significa “querida”. Trata-se de um bonito nome, sobretudo pelo fato de refletir o vínculo com o chefe de família, que por sua vez denota valentia. Darlan tem se tornado popular no nosso país.

Origem do nome: Francesa, Germânica.
O nome Darlan escrito ao contrário: Nalrad

@3

Pois é, Gente Boa, eu sou internacional, de origem distante é o meu nome, e acho que o meu pai Elviro tirou este nome de algum livro de algum escritor francês, talvez de Victor Hugo, Emile Zola, Marcel Proust, etc. Eu não sabia que era internacional… hehehe… mas fiquem tranquilos, porque não ficarei inchado, pelo contrário. Para mim, eu era, sou, um mequetrefe, um abásico, ningres-ningres, bajulador, uma pituitária decadente, bebedor eventual de vodka com água de coco, agitador barato de ponta de rua, plebeu, ateu, hijo de puta, semi-analfabeto, aidético, ex-interno da PINEL, e por aí vão estes e outros mil e mais adjetivos pejorativos dados a mim por más línguas mortas de inveja, mas é como se diz: A caravana passa… Só rindo / just for laughs / juste rire / sólo me queda reír / Ich muss nur lachen…

>>>>>

Foto e textos @1 e @3: Nalrad M Cunha

Texto @2 veio daqui: DICIONÁRIO DE NOMES PRÓPRIOS: https://www.dicionariodenomesproprios.com.br/darlan/

Cuitelinho (Domínio público). MÔNICA SALMASO, canta & PAULO FREIRE, viola caipira : https://www.youtube.com/watch?v=MYBCHs2Uod8

céu da boca

mandioca, mel e café
***
Para CRISTILEINE LEÃO: https://depressaocompoesia.com/author/cristileao/
Para TODOS e TODAS


mandioca, mel, pão, café
***

@1

Há umas comidinhas bem maneiras, e bem fáceis de preparo, cabem nos menores bolsos, sem qualquer tipo de contraindicação, por exemplo: não servir para crianças e idosos. Há pessoas que correm atrás de tudo aquilo que ouvem. Eis nas fotos aí acima um punhado de mandioca com mel de abelha, tudo preparado em casa, rápido. Pode-se também, depois de cozida, untar cada pedaço com manteiga, como se faz com espigas de milho, estas bem untadas com manteiga, quentes, escorrendo delícias.

@2

Sonhei com a porta do banheiro comida por cupins na parte de baixo, de modo que só mesmo retirando a porta para ver e passar um antídoto, mas só me dei conta disso umas duas horas após me levantar, e fiquei pensando e rindo e me perguntando se a vida que foge todos os dias tem correlação com a comida dos cupins. Pode ser um alerta, a mente é cheia de truques, todos nós fomos e somos várias pessoas numa só, já que todos os dias todos nós nos acrescentamos algo, e assim amanhã haverá algo mais na bagagem, mas de preferência sem cupins, esse bichinho duro na queda.

@3

Ninguém em lugar nenhum e em época nenhuma esteve, está e nem estará satisfeito com a própria biografia. É mentira, Terta ?* Cada um tem motivos para se queixar, ou para se arrepender e até se mortificar por não ter feito isso e aquilo, por ficar sempre protelando uma decisão, uma atitude, um desejo de ir a tal lugar, uma vontade de escavar bem fundo, de subir e descer escalas, botar fogo nas nuvens, sair e comprar um instrumento musical, aprendê-lo, enfim, mil e uma noites e mil e um tormentos suaves ou pesados. Gente boa, meu sonho de consumo durante certo tempo foi o de ter um dente de ouro, sim, hehehe… (podem rir), mas isso passou. Dente de ouro, vejam só, vocês ! Garoto, tomaste juízo ? Vá te catar, moleque, ouro não serve para nada, a não ser para chamar ladras e ladrões.

@4.

Sabe de uma coisa ? A verdade é que já estou há muito tempo enfastiado de quase tudo, tudo muito, farto, cheio, por aqui ó, a cumbuca lotada, é, aquela gota d’água final, aquela com a qual vem o desbordo, chegou aqui, por isso, o dia promete, porque já estou cheio de ouvir Rêicebuk da vida, Fuíter da vida e mais mil trastes como Uót iz iór fárst nêime?, ou então mais outro suplício assim: Ligitíme çua çênha, artualize çua kloaka, entra na lója Gugôu i kompre. Venda çua muié-jararaca, ruím de tudo, di kebra, venda çua mãe: Ela tá nas úrtima ? Num si precupa não, nóis pagâmo us mió prêcio du méucado. Viva u Bolso ô Nada. Cim, ôje iêu tô cum a MACACA ARILDA e a JACAROA BIA. Vai rendê istrupício.

***

Fotos e texto: Darlan M Cunha

Jardim da Fantasia (PAULINHO PEDRA AZUL, autor). DARLAN canta: https://www.youtube.com/watch?v=leb0K-yUORA

Roça e tecnologia: contrastes ou complementos ?

Mandioca – Manihot esculenta // Manihot utilissima

***

fartura

***

@1

Acredite: a humilde mandioca, fundamental para os índios, originária da América do Sul, foi eleita o alimento do século 21, pela ONU, sim, a ONU. Ela é chamada de maniva, mandioca, macaxeira, aipim, pão de pobre, rainha do Brasil. Durante os festejos, os índios vão ficar do jeito que o diabo gosta, como ouvi no Mercado Central de BH, ou seja, é certo que vão beber muito cauím – uma bebida que também é feita a partir da mandioca, bem mastigada e cuspida numa vasilha, misturada com água, deixada para fermentar, com a ressalva de que só as virgens podem mastigar este alimento, preparado com esmero esta herança de muitas gerações. Experimente no café da manhã mandioca cozida passada na manteiga ou no mel, bolo de mandioca com coco, biscoitos fritos, ou tapioca.

@2

Ontem, após muito tempo, ouvi o famoso grupo musical alemão KRAFTWERK (Estação de energia, ou Usina), tidos como os lançadores de um tipo de música que chegou e ficou: a música eletrônica, e eles já estão por aí há uns cinquenta anos estes quatro engenheiros.

KRAFTWERK

@3

BALADA PARA UM DESORIENTADO

Quem te dera, garoto, dar um clique // no coração do teu ícone, abrir um linque // exclusivo para ela, quem te dera // andar por aí sem que seja com as mãos nuas, // nos bolsos nus, algo cabisbaixo, quase sendo atropelado, // absorto como todo bobo. // Vamos, garoto, saia desta areia movediça, deste lodo, // deste sonho com ícone, // totem e tabu, vamos, que o mundo chama, // o mundo é logo ali – comédia e drama.

***

Fotos e texto (exceto foto Kraftwerk): Darlan M Cunha

Das Model. KRAFTWERK : https://www.youtube.com/watch?v=qDqO_66I3Cw