convite

Sabará, MG – BRASIL

Algum dia irei a Sabarábuçu, Raposos, Rio Acima, e ao Rio das Velhas com muitas histórias de ouro, e também voltarei a São Sebastião das Águas Claras, que todo mundo conhece como Cachoeira dos Macacos, pequenina e dócil ao tato e ao olhar, tudo aqui bem pertinho de BH, mas longe da monstrópole, sim, é claro que fui até lá várias vezes, mas sempre me esqueço como estes lugares são, vivem, aí então eu invento de ir conhecê-los, e lá vamos nós aos queijos, chouriços, couves, linguiças, jabuticabas, torresminhos, taioba, goiabada, ao angu, ao ora pro nobis e àquela cachacinha. Ó, melhor do que isso é só beijo de Mãe, e umas bicotas das moças, e muita música, porque em todos estes lugares há músicos a rodo, é difícil uma família onde não haja alguém músico, ainda que amador, mas de muito boa técnica – moças e rapazes tocando com vovôs e vovós, crianças bem ali no seu dó maior na flauta, etc. Um espanto é o país, esse mesmo de Brasília – aliás, não o mesmo.

Darlan M Cunha: foto e texto

simplesmente

Ah… de ACARAJÉ (PRAIA DO FORTE, MATA DE SÃO JOÃO – BAHIA)

Há muito não vais ao mar / sentes que algo te chama, / és das montanhas, e o grande azul te invoca, / batendo com suas pedras de sal na tua cabeça, / esfregando as moedas da ânsia em tuas pernas e braços / sentes que deves ir a outros tipos de ondas.

PROJETO TAMAR – PARIA DO FORTE, BAHIA

Teu mar atual é o de nadar / em noitícias ? Há muito tempo és noctívago / teu bar é a saleta de memórias, cinzas, / alguma tela torta na parede / o sofá é o teu oceano, claro / é preciso ir a algum lugar / trabalhar cansa, lavorare stanca – diz uma turista, / deves partir, amanhã.

RAY VIANNA. Escultura “ODOYÁ”. PRAIA de SANTANA. RIO VERMELHO, SALVADOR, BAHIA. (Mesmo desatento que estava no momento, de repente, pressenti, e fiz a foto).

Disseram para não colocar nenhuma palavra na boca da ficção, estupefato, amargou no aparelho digestivo certas lições que diluem o raciocínio que porventura ainda se tenha, e foi devido a isso que a estupefação, o desânimo e por último o desespero subiram no seu costado, esporas e chicote, tinham avisado para não se endividar com a clareza, não fazer nenhuma frase na terra da ficção, em vão, que ser humano é ser ficção, delírio e delíquio, relíquias malditas e benditas, poço fundo e areal viscoso é o humano, erros e seus ecos, o riso na boca de cada poro, desgraças mil graças, foi dito para cortar a língua da palavra, fechar o caminho a cada palavra que ouse ser lavra, palavra, notícia, nuvem, pó… em vão, pois ser Ser Humano é plantar verde para colher maduro. Uai, Ó Xente, Barbaridade Chê !

Darlan M Cunha

CHICO BUARQUE / ROBERTO MENESCAL. BYE BYE BRASIL: https://www.youtube.com/watch?v=5oYLRRo8sTY

FRANK SINATRA. MY WAY. : https://www.youtube.com/watch?v=LQzFT71LCuc

então ?

“COM QUE ROUPA ?” (NOEL ROSA)

AULA MAGNA DA DÚVIDA

*

Aonde vai essa vontade tonta, seriedade tanta ?

Para onde, caro, essa cara nada amorfa,

signos de alegria, mistério e, talvez, de mofa ?

Para onde vai esta ânsia de instância veloz,

se não para fora do dia comum e da noite feroz ?

Aonde vais com tanta saudade nos ombros ?

Até onde levarás essa tamanha maldade ?

Para que correr atrás de assentos e ventos,

para votar ou saudar outros tetos sem alentos ?

Ao que irás neste dia de nebulosa porfia,

e a quem irás servir a foice ou a pá da aleivosia ?

Diga, como Satã: Irei mais para dentro de mim.

Diga, como digo eu, e não ao feitio de Salomão,

de César, de Alexandre, do vate de um olho só,

do monge russo ou do maneta de Alcalá de Henares.

Diga e aja como o Visgo ou o Inerente

o Inevitável o Uno o Móvel de Todas as Ânsias:

– Para onde vou nem o Amanhã saberá.

***

Darlan M Cunha

MPB-4. Canto dos Homens.: https://www.youtube.com/watch?v=cJ_RullMXL8

temática do assombro

SENTINELAS DECAPITADAS, MAS SENTINELAS, TESTEMUNHAS

Para espanto e regozijo, sem procurá-la, encontrei essa foto, feita há 15 ou 20 anos, mas eu não sei precisar o lugar, embora ache que foi numa das inúmeras caminhadas e corridas, mas acho que foi aqui perto da cidade de Nova Lima, ou de Raposos, a pé, sempre, ou foi depois do bairro Belvedere, aqui em BH. De todo modo, ela me agrada, até porque a cor é natural, eu não me lembro de tê-la tirado de sua roupagem original, até porque ainda nem sabia fazer isto. Ela me fez pensar, uma vez mais, na incrível rapidez da vida. As pessoas dizem: Um dia a mais. Outras dizem: Um dia a menos. Enquanto isso, os dias assobiam, e vão em frente, e muita gente fica pelo caminho, filosofando, com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar – de acordo com a canção do Raul Seixas.

Darlan M Cunha

RAUL SEIXAS. Ouro de Tolo. Raul Seixas – Ouro de Tolo – YouTube

ar é mais

Três equipes em campo, jogo duro, por enquanto, 2021 x 3 para FOLHAS & VENTO contra VARREDORES

As pessoas aterrorizadas e tristes, será preciso muito mais do que simples mudança da sociedade, mas confio em que esta surra avassaladora, mortal, possa mudar certas atitudes deploráveis. Será difícil, não impossível, desde que muitos/as se toquem perante essa falta de ar, e que haja Governo. Confio estar em minha porta, para sentir a leveza, após esta caçada ao pavor do mundo, esta sombra mutante, com mil truques, este sinónimo de fôlego morto, camas ausentes e famílias destruídas.

Meu exame Corona Vírus-19, de 14/04/2021, feito em Belo Horizonte, por gente amiga de conversa luminosa, o qual eu tenho aqui em mãos o resultado, deu nisso: Não detectável.

***

People are terrified and saddened, it will take much more than simply changing society, but I trust that this overwhelming, mortal beating can change certain deplorable attitudes. It will be difficult, not impossible, as long as many are touched by this breathlessness, and there is Government. I trust to be on my doorstep, to feel the lightness, after this hunt for the dread of the world, this mutant shadow, with a thousand tricks, this synonym of dead breath, absent beds and broken families.

My Corona Virus-19 exam, dated 04/14/2021, done in Belo Horizonte, by friends of good standing, luminous conversation, which I have here in my hands the result of, gave this: Not detectable.

Darlan M Cunha

UMA PEQUENA/GRANDE AMOSTRA, NO VÍDEO FEITO POR UMA DE MINHAS IRMÃS, DE COMO SOMOS AFETADOS, DE UM MODO OU DE OUTRO, DIA E NOITE: Vídeo… ATLANTA-SÃO PAULO.mp4 – YouTube

não é tempo de rir, 2

Centro de Saúde TEIXEIRA DIAS, Belo Horizonte, MG

@1.

Chegou o tempo em se vende mais materiais de higiene pessoal e caseira do que leite. Ontem, na TVE Espanha, vi no centro da capital: Las colas del hambre aumentan en Madrid – filas cada vez maiores, pessoas bem vestidas, estudadas, sem agressões, esperando sua vez de levarem alimentos. Vi também a entrevista do médico/cientista e ex ministro da Saúde, Nelson Teich, à CNN Brasil, na qual ele faz avaliações claras e, portanto, pesadas, mas elegantes, a respeito de medidas tomadas pelas autoridades brasileiras diante das várias facetas do corona vírus.

@2.

Todos nós temos de vez em quando alguma lembrança que nos reaparece em hora e lugar os mais inesperados, sim, alguma lembrança de fato agradável – uma viagem, por exemplo. No fim da madrugada desta segunda, 15, enquanto passava o café, acompanhado pelo silêncio habitual, lembrei-me de uma das viagens do meu tempo de mochileiro, a qual me levou, através de algumas caronas nada programadas, até São Paulo (capital, São J. dos Campos, Campinas); Paraná (Curitiba, Ponta Grossa e seu Parque Estadual de Vila Velha, Foz do Iguaçu); Argentina, Paraguai, e depois um retorno algo atribulado, passando por uma república de jovens estudantes que fizeram votação para que eu pudesse ou não pernoitar na casa. Fui aceito, e eu me admiro até hoje daquela sensatez. Isto se deu em Florianópolis, uma cidade que os “manezinhos” (assim eles se chamam e são chamados) guardam com carinho, e chamam-na de Floripa, assim como nós aqui chamamos e escrevemos Belo Horizonte assim: BÊAGÁ, BH, Belô.

Darlan M Cunha