do lampião ao hoje

NO TEMPO DO LAMPIÃO (2)

Lampião do filósofo grego DIÓGENES – O CÍNICO (412-323 a.C.), que arrematei, e depois, para comemorar, fui colocar querosene na cachola, no famoso BARTOLO.

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     Ninguém sabe como ele chegou até aqui, quem o descobriu, se foi roubado de algum Museu; mas isso não é possível, pois não há registro em nenhum lugar, em nenhum livro científico. O vendedor, analfabeto completo, como, de resto, a enorme maioria da nação, colou no bojo da preciosidade uns decalques para valorizá-la, sem saber o que tinha em mãos, disse ter feito um escambo, uma troca no interior de Minas, lá pelas bandas de Tiradentes, e coisa e tal, e eu acreditei, sem acreditar, porque eu logo detectei a origem exata dessa bela peça que vi com meus Olhos De Cão Azul (Garcia Marques), esta que o filósofo carregou pelas ruas de Atenas, pleno dia, dizendo que estava “à procura de um homem honesto em Atenas“. Atenas, a mãe da democracia.

     Como se vê, parece que não há mães como antigamente ( – Herege, exigimos as tuas desculpas às mães !).

     Como se vê, quanto à honestidade, à proteção do patrimônio público e a muitas outras coisas mais, autoridades de todas as latitudes e longitudes continuam as mesmas (salvo as famosas honrosas exceções).

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foto e texto e risos: Darlan M Cunha

à mesa – 1

a-mesa

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    À mesa todos vão, secos ou molhados, bem ou mal interpretados, as gerações vão à mesa, com ou sem fardos hereditários, com ou sem moléstia pecuniária, todos se acham normais, juntam-se na extensão da mesa, abrem risos e gargalhadas, ou se fecham numa bolha – se isto acontece, estraga o prazer, lá se vai a vontade de comer, adeus paladar sobre a peixada, o arroz, a salada.

      A mesa é tão antiga quanto a vida, é a própria, e assim é que bem lhe cabe o título de professora de homens e mulheres, porque, assim como se diz que é na rua que as coisas acontecem, da mesma forma se diga que é na mesa que muitas dúvidas podem ser resolvidas. O arroz e o feijão do amor, à parte ? Não, não renegar o básico é sabedoria.

     À mesa, a pressa fique para trás, fique jogada a um canto da sala, mochila pesada, a pressa destrói alicerces sociais. Eis a mesa domingueira, bem posta.

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Foto e texto: Darlan M Cunha

Café 5 efes

CAFÉ 5 EFES

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OSTINATO RIGORE

Alguma coisa sempre permanece de pé no inconsciente, arma na mão, a saliva dançando, o marfim sedento por falar, por dizer o que não fora dito, por este ou por aquele motivo. Portanto, permanece deitada a coisa irresolvida nalgum hotel ou numa ponte – nas pontes sempre há gritos de prazer pelo peixe que sobe, sim, sempre há gritos de ferro contra ferro, mas os suicidas são silentes feito certas árvore (o bambu estala ao crescer), há gritos de romanos construindo pontes móveis, berros de gralhas agourentas, dos malditos corvos, chiados de algum cão atropelado, aquele acerto de contas à noite sobre uma ponte: duas facas só lâminas fortalecendo o horror, até que um peixe ou dois despenquem de vez da vida, e ninguém chorará por eles, a não ser as respectivas genitoras, porque mãe é mãe. Mãe é mãe.

Algo sempre está à espreita no consciente, no inconsciente a coisa torna-se deveras perigosa, porque muitos acertos de conta passam, mas ficam ali na gaveta do meio, guardadas entre os lábios de premissas e promessas, isso porque esperar é mesmo ciência do inconsciente, e só eu o diabo sei de tal vastidão – landar é o nome-epíteto. O Diabo é O Ícone. Sou siberiano, às vezes; outras tantas, vivo na terra do fogo, mas comigo nada é certo, não marque encontros comigo, que eu encontro quem e como e quando e onde quero.

Nada acontece no meu maravilhosamente empedernido coração, assim, nada de mimos, de sexos a mim oferecidos, de música de cama, pois eu, O Único, basto-me a mim mesmo, desde antes de parir os meus próprios pais, e depois os mandei andar.

Há quem sempre negue pacto comigo, mas isso é pura balela, coisa de mulher desiludida e de ‘homem’ enrustido, porque TODOS & TODAS têm pacto comigo. E porque não sou de brincos, cobro.

Arte e texto: Darlan M Cunha